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quarta-feira, fevereiro 11, 2026

Todo o vocabulário do indizível

Arrependo-me de não te ter 'roubado' um beijo quando nos encontramos naquele dia, à entrada, e os nossos olhos brilharam. 

Arrependo-me de não te ter 'roubado' um beijo quando me foste visitar. Doaste um pouco do teu tempo para estar comigo e os nossos olhos brilharam. 

Arrependo-me de não te ter trazido para o meu mundo de aventuras e, em contrapartida, encontrar refúgio nas tuas coisas banais.

Arrependo-me de não ter vivido um amor falhado ao teu lado. Quem sabe como seríamos depois? Ódio, indiferença, amizade, ou esquecimento. 

O pior é ser uma história nunca acontecida. A tormenta de ter o pensamento visitado pelas ramificações de possibilidades nascidas da palavra 'se'. 

Querer algum conteúdo para completar versos apaixonados, ainda que a sua sina seja desvanecer.

Resta-me divagar sobre o inexistente.

Procurar nos recantos da memória por fragmentos dos teus rostos. Um sorriso, um tom de voz, um odor, uma cor. Embora só consiga sentir o brilho no nosso olhar. Isso é tudo e quiçá seja suficiente. 

Mesmo assim não me entendo como um dos participantes, mas sim como um observador passivo, limitado a apresentar uma imagem capaz de descrever uma emoção.

Contudo quero mais, porque a poesia devora todos os sentimentos para alimentar as suas rimas.

As estrofes por escrever consomem-me as madrugadas.

Dentro de mim grita-se a palavra amar, com todos os seus derivados!

Paixão;

Desejo;

Toque;

Fome;

Atração e medo.

Bem como todo o vocabulário existente dentro do indizível!

Já tu, tens tanta vida em ti, pois um só corpo não te chega. Se calhar nem lhe chamo vida. Talvez imensidão seja uma palavra mais correta para te poder descrever. 

Tu existes. Tens lágrimas e alegria. 

Eu existo. Tenho inquietação e silêncios.

Portanto, confesso ao éter o meu arrependimento, na esperança desassossegada que os teus ouvidos escutem estas palavras.

Por favor deixa-me ser poeta!

Ainda tenho um beijo para te 'roubar', num encontro qualquer, onde o nossos olhos brilhem.


sábado, novembro 04, 2023

Os Poetas têm cada ideia!


Um porco grunhia ao longe.

Parece que estava vento.

O tempo,

passava rápido no relógio parado.

E nada,

apenas nada,

fazia nascer tudo no gemer das vozes famintas.

São rosas senhor,

são rosas...

Abertas no regaço.

Alguém comeu o pão todo.

E o diabo dos Poetas,

sacanas,

andam todos com o fogareiro aceso!

Cobardes.

Sem coragem de dizer diretamente,

aquilo que querem realmente:

Simplesmente pinar!

Fazem preliminares com palavras.

Faz de conta que a intenção é rimar.

E já agora,

se quiseres terminar o verso com estilo,

podes acrescentar o verbo amar!


Nota: ironia a certo tipo de poesia. (ou não)


sábado, maio 29, 2021

Autópsia da paixão

Se eu pudesse abrir-te o peito, rasgando o esterno com a violência de quem ama, podia tocar-te no coração para ter na minha mão aquilo que tu sentes. Ou então, alcançava-te o cérebro em busca daqueles jardins com cheiro a primavera que trazes nas tuas palavras. Procurava entre as células cinzentas todos os mistérios com que me cativas, para viver nesse país desconhecido que é o teu nome. 

Seria como um cirurgião a retalhar dentro das entranhas alheias, só para poder tocar no teu âmago. Contudo, bisturis e coisas que cortam não abrem caminho até ao sentir. Os órgãos humanos servem apenas o propósito de dar mecânica ao corpo. Alguém, um dia, sabe-se lá porquê, lembrou-se de dizer que é de lá que vêm os sentimentos. 

Agora que reparo com atenção neste pensamento acho-lhe uma certa piada. Destruir a carne viva para poder encontrar o indizível. Se tal acontecesse seria apenas uma cena macabra para dar audiência aos noticiários. Algo digno de loucura. O oposto do que devia ser. Uma autópsia da paixão! 

Porém, a tua nudez não chega para me levar a esses sítios onde quero habitar. Os beijos só saboreiam uma amostra do paraíso. As mãos viajam apenas pela fronteira da pele. O sexo é somente uma espécie de transporte que faz de nós turistas um no outro. A anatomia desenhou-se para encarcerar, ou iludir, tudo o que a alma tem de inalcançável. 

Contudo, os teus olhos mostram a fronteira entre mim e ti. Está tão próxima que parece fácil de atravessar, ainda assim tão impossível que até dói. Não há fusão, nem nenhuma lei da física, ou mesmo do éter, que nos torne unos. 

Sobram aqueles momentos que parecem durar para sempre. Mas isso é só poesia. Palavras que enchem os cadernos de fantasia e alimentam quem sonha. São como substâncias narcóticas que pedem cada vez mais o seu consumo. É muito pouco para quem deseja em demasia. 

A verdade é que a memória não dura assim tanto e o mundo gosta de afastar todas as juras de infinito.  


quinta-feira, dezembro 05, 2019

A submissão


Digo-te a verdade como quem confessa um pecado. Ouves e respondes que compreendes. Além disso, acreditas que é assim que deve ser. Ofereces-te em plenitude, carne, fome e alma, tudo meu. Só me pedes em troca devoção. É tua!
Numa ausência de pudor, concedo-te a honra de querer fazer do teu corpo a tela da minha arte. Pintar a tua pele em tons de vermelho agreste. Riscos pincelados por desejos violentos, proibidos e hereges, ainda assim reais como nós dois.
Escutar, nos teus gritos de agonia, uma composição sinfónica. O estalar implacável do couro a impulsionar sem misericórdia os limites da dor. A tua voz tremida a implorar (falsamente) um pouco de compaixão que sabes eu não ter.
Vais-me provocando e inebriando a cada gemido. Insinuas-te com pedidos de tormenta, enquanto te entregas com submissão ao teu Mestre e Senhor. Mostras-me que és superior ao medo e eu gosto. Quanto mais severo melhor e tu sabes.
Não me acanho em dominar-te. Devoto-me para ti em tudo que sou. Reverencio-te entre as torturas perversas que te administro. Essas, que só tu conheces, nascidas no poço mais negro da minha imaginação. As lágrimas não te quebram e a cada recuperar de fôlego suplicas por mais. Dou-te!
Aceito o desafio. Transformas em jogo o que é perigoso. Já não é luxuria, é guerra! Talvez, quem sabe, até exista ali um profundo acto de amor. Tanto faz. É indiferente. Seja o que for não recuso e retribuo. Inflamam-se os instintos e tem de haver um vencedor. Tu ou eu?

sábado, novembro 30, 2019

Sentido oculto


Amava eu, sem saber, o impossível. Até que o teu corpo apareceu e o confundi com o próprio Cosmos. Perdi-me durante algum tempo nessa ilusão. Não passou muito até que conhecesse as tuas curvas, vielas ou arestas. Transformaste-te numa ausência de novidade. Depois ficou tudo tão aborrecido e não tardou até querer mais mundos a descobrir.
Foste embora. Ainda assim não demorou até que voltasses, com outro rosto, outra voz e outra pele. Desta vez não foi a carne que me cativou. Tinhas lá dentro, atrás da cor, do toque, do aroma e sabor, algo que só um sentido oculto podia conhecer. Chamei-lhe poesia e entreguei-me nas estrofes. Foi lindo até que te começaste a repetir. Deixaste-me viciado e já não chegavas, queria mais de ti.
Mas tu tens muitas aparências e chamei-te continuadamente para te conhecer sem fim. Vieste, sempre sem te copiares. Uma nova viagem desconhecida. Um novo cântico original. Percorri os caminhos, decorei os pormenores e estudei a tua ciência. No entanto, não demorava até seres tédio. Transformavas-te em algo enfadonho, impossível de suportar para a minha inquietude.
Como qualquer adicto, tive noção da minha dependência por ti. Contudo, eu, indigente, admito que não tenho forças, nem desejo de abandonar esta minha degradação. Portanto, continuas a chegar no teu infinito. Tu, nas tuas versões incontáveis, tornas-te tudo que ambiciono. Eu, igual a ti, nos outros tantos de mim. Como um, parte dum todo sem o saber. Acusa-me de desassossego! E eu não nego que amo o impossível!

terça-feira, setembro 17, 2019

O infinito do instante


Apaixonei-me subtilmente
Porque tens olhos azul de mar
Porque caminhas devagar
Porque me sorris levemente

Amei-te impulsivamente
No momento a viajar
No momento a navegar
No momento eternamente

Desejei-te para sempre
Até a tua silhueta passar
Até o pensamento divagar
Até o infinito fugir simplesmente

Senti-te imenso somente
Apenas um mistério a chamar
Apenas um enigma a cativar
Apenas um devaneio do instante

Talvez te encontre novamente
Onde um novo olhar se cruzar
Onde um novo pensamento se tocar
Onde um novo enigma me encante

sábado, março 24, 2018

Amor tristis


O amor, para ter beleza, tem de ser triste.
Deve haver na sua génese um fim anunciado. Uma melancolia constante a lembrar que todos os gestos de afecto são frágeis, no entanto violentos, como punhais que retalham a alma.
O desejo quer-se sombrio, a profanar os sonhos ingénuos de quem acredita na felicidade.
O toque mantem-se gélido, ainda assim a chamar o arrepio de quem anseia escurecer.
Quente só o sangue, que nasce nos cortes da lâmina, ou no morder que saboreia o seu gosto carmesim. A boca sabe-o de cor, prova o beijo, o sexo e o suor, na pele pálida de quem deixa a vida se esvair.
O feitiço tem sabedoria própria e há quem o queira alcançar para tornar memorável a queda no abismo.
Os pagãos amam como quem morre; como quem vive; como quem peca orgulhoso da sua desgraça!
Dizem-se hereges aqueles que se esperam na penumbra. Gestos e ditos profanos ficam entregues a instantes escondidos de dor e êxtase. A magia acontece depois que o dia se cala. Não existem virtudes nos filhos perdidos.
Os corpos servem de caos. Um abraço nada mais é do que um mergulho no vazio.
Os lábios fundem-se em juras infernais. Não se pronuncia o amanhã, porque nele mora o desespero.
O momento serve de desculpa ao prazer. As veias, como rios de segredos, que se oferecem ao rasgar. Nasce a fome sem remorsos. Depois da noite infinita, o pecado é esquecido pela madrugada.

segunda-feira, dezembro 18, 2017

Abismo e prazer


O corpo da mulher deve ser divinizado por quem o contempla com os olhos de um poeta. Esculpido, colorido, cantado, rimado, louvado, tal como deve ser no seu estatuto de manifestação sagrada!
Da mesma forma, tem de ser paganizado por quem o apetece com os olhos do desejo. Sem virtude, expulso do paraíso, arrastado até à terra, sinónimo de devassidão, tal como deve acontecer na sua forma pecaminosa!
Entre os extremos destes dois caos, vai-se desenhando a essência feminina. Para aqueles que, na sua eloquência, ousam assumir o papel de amantes da carne e da alma destas criaturas, resta-lhes o abismo e o prazer.
O vestir, a nudez e a intimidade. Várias camadas de sedução, que se abrem em convite da sua descoberta, àqueles que o queiram (ou ousem) aceitar. Cores de uma pintura, traços de um desenho, silhueta de uma escultura, versos de um poema, belo como uma flor que brota na Primavera, imenso como um mundo oculto a explorar.
Felizes os que dominam a arte e o animal. Tomam as rédeas do espasmo que grita na pele. Bebem o sabor agridoce que se solta do veneno. Entram na porta do inferno, encorajados pelo calor do fogo da luxúria.
Depois há o olhar. Comprometido, tímido, convidativo, provocador, como janelas para a alma da mulher. Ser de carne com dom celestial. Onde se perdem os sexos e a vida floresce. Aventureiros, poetas e mansos, sabem que podem, no mesmo nome da perdição, encontrar o paraíso…

domingo, janeiro 29, 2017

Linhas vermelhas


A espera.
O cheiro do cabedal implacável.
As correias que prendem o corpo.
A nudez.
A submissão.
Os sons que antevêem o martírio.
O medo.
O âmago que se abre em contrariedade.
O segredo.
A ânsia.
O quando?
O silêncio.
Está quase...
O admirar da silhueta.
A mulher.
O íntimo feminino.
A beleza.
O arrepio que nasce ao toque do dominador.
A perfeição da pele.
A iminência da profanação.
A mão firme que segura o cabo.
A perícia do pulso.
O assobio do ar a ser cortado.
O estalido na carne vandalizada.
O gemido que se cala no orgulho.
As linhas vermelhas desenhadas a cada golpe.
A intensidade.
A dor.
O prazer.
O grito que finalmente vence.
A conta que se perde.
O chicote que não se compadece.
Os traços que se multiplicam.
A tormenta que não cessa.
A clemência.
O implorar que fica sem resposta.
A paixão sem misericórdia.
O choro que suplica.
A força impiedosa.
A marca que vai permanecer.
A glória em cicatriz para toda a vida.
A luxuria.
A entrega.
A mão que ergue o rosto.
Os dedos que limpam as lágrimas.
A essência que reabre.
O beijo.
A recompensa.
O carinho.
O amor...

quarta-feira, outubro 12, 2016

Tanto em coisa nenhuma


Amo-te como quem ama coisa nenhuma e tudo em simultâneo.
Quero-te por inteiro e para sempre como nos contos de fadas. Fascina-me esse imenso todo que se esconde no teu ser. Tesouros, vitórias, sonhos e medos que me cantas na tua entrega. Mesmo assim aborreces-me e procuro também os mistérios que pairam nas almas dos outros porque não me contento apenas com uma eternidade.
Desejo cada ponto sensível do teu corpo como quem anseia a loucura. Deleito-me ao provar o teu gemer, navegar no teu suor, ser todo o teu gozo. No entanto a tua carne é muito pouco para o meu infinito e o meu âmago pede mais satisfação. Apraz-me degustar o sabor de todas as silhuetas perdidas e abertas, porque só um prazer não me basta.
Amo-te com a violência de quem tem a revelação do segredo da felicidade! Completas-me com toda a paz que uma vida inquieta sempre espera encontrar. És tudo! Porém, somente isso! Um mero existir imponente, sem nada de mais para mim, que ambiciono o inalcançável. És breve na tua imensidão. Ínfima estrela na tua grandiosidade. Unicamente um parágrafo de intensidade suprema no desassossego da minha história...

sábado, outubro 08, 2016

Beleza eterna


Por momentos enamorei-me por uma estátua. Uma mulher desnuda esculpida na pedra fria.
Era tão mágica na sua imobilidade. Desprovida das falhas da carne e da pele, assim permanecia, coberta de encanto, sem o pecado da imperfeição. Era eterna na sua juventude. Sobressaiam as suas linhas esbeltas traçadas com mestria. Toda a sua silhueta era beleza, como só quem se alimenta de arte compreende.
Por breves instantes deixei-me fantasiar pela sua história que nunca aconteceu. Dei-lhe um nome, um sabor, uma idade, um viver humano onde pôde sentir como sente quem ama. Imaginei-lhe um sorriso a rasgar o desenho dos seus lábios quietos, bem como um olhar meigo a colorir o branco do mármore. 
Presenteei-a com o desejo e com um toque quente no seu rosto indiferente. Ofereci-lhe tudo isso para vestir o seu silêncio e o seu movimento suspenso. Quem sabe se Deus lhe deu algum tipo de alma para que de mim se pudesse lembrar?
Invejei o escultor que a tinha concebido. Declarei-o maldito por ser capaz de criar tanta perfeição. Mas ele pouco importava. Imaginei todos os outros que por ela se encantaram e fui tomado de ciúmes. Senti desgosto por aquele corpo inerte não ser como o meu.
Dei então conta que o meu devaneio já ia longo. Despedi-me daquela forma estagnada, já tinha servido o seu propósito de me fazer sonhar, e acordei. Estava na altura de seguir o meu caminho.

sexta-feira, abril 17, 2015

A ti que não tens nome


Gosto de ti! Sim eu sei que não conheço o teu nome, nem os traços do teu rosto, nem a silhueta do teu corpo ou qualquer tipo de aparência e muito menos as cores que pintam o teu espírito ou os sonhos que o habitam.
Sinceramente pouco me importam pormenores! Interessa-me somente o acto de gostar, sem grande poesia ou romantismo, livre de ser adjectivado como “eterno”. Aliás, o fascínio está em engrandecer esse mero “amar”, reduzindo-o a um momento efémero, praticamente imperceptível que acaba por se perder no esquecimento entre os detalhes do dia-a-dia.
É como um silêncio repentino, que surge no meio da algazarra que te rodeia, durando somente uns insignificantes milésimos de segundo, contudo, suficientes para te dar um instante de alívio, ou mesmo prazer, enquanto te faz a mente escapar para outras ideias.
Uma voz singela e calada, quase nascida na imaginação, que te sussurra encantamentos libidinosos ao ouvido e te faz arrepiar a espinha e humedecer o sexo. Um toque invisível que faz vibrar toda a tua feminilidade fazendo dançar a tua imaginação por entre histórias de encantar: "E se..."
Amo-te assim, de uma forma tão breve quanto uma mera troca de olhares; ou alguém que passa na rua cativando a curiosidade momentaneamente para nunca mais ser visto; ou uma voz que te chama a atenção entre as demais para nunca mais ser escutada; ou até mesmo a silhueta de um corpo que te surge pelo canto do olho, embora logo desapareça entre a multidão.
Um amar tão básico como estes encontros que em segundos te fazem imaginar uma vida, ou somente uma tentação sensual que encontra guarida no pensamento, onde Deus não está a ouvir e onde afinal não é pecado. Um cruzar de vidas tão intenso como passageiro que logo a seguir já não faz parte das tuas recordações.

Nota: dedicado a todas as mulheres que já foram desejadas e desejaram em momentos de segredo já esquecidos

quarta-feira, março 18, 2015

O princípio


Cheguei ao fim do mundo e dei de caras contigo!
Amar-te, agora, é uma obrigação. Embora na realidade fosse sempre um desejo. Simplesmente somos só nós dois. O universo ficou esquecido lá atrás, no passado e na destruição. Resta a nossa fome, na qualidade de únicos seres existentes depois de tudo ter existido. Urge construir algo novo a partir do nada, visto que já nem escombros existem.
Quero lá saber de lembranças de tempos passados, ou de quando existiam apenas ruínas. Tudo terminou num magnífico vazio. Sobrou a nossa sedução que se despe em luxúria. Resumindo-se apenas a um querer-te devastador. Novos Adão e Eva, desta vez responsáveis pela criação sem o peso do pecado.
Duas criaturas, duas carnes que se misturam, um anseio que se alcança num princípio depois do nada. Que mundos vão surgir desta fusão? Interrogo-me em vão! Importa apenas que nos amemos, o resto simplesmente que aconteça. Que se faça um caos, que daí, nasça um novo cosmos, que surjam estrelas, constelações com o nosso nome e lendas sobre a nossa paixão!
Só nós. Mergulhados em prazer. A seguir o começo e tudo o resto enquanto nos levamos pelo sabor da sensualidade e do êxtase da entrega. Haja suor, gotas que caem sobre os gemidos soltos de corpos livres! Que as unhas se cravem na pele ardente entres tremores e a canção do ofegar faminto. Que se devore a ânsia e no apogeu do momento aconteça o infinito…
...
Depois da criação, o descanso…

terça-feira, novembro 04, 2014

O Paraíso


Queres pecar comigo?
Mas o que é o pecado afinal? O ignorar de umas quantas regras que supostamente nos iriam levar ao paraíso?
E se o paraíso for mesmo aqui, ao pecar contigo? Sentir o sabor da carne sem medo de punição. Sem remorsos. Apenas desejo de nos termos. Nos possuirmos em pleno para além de limites sem sentido.
O paraíso somos nós!

quinta-feira, julho 17, 2014

O desejo


A noite surgiu
Boca ofereceu 
Beijo teu
Arrepio aconteceu
O desejo abriu

O suor brotou
Luz da lua
Carne tua
Pele nua
O desejo entrou

O gemer fluiu
Amar somente
Tu quente
Fogo ardente
O desejo explodiu

O mundo parou
Abraço intenso
Nosso paraíso
Eterno imenso
O desejo descansou

sábado, dezembro 07, 2013

SUSSURROS


Sussurra-me ao ouvido coisas banais, a mim vão soar como todos os segredos das estrelas.
Amo-te como quem ama o desassossego pois quando te toco tudo em mim é combustão. 
Contigo o silêncio fala e cada toque é inflamado com desejo. 
O mundo não me basta, quero sempre mais e só o turbilhão de emoções dos nossos corpos unidos em prazer consegue apaziguar a minha inquietude. Por momentos... Pois logo a seguir tudo volta. Sou eternamente insaciável!
Matas-me a fome em instantes eternos com o sabor do teu corpo e da tua alma e sacio-me aos poucos, a desejar nos entretantos sempre mais...

sábado, outubro 13, 2012

PALAVRAS OUSADAS



Não me reproves por me viciar na tua poesia. Ela entra em mim como um sabor delicioso, exótico, sensual, quase pecaminoso. (E Deus sabe que precisamos dos nossos pequenos pecados…) Por isso encanta-me com essas tuas rimas que me levam a passear por esses teus sentimentos sombrios, escondidos atrás de tanta luz. 
Deixa-me provar desse teu ópio que me inebria por palavras ousadas, que quase posso saborear, como um amante saboreia a tua boca e sente o teu corpo vibrar, por entre gemidos de deleite, quando te toca com desejo…
Não há proibições quando deixas no papel os alicerces do teu ser, que me vai surpreendendo a cada letra vadia, num conjunto de sensações emanadas de um qualquer canto escondido nesse teu coração de poetiza...

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sábado, setembro 29, 2012

PRAZERES FANTASIADOS


Cheguei-me a ti e senti o toque do pecado, como quem se aproxima do abismo e fica tentado a saltar. O teu perfume ficou em mim e impregnou a minha pele, transportou-me para outra realidade com o seu aroma enfeitiçado. Voei, como quem voa num sonho, como quem navega num céu da cor da tua fragrância. Só com o meu olhar entrei na tua essência para provar o teu sabor. Naquele sentimento de desejo tanta coisa foi dita e prazeres fantasiados. Esse simples momento, carnal, sedento, quase proibido, ficou guardado no nosso odor, até que se dissipe, lentamente e se perca na lembrança…


sábado, agosto 25, 2012

MUNDO ENFEITIÇADO



O que me fascina numa mulher não é o seu corpo bem delineado. Mas sim a magia enigmática que se esconde na sua mente. Hoje pode ter as linhas de uma deusa, no entanto amanhã a sua carne pode estar desbotada, amarrotada e sem brilho. Pouco me interessa isso. Mas aquilo que está no seu íntimo é imutável. Um tesouro valioso...
Claro que o corpo é um veículo para magnificas sensações de deleite, que só o toque físico pode criar. Se o desejo carnal estiver em uníssono com o nosso íntimo, acontecem verdadeiras explosões de prazer. Essa é uma ponte para o seu coração, um lugar que me encanta explorar, tal como um navegante que descobre um novo mundo.
Tudo se resume a isto: Amar a essência, o que não posso possuir. Amar o divino, a magia, a sedução, como quem pode voar, como quem fica livre, dentro de um mundo enfeitiçado.


sábado, junho 30, 2012

LINHA DO DESEJO



Sabes aquele momento em que o desejo toma conta de nós e tudo se torna sensualidade?
Invade-nos como uma corrente eléctrica que se apodera dos nossos instintos. Deixa a nossa racionalidade calada, para dar lugar a novos sentidos que anseiam apenas deleite. 
Uma vontade devastadora de te beijar a boca enquanto te arrasto para mim. As mãos descontroladas percorrem o teu corpo e com raiva te despem para que a nudez nos liberte. A transpiração reluzente que anuncia um fogo interno que arde ansioso no nosso íntimo. 
O sabor, o cheiro, o morder, o marcar, a dor que se transforma em prazer, ofegantes, animais, insanos, carnais, delinquentes, artistas soberanos da luxúria…
Tudo se torna novo cada vez que cruzamos a linha do desejo. O mundo fica para trás. Porque quando nos amamos sem pudores, entregues à ousadia, chocam entre nós incontáveis sensações de prazer carnal e altivez espiritual. Dando lugar a uma guerra de estrelas onde o caos é gerado, para logo a seguir, dar à luz um novo universo…

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