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quinta-feira, maio 20, 2021

Ode aos que odeiam

Podia dizer-te que o ódio vem dos outros. Mas isso era mentira. O ódio é uma coisa que nasce no âmago do teu corpo. Uma hormona qualquer produzida pelo próprio diabo que vai subindo até ao cérebro, consumindo os recursos que deviam ser gastos para evoluir. 

O ódio toma conta do corpo com a força do próprio inferno. Corre pelas veias, violento, sem responder a argumentos de dissuasão. Assustada, a tua consciência foge para um esconderijo esquecido numa zona longínqua da mente. 

A sabedoria cala-se, já que os seus conselhos são inúteis. A lógica desaparece. Tudo o que resta são instintos grosseiros. Resquícios do animal que o ser humano já foi antes de (supostamente) evoluir. Um bicho sem conhecimento dos sentimentos nobres que elevam a alma. 

O ódio faz surgir uma nova versão tua. Alguém que desconheces. Não se trata de uma transformação de personalidade. Pelo contrário! É sim, a autodestruição daquilo que conhecemos como sendo a nossa pessoa. 

A Paz, se algum dia a sentiste, desapareceu na memória como um sonho distante. E se, por algum acaso, essa dita Paz vier à tona do pensamento num dia de nostalgia, vai servir apenas de combustível para inflamar ainda mais a tua raiva. 

Vai chegar um tempo em que tentas recordar como é a alegria. É difícil. Vai ser apenas uma palavra num dicionário inútil da tua língua materna. Ou de outra língua qualquer que deseje transcrever esse sentimento bizarro no sentir de gente revoltada. 

Depois, saberás que te perdeste algures no caminho. Viraste numa esquina errada. Não encontraste a companhia certa. Aconteceu não sei o quê. Vais querer saber de ti, mas não vais encontrar respostas sobre o teu paradeiro. 

O ódio moldou-te a consciência à sua imagem. Vais sentir nojo. Muito nojo. Dos outros. Daquela coisa que fez nascer em ti essa semente raivosa. E de ti! Principalmente de ti! Porque te deixaste levar pela ausência de Amor. Porque és menos do que um dia desejaste. Tudo por culpa desse ódio maldito que não te deixa crescer. 

Mas isso é hoje. “Amanhã é outro dia”, como diz o povo. Não percas a esperança. Purifica-te. Limpa essa sujidade do pensamento. Ergue a cabeça com orgulho. Sentes ódio; contudo não és ódio. Algo melhor está por vir. Outro tu está por nascer.


domingo, março 01, 2020

Vingança e Justiça


Junta todos os teus sentimentos de ódio num único pensamento violento. Isenta-te de racionalidade e faz-te instrumento dos teus instintos mais brutos. Dá corpo à vontade que te corrói a alma. Quando é impossível esquecer, a paz torna-se inalcançável. Não há sossego, a menos que ele venha pelas tuas mãos. Sê Vingança e Justiça.
Não atenues com valores moralistas o caos que mora nos teus impulsos. A vontade quer sangue. Quer o corpo do teu inimigo quebrado, em dor, toldado pela agonia. Impinge o sofrimento no estado mais cruel. Arranca-lhe os membros. Dilacera-lhe carne. Destrói a humanidade que supostamente ainda habita no teu oponente. Faz com que "Implacável" seja uma palavra branda para descrever as acções movidas pela tua fúria!
A história humana tem muitos momentos isentos de misericórdia. A barbárie está inscrita na fundação da nossa imagem como ser consciente. Tu não és excepção. Não aceites que te humilhem. Não toleres que te manipulem. Acima de tudo, revolta-te se te tentarem castrar a fantasia. Não és um objecto. O universo criou-te com Espírito Indomável e é assim que deves viver! Nunca como um mendigo. Nunca como um inferior.
O asco, quando alimentado, pela arrogância dos ditos poderosos, que nada mais são do que gente asquerosa, cresce descontrolado para além da compreensão. Tem regras próprias que desafiam os poderes instalados da sociedade perfeita que é suposto nos acolher. Esses mesmos que apelidam de rebeldes aqueles que ousam contrariar a sua sina de escravizados. Não sabem eles que é assim que nascem os construtores da mudança! Como tu!
Se a espada te pede para atravessar a carne, não negues esse desejo. A caneta hoje não precisa de ter poder. As palavras caem no vazio de quem não as quer escutar. És só tu contra quem te oprime. Tudo o resto é insignificante. Só o castigo importa. Não te deixes adormecer na injustiça. Agride com toda a força! Exige o que é teu. Age com ferocidade! Que o teu nome inspire pavor aos ouvidos de qualquer tirano! Só a brutalidade te pode salvar, quando o bom-senso não o faz!

domingo, outubro 13, 2019

Tu!


Tu metes nojo!
A merda que defecas tem mais valor do que a tua própria pessoa! Pois a merda pode estrumar um terreno agrícola e torna-lo fértil, enquanto tu, de nada serves ao mundo. Sem ideias, fantasia, ou produtividade. Não passas de um amontoado de carne, com uma espécie de sistema operativo básico, que vive de instintos naturais e ignorância pura.
Não agradeces o dom da sabedoria, nem abraças a possibilidade de a ter. És, em toda a tua pequenez, o sinónimo absoluto da palavra nojo!
O melhor que podias oferecer aos teus supostamente iguais, os mesmos que sofrem a limitação da humanidade, era seres extirpado desse rótulo. Perder o nome, esquecer o legado, não gerares qualquer descendência. Que a tua voz seja calada, as acções desprezadas, na mais verdadeira repugnância pela tua existência enfadonha.
Melhor seria se fosses desmembrado. O teu corpo mutilado atirado como um refugo para cima de uma pilha de esterco, para que apodreças por fora, tal como és por dentro!
E porque me dás asco, as palavras que te digo já vão em demasia. Mais do que isto, só um silêncio invisível te pode salvar, embora a salvação seja uma misericórdia amplamente exagerada a quem não merece a existência, seja carnal ou social. A concepção do teu viver foi um momento maldito, sem amor. Cuspo-te em cima. Pontapeio-te sem piedade. Toda a tortura e humilhação que te possa dar é pouca!
Tudo isto já ultrapassou qualquer valor que mereças. Por isso, nada mais direi sobre ti, a não ser: Tu metes nojo!

domingo, julho 14, 2019

Considerações sobre a vingança


Há, no ser humano, um certo orgulho por ser capaz de pensar e dominar as emoções. Porém, existem situações em que os primeiros impulsos a surgir, são idênticos aos dos animais. Vejamos, por exemplo, o instinto de vingança. Quando uma situação provocadora de ódio surge em que penso eu de imediato, mesmo antes de tomar qualquer acção? – Vingança!
No mesmo instante, a minha mente é tomada pelos mais complexos planos de vingança. Dou por mim a ser testemunha dos meus próprios pensamentos e acho isso fascinante. Entretenho-me a observar todos os pormenores meticulosamente engendrados, sempre com toques de sadismo e surpresa, para que o sofrimento do alvo seja violento até ao auge da dita vingança!
Na realidade, há uma apoteose esperada no culminar da vingança. Há uma humilhação sentida. Há a dor desejada ao inimigo. Há a glória por alcançar. Existe toda uma arte de artimanhas e jogadas, que os génios da literatura vão explorando em histórias que se confundem com justiça. Toda uma trama dramática que se estende, quase em tom de aventura, ao falar de vingança!
Assumo toda a vingança que é traçada no meu raciocínio. Eu, na qualidade de observador de mim mesmo, sinto quase um certo orgulho por ser capaz de algo tão maquiavélico e ao mesmo tempo brilhante. Mesmo sem intenção de executar tais planos, porque felizmente impera o civismo em mim. Sem negar aquilo que sinto, confesso que por vezes me seduz a arte da vingança!
Grandiosos pecados que atravessam em segredo a nossa consciência. Estes, que forjados no ódio, combinam a nossa estratégia de bicho “superior”, com o intento primário animalesco de agir. Sentimentos ditos inferiores e dos quais supostamente “evoluímos”. Eu prefiro usar a palavra mistura, de divino e de fera, até ao “topo” da Natureza. Onde, supostamente, não existe vingança!
Não deixo de admirar a brutalidade dos nossos antepassados, que se livraram desta tentação insensível, com regras sociais e uma pressuposta justiça. Ainda assim, estas ideias mais básicas, mesmo com repúdio, ainda povoam a mente humana. Seja em segredo, ou em fascínio. Mesmo que, aparentemente, estas não tenham lugar neste mundo, onde, atrás de ideais nobres, ainda reside a vingança!

sábado, julho 13, 2019

13 de Julho de 2019 pelas 11 horas

O ódio entranhado na carne, na aura, no espaço em redor, tão palpável como um corpo e violento como a destruição tem de ser. A razão desaparece e o pensamento fica tomado pelo instinto implacável.
O rosto transfigurado para um visual animal, com traços grosseiros. Mais adequado a servir o seu propósito. Os dentes parecem sobressair da boca tal como um cão feroz ao atacar um estranho. Ali não há lugar a humanidade.
O olhar inflamado serve de cenário à raiva disparada pela voz. As palavras, afiadas como punhais, não têm misericórdia. Atravessam a pele até a alma, onde se gravam para sempre longe do esquecimento.
O que está dito, está dito. Algo em mim morreu nesse momento, não sei o quê. Senti apenas a desaparecer ante a ferocidade do instante. Fosse o que fosse, já não está lá. Quem sabe fazia parte do alicerce de tudo aquilo que sou.
Sobrou a apatia. Sem resposta, porque afinal, naquelas palavras impiedosas, algo em mim ficou irremediavelmente perdido. É como um misto de cansaço e mágoa. Um desalento profundo, talvez. Ou pelo menos interpretei assim.
Se há algo que a mágoa me ensinou, depois de trespassado pelo ódio no seu estado mais devastador, é que afinal de contas ainda tenho sentimentos. Pelo menos assim acredito. Porque a dormência não me deixa sentir.
Apesar de tudo, com uma réstia de ironia, comecei a bater palmas perante o espectáculo decadente e saí em silêncio. O amanhã virá e só depois vou saber o que morreu em mim. Sei que há um desânimo que vai crescer. Uma data que vai ficar perpétua na memória. Para já escrevo o que não sinto porque o momento está doer…

sábado, maio 25, 2019

As distracções


Hoje, olhei para o mundo e senti uma profunda desilusão. Todas as doutrinas são mentiras. Todos os moralismos são falsos. Todos os ideais momentâneos. Apenas distracções para ocupar a mente quando esta não está focada nas tarefas da carne. Somente uma abstracção do fardo de existir.
Não existe um sentido para isto tudo. Só uma ocupação desconhecida ao nosso saber. Possivelmente o sentido seja mesmo esse, o de procurar dar sentido àquilo que não o tem. Portanto, talvez a existência tenha algum sentido até, porque, afinal de contas, quem somos nós se não forem os nossos sonhos, ou a nossa arte? Bichos, como os outros que andam aí, no meio do mato.
Os sentimentos fazem de mim aquilo que sou (ou o que desejo ser). Os sentidos, esses, têm tanto de prisão, como de liberdade. Creio que os segredos mais profundos estão vedados à perspectiva humana e pouco mais há a acrescentar. No fundo, apenas a ilusão importa e está tudo bem assim. Não adianta meditar sobre aquilo que não nos cabe controlar, nem sobre a criação que nos engendrou.
Somos nós em oposição a uma divindade extraordinária, para quem não passamos de algo ridículo. Assim sendo, quando falta a capacidade de aceitar a minha própria ridicularidade, nada me resta a não ser a decepção. Pelo menos enquanto não encontro outra distracção. Talvez algo a que eu possa chamar amor… ou ódio…

terça-feira, maio 14, 2019

As leis “politicamente correctas”


Ai de mim, que sinto solidão!
Em cada rosto que me sorri, não encontro verdadeira empatia, nem a química agradável de uma conversa sagaz. Não há ninguém neste horizonte que se traduza no mesmo caos que eu e isso dói. Dói muito! Mesmo muito! Esta solidão pesada sobre mim, sem ser fruto do meu próprio desejo, atormenta-me profundamente cá dentro, onde a Alma mora, na origem do meu eu. A inquietação é constante, agreste e sem tréguas…
Ai de mim, que sinto ódio!
Tenho a vontade infame de rasgar a garganta de um outro humano. Ter a satisfação de me embalar com os gritos alheios de agonia extrema. Regozijar com a lâmina afiada de um punhal impiedoso, enterrada veemente em corte, sem remorsos, na carne imaculada. Depois, como um enamorado, contemplar em êxtase a beleza do metal frio, quando pincelado a carmesim depois de cumprir o seu propósito. Há um certo alívio no sofrimento de outrem. Peço apenas que não me condenem por este pecado…
Ai de mim, que estou perdido!
Parafraseando algum “eu”, de um passado distante: “O sentimento mais poderoso que existe não é o amor, mas, sim, o ódio e a solidão, juntos em uníssono”. Engrandecidos na sua ligação. Imparáveis no seu poder devastador. Eis que paira sobre mim algo que só posso descrever como “magia” e todas as minhas faltas se metamorfam em imaculadas virtudes perante o mundo sem solidariedade. Há! Que felicidade completa me inunda ao constatar esta epifania maldita…
Ai de mim, que me esqueci como amar!
A culpa, não sei de quem é. Vou fazer como todos e sacudir o peso dessa responsabilidade para as falhas que se enraízam na sociedade. O meu quinhão, se existir, repudio-o com as palavras mais hipócritas que encontrar. Tal como dizem os grandes moralistas que nos regem, entre o conforto das suas leis “politicamente correctas”. No entanto, não perco tempo em busca de justificação. Afinal de contas vai havendo liberdade nesta ausência de sentir. Os sentimentos não surgem com medo de se dissiparem. Ou melhor, de nunca o serem, como, afinal, não são…
Ai de mim, que me sinto longínquo e ninguém me vem buscar!

quarta-feira, fevereiro 13, 2019

Os adjectivos mais baixos


Hoje, declarei novamente guerra ao mundo. Fi-lo com a violência de quem, num acto extremo, bate com o punho cerrado na mesa. De maneira a que os alicerces da sabedoria, concebidos pela grandiosidade da ignorância humana, estremeçam.
Afirmei o meu caos, sem qualquer tipo de dúvida, àqueles que se haviam esquecido de que eu era invencível e imortal. Depois disso, fulminei-os com o olhar pintado de brutalidade. E eles, sem misericórdia, arderam nas chamas do ódio mais puro e implacável.
Espezinhei-os como o pó. Castrados e sem nome. Desprovidos de qualquer dignidade, ou a altivez que julgavam ter. Mesmo assim, numa réstia de bondade, deixei que fossem elevados a menos de nada, para os poupar da erradicação total da memória.
A esses, dei-lhes, portanto, a honra de constarem na história como os ridículos… Os asquerosos… Os repugnantes… Os que são apelidados com os adjectivos mais baixos, no vocabulário de todas os dialectos criados, em qualquer civilização já existente, ou ainda por vir.
No entanto, há em mim uma sede por crueldade, que não nego. Foi plantada na minha génese pela providencia divina, e eu acarinho-a como uma espécie de autoridade, para que pratique justiça contra quem ameace a minha tão amada serenidade. São os tais, vermes imundos, o alvo da minha ira castigadora.
Seja como for, não os identifiquei como inimigos. Apenas um ligeiro incomodo, como um dia mais nublado, ou uma comichão passageira. Nada mais. Interpretem este gesto como um ensinamento a todos vocês que um dia vão sentir o sabor da revolta contra quem vos tentar subjugar.

terça-feira, setembro 19, 2017

Seja o teu nome vingança!


Parte.
Parte tudo!
Destrói a realidade.
Contenta-te apenas com o caos!
Bruto,
Violento,
Sedento de sangue!
Na pele dos outros,
Carne em agonia,
Bocas em gritos.
Sonhos desfeitos a calar o teu vazio!
Raiva.
Arde em raiva!
Seja o teu nome vingança!
Selvagem,
Implacável,
Justiça pela tua mão!
Onde mora o mal,
Sem misericórdia,
Hipótese de perdão,
No rosto do arrependimento.
Dor manchada na parede do teu querer!
Rasga.
Rasga tudo!
Sem que o passado se escreva.
Desfaz as páginas do livro da mágoa!
Tirano,
Indomável,
Tudo em ti é liberdade!
Não te ditam leis,
Regras castradoras,
Mundo a teus pés.
Alma do desassossego no teu viver!

quinta-feira, junho 22, 2017

Infinita ironia


Ali estava ele cheio de expectativas para o futuro, momentos antes do espectáculo começar. Era jovem, cheio de ideias, de planos e projectos para concretizar, carregado de energia. Pronto para ser o herói daquela encenação magnífica. Nada podia destruir a sua vitalidade. O seu momento de glória estava próximo.
No entanto, Deus, na  sua infinita ironia estalou nos dedos esboçando um sorriso malandro. Então, com a Sua ordem, todo o palco ruiu  em segundos, transformando o cenário em escombros.
A sua inocência caiu por terra. Vieram as lágrimas, a dor, a mágoa, a tristeza e a desilusão. O espectáculo ficou adiado. Para  breve disseram os homens na sua ignorância (ou hipocrisia). Ele acreditou e aguardou. Afinal que mais podia fazer? Restava-lhe acreditar na mentira.
O tempo passou. O breve que lhe haviam prometido teimava em tardar mais e mais. E atrás dos tempos vieram mais tempos, longos e insípidos. A audiência cansou-se de esperar e rapidamente abandonaram a sala. Um após outro. Sem hesitarem, sem interesse e sem vontade de voltarem.
O guião da peça já há muito que tinha ficado esquecido. Ou melhor, destruído pela revolta, o ódio, a raiva e a fúria. De nada servia, já que o cenário foi erradicado para sempre devido a um capricho divino.
Ele, o outrora futuro herói, ficou sozinho. Até as emoções o abandonaram. Restou a esperança, como é seu dever, para lhe fazer companhia nas longas horas de vazio. Mas mesmo essa o abandonou. Afinal porque havia de o acompanhar, se já nem na mentira acreditava?
Então, sem esperança, tudo desapareceu. Até a solidão deixou de doer, também foi embora como tudo o resto. Ele ficou vazio, desprovido de ambição, desejo ou vontade. Para o resto das pessoas ele ficou esquecido para gáudio delas. Arrumado, ocultado, demasiado longe das suas memórias. Ele tornou-se nada.
Foi então que, no meio da nulidade em que tornara, se apercebeu que estava livre. Solto de sentimentos humanos que nada mais causam do que mágoa. Sem o peso da consciência a acusa-lo dos pecados humanos. Sem a ganância a pressiona-lo. Liberto dos grilhões que o prendem à existência mundana.
E também estava rico, pois o vazio podia ser preenchido a seu bel-prazer e por isso tornou-se o seu novo palco. Transformou-se, então, num artista, guerreiro, poeta, criador, a preencher a sua nova existência apenas com a sua vontade… De certa forma rival de Deus, que na Sua infinita ironia, foi derrotado! Ou, com tanto sofrimento, teceu o destino que sempre desejou àquele homem. Quem saberá dizer?

sábado, outubro 29, 2016

Sem grandes motivos...


Existe ódio escondido dentro de mim. À espera. Sei que ele não se vê nem se acredita, mesmo assim ele está lá oculto. Vagueia dissimulado na ternura do meu olhar, na alegria do meu ser, no entusiasmo da minha voz... Está cravado, sem piedade, num canto qualquer da minha alma inexplorada.
Adormecido...
Quem sabe se um dia vai acordar? Talvez atiçado pelo medo, ou por uma qualquer crueldade da existência. Ou, quem sabe ainda, sem motivo algum.
Por vezes interrogo-me se essa fúria indomável não tem personalidade própria? Não precisa explicações para ser, nem de ciência para acontecer. Simplesmente é!
Engrandece-se sem justificação a meio de um poema que se propunha feliz. Surge imprevisível como a lâmina de uma navalha, perfeitamente afiada, a rasgar a carne. Nasce do nada a romper a noite num ataque violento à nossa certeza.
Quem odeia não precisa de grandes motivos. Apenas de um instinto selvagem a recusar toda a justiça, como se as regras impostas fossem veneno para todos que desejam mais. Talvez até sejam, porque debaixo da capa da vida que nos cobre está uma história proibida de desejos malditos...

segunda-feira, abril 21, 2014

A brutidade


Estou inflamado de ódio!
Bruto, violento, implacável! Tenho uma vontade imensurável de obter justiça. Esquecer todos os valores morais e apertar lentamente o pescoço de quem atenta contra a minha paz. Ver o terror nos seus olhos cobardes com medo da dor, até que sinta o estalido da coluna vertebral a quebrar.
Mas isso é pouco! Quero matar mil vezes e mil vezes ainda é pouco! Muito pouco!
Quero vingar-me com sadismo de todas as mágoas que me consomem! EXIJO JUSTIÇA!!! Com a crueldade de um demónio a castigar severamente os pecados dos malditos!
Tudo em mim é fúria. Um mar de violência vindo das profundezas mais tenebrosas do meu ser toma-me, com vagas de selvajaria e reduz a minha humanidade ao sentido mais grosseiro do estado animal.
Garras afiadas como espadas para cortar a pele, caninos salientes para arrancar a carne, olhos a emanar ódio como uma força invisível que empurra para o inferno. Sem perdão!
Não me tentem chamar à razão. Afastem-se se não quiserem ser arrastados pelo caos que se gerou! Ninguém é inocente e a consciência está adormecida pelo sangue em brasa!
Deixem que o monstro que acordou em mim sacie a sua fome grotesca por justiça e crueldade...

segunda-feira, março 10, 2014

Falemos de amor


Dizem que o amor é a força mais poderosa do mundo. Concordo. 
Claro que existem excepções e quando as circunstancias são propícias, a força mais poderosa é exactamente a oposta. O ódio!
O ódio é analgésico, inflama, revitaliza, torna objectivo quem o sente, dando-lhe capacidades devastadoras. Faz renascer!
Sim, o ódio é violento, sanguinário, furioso, implacável, sem qualquer tipo de afecto ou misericórdia. Molda a pessoa com uma frieza insensível e mune-a com brutalidade.
Alguém capaz de vencer, arruinar, arrasar, aniquilar sem piedade o inimigo e ficar de pé perante todos os ataques! 
Digam lá se isto não é força?
Podem argumentar que o ódio corrói. Destrói a pessoa por dentro. Têm razão. E depois? Às vezes "é necessário ter o caos dentro de si para criar uma estrela"! A remissão virá depois...
Apercebi-me agora que era suposto falar de amor. Fica para a próxima.

sábado, outubro 26, 2013

BRUTO


Fúria maldita! A raiva toma conta de mim como um fogo que me assoma e tenho inveja de quem sente tranquilidade. Hoje tudo em mim é ódio! Tanta gente no mundo, tantos dramas com eles… Posso ser apenas mais um e se calhar no meio de todos sou apenas ninguém, mas permitam-me ser egoísta: sinto-me, irado, raivoso, violento, bruto e monstruoso! Exijo justiça sem remorsos, sem perdão… Não aceito desculpas por parte de quem me ofende! Quero que padeçam! Simplesmente isso!
Quanto a mim, apenas desejo voltar para a serenidade…


sábado, janeiro 12, 2013

DEMASIADO SIMPLES



Invoquei uma tempestade tal como um Deus de outras eras. O céu enegreceu com nuvens arrasadoras. Ergui o braço, abri a mão, dei ordem a relâmpagos e trovões que rachassem a noite e abalassem estruturas. Chamei ventos de força devastadora e chuvas impiedosas! Domei energias violentas capazes de assustar qualquer coragem.
Deixei que o som da tormenta manifestasse o meu poder. Eu, que me tornara o dono da semente do caos. Destruidor implacável, insensível ao medo. Arquitecto de incontáveis martírios. 
Por entre os rugidos e uivos daquela intempérie sem sentido, procurei no meu íntimo um pouco de humanidade que me sobrava. Lembrei-me de quem era: mero humano. Submisso aos sentimentos, ao tempo que passa, à carne e ao mundo. Fiquei furioso. Uma raiva extrema entrou em mim fazendo-me soltar um grito irado, de tal maneira que a própria tempestade se afastou temerosa.
Um silêncio leve foi-se chegando, como uma criança curiosa e uma calmaria desceu sobre o mundo. Compreendi a minha missão. Era demasiado simples, portanto, impossível de reparar enquanto se desejam quimeras. Voltei então à minha essência sem o peso de desejos insanos. Pus de lado as tempestades. Cobri-me com a sabedoria fazendo dela minha aliada. E assim, com a Fé dos destemidos lancei-me no meu caminho. 

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sábado, outubro 27, 2012

A SUA JUSTIÇA



A raiva corre pelas minhas veias como um fogo infernal! Ah, quem me dera ser um anjo vingador para rasgar o peito dos opressores! Sem hesitar cortar gargantas arrogantes e desmembrar corpos tirânicos!
Desanima-me a condição humana por ser consumido por um ódio destruidor que não me deixa ficar saciado! – Tenho fome e sede de justiça! – Grito com toda a força da minha revolta!
Resta-me a esperança na centelha divina que habita no meu íntimo. Que me torna uno com Deus e me pacifica quando a cólera se apodera dos meus sentimentos. Deixo nas mãos Dele, o derradeiro juiz, a sentença que merecem e consequente castigo.
Não desejo o mal, não desejo a discórdia, não desejo tanto ódio, que me cobre de vergonha, a habitar em mim… Submeto-me à humildade e suplico a Deus que faça acontecer a Sua Justiça…

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sábado, junho 09, 2012

DIREITO



Não me tirem o direito de amar… 
Tirar a alguém o direito de amar e de ser amado, é o mesmo que lhe tirar o direito de viver! Há muitos que o querem fazer. E se assim é, não vale a pena pregar valores, moral e bons costumes, pois é tudo mentira.
Se tirarem a alguém o direito de amar, estão a dar-lhe o dever de odiar! E se o amor move montanhas, o ódio certamente as destrói! 
Aqui fica o recado: Se impedirem alguém de amar, preparem-se para receber o seu ódio e por consequência, a vossa destruição…

sábado, março 31, 2012

UM ANJO E UM DEMÓNIO



- O que és tu?
A voz acordou-me do meu sonho (ou chamou-me a ele). Não sabia bem diferença do que era real ou não.
- Sabes bem o que sou! Sou fruto da tua criação… – Respondi irritado.
- Não fui eu que te criei, apenas te dei as ferramentas para te criares a ti mesmo. Por isso, volto a perguntar: O que és tu?
A voz não iria parar de argumentar enquanto não respondesse. Portanto eu fiz-lhe a vontade: - Sou um demónio… – Respondi.
- Que resposta tão básica. Nem parece teu! Dá-me uma resposta que me satisfaça e deixo-te ir.
Suspirei. Não tinha paciência para aquela conversa. O meu mundo não era ali. – Deixa-me em paz. – Disse, na esperança que me soltasse.
- Não. Sabes muito bem que não. Só quando me deres a resposta. – Afirmou a voz com tom severo.
- Um anjo. – Voltei a responder.
- Outro cliché! Um anjo e um demónio. Já está muito visto. Não és assim tão básico. Exijo que me digas o que és? – A voz tornou-se mais severa e agressiva. Não tinha outra hipótese que não responder.
- Maldito sejas! – Gritei raivoso porque a voz era a minha única arma. – Fizeste de mim algo incompreensível, inexplicável e queres te diga agora o que sou? Pois eu digo-te o que sou: Sou indomável, invencível, ordem e caos! Mestre da minha própria existência! Tu não me dominas e jamais o farás! Sou muito mais que o Infinito!
A voz não respondeu. Mas senti-a dentro de mim a esboçar um sorriso enquanto se dissipava.
Não sei se era um acordar de um sonho, ou um adormecer transcendente. Mas o que eu respondi, está respondido e é a verdade…

sábado, outubro 02, 2010

FUJAM OU COMBATAM



Fujam! Fujam todos! E levem a vossa vida convosco!

Vêm aí as velhas alcoviteiras para vos enumerarem os pecados!


Escondam as vossas posses, desejos, sonhos e caprichos! Escondam! Que elas roubam tudo!


As velhas alcoviteiras estão vivas, mas esqueceram-se de viver a vida que têm, por isso alimentam-se das vidas dos outros!


Fujam! Fujam sem olhar para trás! Se têm medo da moral e bons costumes! Senão vão ser julgados pela boca de quem se esquece de viver!


Quem tiver coragem, fique comigo! Vamos combater essa gente! Traz contigo a tua má fama com todo o tipo de impropérios e obscenidades!


Se nos acusarem de renegados, mostraremos que somos ainda piores! Se nos apedrejarem, respondamos atirando pedras ainda maiores! Se nos quiserem linchar em praça pública, com as suas foices, gadanhas e inchadas, cavemos as suas sepulturas com os seus próprios instrumentos!


Venham amigos, venham! Vamos como chuva intensa, limpar a terra dessa corja!


Vamos queimar essa gente, como bruxas em fogueiras da inquisição! Arrancar-lhes as línguas e dá-las de comer aos porcos!


Vamos escrever os seus nomes com carvão negro em paredes brancas, para que sejam sinónimo de sujidade!


Fujam! Ou venham combater! Mas nunca se submetam à vontade de gente sem vida!

sábado, agosto 07, 2010

ENSAIO



Peço desculpa a quem deseja que eu ame, mas hoje não sou capaz. Não consigo ver gente feliz. A simples ideia de saber que existe gente cheia de felicidade irrita-me. Hoje sou filho do ódio! Este sentimento asqueroso tomou conta de mim. Deixou o meu coração gélido e um fogo ardente no meu estômago, que me vai consumindo por dentro. Se o ódio é o meu pai, a vida é a minha mãe (ou madrasta). Apelidem-me de monstro, besta, animal… Mas afastem-se de mim. Metem-me nojo! Se o ódio existe, é porque serve para ser sentido. Logo, não deve haver nada de extraordinário naquilo que sinto. Raiva, ansiedade, solidão, inveja, desespero, até mesmo loucura! Tudo misturado, como se fosse uma poção maléfica, no caldeirão de uma bruxa malvada, pronta a ser julgada, torturada, queimada pela inquisição! E eu aqui perdido no meio, sem saber para onde ir. Enfim, suponho que seja apenas mais um dia na vida de uma pessoa normal…