quinta-feira, janeiro 01, 2026

Aquela cena das páginas do ano


– Foda-se!

– Lá estás tu a resmungar.

– Explica-me lá outra vez. Esta é a primeira página de quantas?

– Trezentas e sessenta e cinco.

– Isso já dá um livrinho composto.

– A ideia é essa.

– Mas afinal porque tenho de ser eu a escrever?

– Ainda perguntas!? Andas com muita preguiça. Tens o blog às moscas, com muito material para ser tratado e publicado. Não queres saber, portanto é imperativo seres tu a escrever!

– Ó! Estou de vacances e com este frio não dá vontade de escrever.

– Tretas! Já andas com preguiça há mais de meio ano!

– Pronto. Eu escrevo, mas qual é o tema?

– Tu és o escritor, desenrasca-te.

– Espera aí. Esta é uma daquelas cenas em que cada dia do ano é uma página!?

– Sim. Só agora reparaste?

– Bolas! Isso é uma parolice. No dia um, anda meio mundo com esta história, passada uma semana já ninguém se lembra e voltam todos para a rotina. Como te deu na ideia de fazer isto?

– Por aquilo que te disse já há pouco. Precisas de escrever. Uma palavra, uma frase, um parágrafo, uma página por dia. Senão qualquer dia perdes o jeito.

– Olha, se calhar já perdi. De qualquer maneira faço-te a vontade e escrevo a primeira página.

– Muito bem.

– Já o resto, depois logo se vê!  

– São muitas páginas. Escreve e cala-te.

– Por falar nisso, como ainda não desejei, aproveito e deixo os votos de Bom Ano para ti que estás a ler!