sábado, janeiro 28, 2006

APATIA



De repente tudo ficou calmo!
O vento forte que soprava deixou de se sentir. As árvores ficaram imóveis. As nuvens tempestuosas e os fortes trovões apocalípticos afastaram-se, dando lugar ao sol quente. O som das espadas a cruzarem as lâminas e a cortarem a carne deixou de se ouvir, tal como os gritos de agonia e aflição que serviam de banda sonora a este cenário.

De repente tudo ficou tão calmo!
O rio que corria vermelho, banhado pelo sangue de inocentes derramado, corria agora límpido. As feridas daqueles que ainda viviam sararam e os corpos daqueles que jaziam no chão, sem vida e mutilados, desapareceram.

De repente tudo ficou estranhamente calmo!
Os olhos dos inimigos abriram-se e o ódio que os unia desapareceu. As espadas enferrujaram até que se transformaram em pó e toda a mágoa nos corações humanos foi esquecida. O cheiro pútrido que se sentia no ar deu lugar ao perfume das flores que agora brotavam.

De repente tudo ficou demasiado calmo!
Fiquei parado, numa estranha apatia e então apercebi-me que o meu coração estava vazio e os meus sonhos eram agora vãos, nem as lágrimas de sangue me salvavam. Tudo que vi no horizonte era loucura. Então perdi as forças, caí por terra e desisti. Estava tudo demasiado calmo…



1 comentário:

Anónimo disse...

"De repente tudo ficou demasiado calmo..." Calmo como o teu sorriso... às vezes dizes coisas que me fazem pensar...
Se já escreveste isto há algum tempo, acho que hoje te sentes assim... (não m engano pois nao?)
O que parece é que toda essa calmaria, levou a maldade consigo... os rios de sangue, as espadas que já não se cruzam... o ódio entre os inimigos...
E entao, porque é que ficaste c o coração vazio? - Hoje parecias feliz... não sei porque desististe... mas estavas bastante calmo...