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terça-feira, setembro 22, 2020

A ilha de "Lost"

Setembro é um mês agridoce. Tem no seu ventre o conforto caloroso do verão e em simultâneo abre as portas do outono e traz consigo os primeiros dias invernosos. No entanto esta história aconteceu no fim de um dia quente. Quando a noite começa a cair e as primeiras estrelas convidam a olhar o céu. 

– "Gosti" –  disse com uma certa meiguice que só ela sabia ter. 

– Como quem gosta de quê? – Questionou ele, não porque duvida-se, mas porque gostava de viajar nas palavras dela. 

– Como quem gosta da lua cheia. – Respondeu sorrindo, sem timidez. 

– Desenvolve. – Insistiu ele com alguma frieza, tal como seria interpretada por quem não o conhecesse.

– Daquelas gigantes que hipnotizam! – Concluiu ela.

– Já eu, gosto de ti como uma ilha deserta. Daquelas com praias fantásticas e florestas  supertranquilas. Mas depois, quando começamos a explorar, vamos encontrando vários mistérios cativantes. Tipo aquela ilha de "Lost". – Disse ele narrando as palavras de forma a dar corpo ao sentimento.

– Ganhaste no desenvolvimento. – Comentou ela refugiando-se no sorriso.

– Também podias ter desenvolvido mais. Se quiseres continuar eu não me queixo… – Lançou-lhe o desafio, apesar de saber que seria difícil obter a continuação, já que as suas confidências são raras.

– Agora não. Tenho de ir […]. – Deixou de a escutar no momento em que disse que tinha de fazer uma mundanice qualquer. As banalidades do mundo sempre foram demasiado aborrecidas para ele. Principalmente na companhia dela. 

Contentou-se com a resposta expectável. Já sabia que ela era assim, fugidia. Chega, deixa o mistério no ar e depois vai embora com um pretexto qualquer. Não se importou em demasia. Tinha conseguido que ela lhe oferecesse um pouco do seu tempo gratuitamente. Isso para ele era muito.

A conversa talvez continuasse depois, num dia qualquer, noutro momento em que a poesia estivesse presente na decoração da natureza. Ou então, quando os sentimentos tentassem enganar a inquietude e tomassem as palavras por escape.

Contemplou o anoitecer. Não é preciso ser poeta, ou artista, para interpretar a beleza das estrelas no céu a brilhar numa noite amena. Basta gostar da tranquilidade que vai surgindo como recompensa depois da confusão dos afazeres humanos.

De certa forma aquela conversa continuava, silenciosa e distante. Como tantas outras que aconteceram antes. Pintada no cenário sossegado da noite que cai e das estrelas que cintilam ao fazer viajar a imaginação...


segunda-feira, agosto 27, 2018

Pergunta por verbalizar


Olho para longe, em busca de um lugar que os olhos humanos não podem alcançar. Algures, onde a minha mente não conhece, nem a inteligência sabe onde fica. A geografia é uma disciplina impossível quando o ponto aonde queremos chegar fica no desconhecido. Sem mapas, ou indicações, que me orientem. Simplesmente é demasiado longe. Sempre demasiado longe… Para que a inquietação possa conhecer um pouco de tranquilidade.
Louvo este tormento de nunca me encontrar em lado nenhum, nem numa arte qualquer. Não há poemas cheguem para explicar o que não se explica. São coisas infinitas! São coisas impossíveis! São enigmas sem fórmulas para os decifrar. Respostas há muitas, nas mais variadas vozes, dos mais variados saberes. No entanto, esquecem que nunca foi feita uma pergunta por falta de a conseguir verbalizar. Não há ciência, ou pensamento, dos homens capaz de estudar esta sensação de constante distância.
Por vezes o espírito é de calmaria, quando o mundo à volta se cala no seu constante ruido, e deixo-me ir somente com a ânsia de estar ausente. É como se nesses momentos conseguisse encontrar o meu lugar, nesta fuga constante às dimensões corpóreas que restringem o ânimo, dentro da prisão da existência. Mas como pode isso acontecer se tudo é desassossego?
Contudo, há em mim uma réstia de esperança, que provoca o caos nesta minha falta de rumo. Uma Fé inexplicável, vinda sabe-se lá de onde que teima em fazer-me acreditar na ilusão da felicidade. Não posso negar que há em mim um espírito de sonhador. Esteja eu em tumulto, ou na mais absoluta lucidez, há sempre um sonho que insiste em nascer do ventre da imaginação, como se tivesse vida própria.
São delírios de quem não conhece a satisfação. Ainda assim, é tudo que sou. Entre o aqui e o infinito. Caminhos incontáveis sem bússola que me norteie neste emaranhado de incertezas.
Talvez o amanhã me indique uma direcção, ou me faça encontrar um propósito. Hoje não! Deixo-me que me esqueça de mim próprio aqui, nesta Paz momentânea e recolho-me na serenidade do olhar para o que está longe...

sábado, março 17, 2018

Ele há dias


Chegou a casa ao fim da tarde. Pedaço claustrofóbico, entre quatro paredes e um tecto, transformado em edén pessoal depois de um dia de trabalho, de gente estranha, de confusão caótica na dita ordem do mundo.
Ele há dias onde parece que tudo lá fora enlouquece!
Sacudiu o mais possível o cansaço de cima das costas, mas o peso teimava em não desaparecer. Frustrações, imposições, castigos acumulados no corpo, da carne até à alma. Um fardo difícil de carregar e de iludir.
Ele há dias onde custa fingir que não dói viver!
Arrancou as roupas encardidas com o cheiro lá de fora. Colavam-se à pele com a viscosidade transpirada da rotina. Atirou-as para longe. Algures num canto escuro, enfadonho e esquecido do buraco a que chama lar.
Ele há dias onde não existe um sitio que pareça acolhedor!
Dirigiu-se para a sanita e despejou todos os dejectos que se abrigavam em si. Puxou o autoclismo e entrou no chuveiro em busca de limpeza. Talvez a água quente trouxesse algum alívio e pudesse atenuar a solidão. Sem sucesso.
Ele há dias em que sentir parece ser pecado!
Olhou-se ao espelho, no entanto a figura que encarava em nada se parecia consigo. A criança determinada a conquistar o mundo, metamorfoseou-se numa personagem pintada a rugas de tempo passado sem aventuras.
Ele há dias em que todos questionamos: afinal quem somos nós!
Arrastou-se até ao quarto. O silêncio escurecido das portadas em baixo parecia trazer algum conforto. Entrou para o aconchego dos cobertores como quem encontra refúgio. Desenhou ali o seu santuário de crente no sossego.
Ele há dias em que tudo que há a dizer, é calar!
O adormecer sabe bem a quem é consumido pela fadiga. A recompensa do esquecimento veio com o sono que é reservado aos justos, ou aos desajustados. O crime de sonhar cumpre assim a sua pena.
Ele há dias em que o maior desejo é simplesmente dormir!
Mergulhou imediatamente no vazio. Ficou invisível com o seu entorpecer. Um salto feito de nada pela noite dentro. Sabe que a madrugada há-de ofertar o ânimo aos seus filhos perdidos. A energia regressa com o sol.
Ele há dias em que tudo que se deseja, é despertar numa manhã descansada!

quarta-feira, dezembro 06, 2017

Tudo é vida


Tudo é sono.
Ao meu redor a realidade transformou-se numa vastidão de cansaço.
Um deserto feito de inercia resumido a uma única ânsia de descanso. Sem sentimentos a pulsar. Sem desejos que acordem. Sem decisões para onde continuar. Apenas adormecer. Enroscar o corpo no conforto dos lençóis e deixar-me ir no chamamento imenso da quietude.
Acolhe-lhe a paz no berço do repouso. Faz-se em mim uma crisálida a convidar o renascer. Desenho-me e reencontro-me entre o profundo vazio da mente em absoluta serenidade.
Talvez sonhe! Embora a fadiga seja em demasia e qualquer devaneio nocturno se transforme em esquecimento…
Passa a noite. Embala-me o calor pela madrugada dentro. A manhã vai chegando, como chega sempre, e traz o sol consigo. Regressa o acordar, com força e alento. A energia voltou e o meu ânimo com ela. Depois de uma trégua perante a obrigação de acontecer, cumprimento o novo dia com um sorriso.
Tudo é vida.

segunda-feira, setembro 11, 2017

Quem se contenta apenas com o infinito


Existem lugares que, pela sua insignificância, atingem tal grandiosidade que ultrapassam a compreensão. Só aqueles que têm o hábito de contemplar o silêncio podem ousar conhecer um pouco dessa essência.
Sejam pontos onde a natureza tem a liberdade para se exprimir, ou locais onde a arte humana nasceu na imaginação de alguém que por ali passou.
Desenham-se arestas. Produzem-se sons. Emana a Paz!
Não importa o que está além. Quem se contenta apenas com o infinito, ama essa simplicidade, onde o nada se torna imensidão e convida a um momento de paragem para abstracção. Instantes de meditação onde se louva o Universo com todos os seus mistérios e maravilhas.
É assim que se canta uma oração na mente de quem é eternamente insaciável. Só as pequenas coisas podem acalmar a inquietude. Adormece a bravura. Aconchega-se a mansidão. Sem palavras que estraguem o que se fez perfeito. Imenso momento de transcendência…

sexta-feira, agosto 12, 2016

Onde o longe é constante


De que serve compreender
O meu olhar distante?
Que num lento acorrer,
Leva o meu sonhar errante,
Sem medo de se perder,
Para terras onde o longe é constante!

Não sei aonde vou ter.
Apenas sei que estou ausente.
Pelo infinito a desvanecer,
Voa pensamento e mente
Entre uma paz de indizível saber
Como uma brisa fresca num dia quente.

É como num entardecer,
Que na solidão me faz diferente.
Aconchego do silêncio sem nada a dizer,
Sei que mesmo aqui presente
Nesta paz de introverter 
Estou perdido no meu íntimo transcendente...

sábado, maio 07, 2016

A companhia


- Para onde vais?
- Não sei ao certo.
- É uma resposta vaga vinda de um viajante.
- Talvez por isso não tenha destino planeado.
- Sozinho?
- Não. Vou encontrando companheiros pelo caminho, até que cada um siga a sua rota. Depois vou encontro outros que também hão-de seguir os seus trilhos.
- Certamente existe um lugar que te faça ficar.
- Quem sabe? Não dou muita importância a isso. Acima de tudo gosto de preservar aquilo que aprendi, as aventuras que vivi e os rostos que se cruzam comigo.
- És sábio?
- Fizeste-me sorrir com essa pergunta.
- Mesmo assim não respondeste.
- A resposta é não, evidentemente.
- Já encontraste algum?
- Não sei. Todos os sábios são humildes. Jamais diriam que o são. Mas já encontrei gente com grande sabedoria, se é isso que queres saber.
- Interessante. Sabes, respondes muitas vezes não! Ou pelo menos ainda não deste uma resposta completamente afirmativa!
- Isso é porque ainda não me perguntaste algo que me fizesse dizer sim.
...
- Sabes. Depois destes minutos em silêncio que partilhamos, o meu pensamento juntou vários fragmentos. Na minha cabeça formou-se um todo. Acho que já tenho uma questão para ti.
- Qual é?
- Posso ir contigo?
- Sim.

terça-feira, maio 12, 2015

A modernidade


A viagem é curta embora para mim pareça longa. Não de uma forma entediante, pelo contrário. Perco-me entre as paisagens por onde vou passando. Deixo que a minha mente vagueie por esses locais. Questiono-me sobre as historias que elas escondem e sobre a beleza que contêm.
Reparo nas casas, não consigo evitar imaginar como serão os seus habitantes; gente humilde, almas trabalhadoras que se contentam com um viver simples, manchados aqui e acolá por pessoas que abraçam a arrogância de se acharem de melhor casta. Há-los em todo o lado. Esquecem que nascemos todos do mesmo pecado original.
Imagino atrás das portas as vidas das famílias. As alegrias e tristezas; as vitórias e derrotas; os amores e os dramas; nascimentos e solidão. Pequenos universos que se resumem aqueles lares e àqueles que os compõem. Só por si não têm importância para a história da comunidade, sem ninguém que os relate e muito menos que se importe. Vidas que acontecem. Somente isso.
Contemplo os cenários naturais. Verifico de forma quase rezada que por estes lados ainda é tudo tão puro, como se dedicasse uma oração à Mãe Natureza pedindo desculpa pela modernidade do automóvel. Sigo devagar para que a minha marcha não manche em demasia toda a calma que envolve estas terras.
Interrogo-me se já outros, tal como eu, tiveram os mesmos pensamentos de tranquilidade ao percorrer estes caminhos serenos. Provavelmente sim. Gente moderna tem sempre esta necessidade oculta por um pouco de sossego. Habituamo-nos ao barulho, às luzes, à pressão, no entanto continuamos a ser bichos na nossa essência. Animais sem grande ferocidade que apenas desejam viver em paz.

sábado, janeiro 12, 2013

DEMASIADO SIMPLES



Invoquei uma tempestade tal como um Deus de outras eras. O céu enegreceu com nuvens arrasadoras. Ergui o braço, abri a mão, dei ordem a relâmpagos e trovões que rachassem a noite e abalassem estruturas. Chamei ventos de força devastadora e chuvas impiedosas! Domei energias violentas capazes de assustar qualquer coragem.
Deixei que o som da tormenta manifestasse o meu poder. Eu, que me tornara o dono da semente do caos. Destruidor implacável, insensível ao medo. Arquitecto de incontáveis martírios. 
Por entre os rugidos e uivos daquela intempérie sem sentido, procurei no meu íntimo um pouco de humanidade que me sobrava. Lembrei-me de quem era: mero humano. Submisso aos sentimentos, ao tempo que passa, à carne e ao mundo. Fiquei furioso. Uma raiva extrema entrou em mim fazendo-me soltar um grito irado, de tal maneira que a própria tempestade se afastou temerosa.
Um silêncio leve foi-se chegando, como uma criança curiosa e uma calmaria desceu sobre o mundo. Compreendi a minha missão. Era demasiado simples, portanto, impossível de reparar enquanto se desejam quimeras. Voltei então à minha essência sem o peso de desejos insanos. Pus de lado as tempestades. Cobri-me com a sabedoria fazendo dela minha aliada. E assim, com a Fé dos destemidos lancei-me no meu caminho. 

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sábado, dezembro 24, 2011

LUZ



Que se faça luz.
Que rasgue todo o tipo de trevas. Mesmo aquelas que se escondem na claridade do dia, ou na mais irrepreensível das morais.
Que as mentes se abram ao que é novo, mas também ao que é antigo e nunca foi lembrado.
Que se cante a vida, entre caminhos rotineiros e becos sem esperança.
Que tudo seja dito pela boca da sabedoria e em nós floresça a compreensão.

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sábado, julho 30, 2011

ENTRETANTO DOU-TE MAIS UM BEIJO



Tanto me atravessa a mente quando o mundo me parece hediondo. Frustração, claustrofobia, melancolia, sentimentos que se misturam com gente banal! Tudo podia ser raiva dentro de mim se os meus braços não estivessem à tua volta.
Deposito em ti o meu universo e tento esquecer o resto.
O olhar está longe perdido entre o caos que teima em não desaparecer. Mas eu estou em ti. E no entretanto dou-te mais um beijo e aperto-te com mais força.
Podemos estar calados mas o nosso silêncio fala mais alto que tudo, num dialecto que só nós compreendemos. Agora somos só nós e nós somos o momento. O mundo fica lá fora, longe… E lá fora ficará, pois este momento é tudo e tudo somos nós…


sábado, maio 07, 2011

PROPOSTA


A felicidade surge na vida de uma pessoa de quando em quando. Não estou a falar de oportunidades ou um golpe de sorte qualquer. Mas de uma espécie de artigo de luxo com que Deus nos presenteia e se o aceitarmos ele nos preenche por completo, dando-nos a tal falada e ambicionada Felicidade!
Claro que muitas vezes, esses presentes de Deus, não vêm embrulhados naquilo que a gente deseja e acabamos por passar por eles ignorando-os e deixando-os ficar.
Acho que com o tempo fui aprendendo a reconhecer estas ofertas e a agarra-las sem receio, atirando-me de cabeça para a felicidade!
Claro que a sombra do medo paira sempre algures e acho que todos sabemos bem, que às vezes é mais fácil ser-se infeliz e viver entre lamúrias. Há muita gente assim, que caiu num ciclo vicioso de tristezas e mágoas. Não sabem nem querem ser felizes e tentam pregar essa filosofia aos outros.
Eu recuso-me a viver com medo! Se a felicidade existe é para ser alcançada! De todas as lutas da minha vida essa é a mais certa a travar. (Se é que podemos chamar luta, ao facto de descobrir a felicidade)
Posso dizer com orgulho - Sim, vou de cabeça ao encontro dessa proposta Divina: Ser Feliz! Por entre coragem, oposições, loucuras e tanta coisa que esteja no caminho, no seu destino eu sei que é lá que está a Felicidade!


sábado, abril 04, 2009

ESTRANHO CONTRASTE



O cair da noite está quase completo e a temperatura agradavelmente quente. Calmamente dirijo-me para casa, depois de uma tarde de domingo preenchida por preguiça.
Está-me a saber bem percorrer este caminho, sem pressa, com a noite quente a cair sobre mim, como se me quisesse acariciar. Estarei feliz?
Pergunta estranha… Sinto-me sereno, em paz, deslocando-me devagar… No entanto, na minha mente, apenas existe uma palavra: Decepção!
Estranho contraste. Aquele momento era uma ilha de serenidade num mar de decepção. Talvez por isso seguisse devagar. Para tentar prolongar ao máximo aquele caminho, levando a solidão como companheira e um pouco de esperança como bagagem.
Sabia que no fim daquele trajecto estaria à minha espera, o mesmo que deixei ao iniciá-lo. Essa palavra asquerosa, esse sentimento áspero: Decepção!
Quem me decepcionou? Um pouco de tudo. Eu mesmo talvez! Não sei. A única certeza é que aprendi a lidar com a decepção, como um soldado aprende a viver com o inimigo. Sempre atento ao seu ataque.
E assim continuo o meu caminho, a saborear a estranha calma que me invadira. Não era sonho. Era real. Aquele era eu.


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sábado, agosto 30, 2008

SACERDOTISA DA LUA


Encanta-me com o teu canto calado. 
A tua pele suave como seda,
O teu olhar de cristal luminoso,
Teus lábios rubros como sangue.
Enfeitiça-me com a tua noite mágica.
Refresca-me em teu braços,
Serenos como aguas de um lago calmo,
Enquanto a tua paz me abstrai,
Para um mundo sem desordens.
Inebria-me em tua voz encantada,
Como uma sereia a um humilde marinheiro.
Deixa que o esquecimento me lave,
De tudo que em mim é impuro.
Inibe-me de desejos, ambições e cansaço.
Despe-me o peso da armadura,
Riscada por batalhas incontáveis.
Leva para longe a minha espada,
Para que não trespasse a carne da pureza.
Serena-me como só tu sabes.
Sob o contemplar resplandecente da tua mãe:
Lua;
Que me ilumina nas trevas;
Me encanta na noite intensa;
E te envia a mim…
Ninfa sem nome…
Que apazigua a minha alma…
Para que por entre fragmentos de tempo,
Me devolvas à inocência…

sábado, julho 05, 2008

PENSAMENTOS QUE ME INVADEM


Hoje estou aqui sozinho
Enquanto a noite cai
Fresca e confortante
E me aconchega com o seu vazio
Estou parado
Apático
Entre pensamentos que me invadem
Ideias vindas do nada
Que me deixam solitário
Fascinado com o infinito
Assim perdido
Entre a escuridão que cai
Torno-me sábio nesse momento
Uno com o universo
Enquanto as trevas me acariciam
A minha mente voa
Os meus olhos brilham
E esboço um sorriso
Enquanto a noite cai…





Leaves Eyes - Elegy

sábado, junho 28, 2008

QUEM SABE?…


Gostava que compreendessem a minha solidão
Que aceitassem a minha necessidade de me isolar
De ficar só comigo mesmo para esquecer o mundo
E ao esquecer o mundo talvez o compreenda
Quem sabe até sinta falta dele na sua confusão
Até porque eu faço parte do mundo na sua insanidade
Mas preciso desta solidão para ser eu mesmo
Para me encontrar, libertar, purificar, encontrar paz…
Uma paz tão doce, tão terna, tão serena que me recria
E eu renasço nesta solidão livre que me apazigua
Gostava que não me julgassem e respeitassem
Preciso destes momentos solitários para me libertar
Talvez seja diferente quem sabe?… Pois que seja!
Se sou diferente dos outros, peço que aceitem
Que respeitem a diferença pois nela está a beleza
Se quero estar só, deixem-me, para que seja eu
Deixei-me ser eu, na minha diferença e solidão
Deixem-me mergulhar na serenidade e encontrar Paz
Para que quando voltar… Vos leve essa Paz também…



Crematory - The Fallen

sábado, maio 31, 2008

O DOCE SABOR DO VINHO


Hoje brindo
Ergo este cálice bem alto e brindo
Brindo com o meu melhor vinho
Brindo aos meus inimigos
Brindo pela raiva que me têm
Brindo à vida que desperdiçam
Brindo à inveja que os consome
Brindo porque me orgulho de mim
Brindo porque tenho pena
Pena de quem desespera com cobiça
De quem tem um coração corroído pelo ódio
Pena de quem não sabe viver
Hoje brindo
Saboreio este vinho doce calmamente
Brindo porque tenho paz
Brindo porque sou forte
Brindo… porque sei sorrir

sábado, janeiro 13, 2007

MOMENTOS



Às vezes encontro a serenidade
Dou-lhe a minha mão
E juntos vagueamos por entre as nuvens
Brincamos como crianças inocentes
Esquecemos que a maldade existe
Damos realidade ao sonho
Fugimos assim durante um tempo
E por momentos…
…regresso à inocência

Red Hot Chili Peppers - Under The Bridge

sábado, setembro 23, 2006

DESPERCEBIDO



Que bem que me está saber este momento
Um espaço perdido no tempo
Alguns minutos esquecidos pelo relógio
Um simples estado quase eterno
Em que estou sozinho
No meio de tantos
Entre pessoas que discutem a sua vida
Vida que percorrem sem sentido
As suas vozes falam
Mas não dizem nada
Passo despercebido neste momento
Neste instante esquecido no tempo
Ouço apenas atento
Esta música mágica que me hipnotiza
Que cala a voz dos outros
Que me faz ficar esquecido
Perdido num momento
Esqueço o meu coração vazio
Deixo esta música mágica
Percorrer as minhas veias
Ser bombeada no meu peito
Esboço um sorriso melancólico
Ao lembrar que o amanhã vai voltar
E uma doce ternura me vem acariciar



Nightwish - Sleeping Sun (Live)

quarta-feira, agosto 16, 2006

OLIMPO


Eis-me aqui, no cimo do Olimpo
Eis-me aqui, no cume do mundo
No fascínio desta imensa solidão
Rodeado por maravilhas concedidas pelos deuses
Eis-me deslumbrado pelo vazio aconchegante
Eis-me aqui, acima dos demais, observando
Encantado pela voz silenciosa da solidão
Longe, tão perto
Aqui, na morada dos Deuses
Aqui, no imponente Olimpo
É-me revelada a paz silenciosa
O meu coração ouve calado
As maravilhas do infinito
Enquanto os demais se perdem na podridão do mundo
Eu fico sozinho
Triste, feliz
Encho o meu coração de paz
E olho o mundo humano
Caído em decadência
Sinto pena…
Mas fico aqui no imponente Olimpo
Enquanto a solidão me enche de paz
E o meu coração renasce
Aqui, no cimo do imponente Olimpo