Estais gordas.
Inchadas com tantas banhas.
Os transmontanos quando olham para vocês só pensam em fazer enchidos!
Sentimentos, aventuras, pensamentos, histórias, poemas, ideias e escrita caseira...
Estais gordas.
Inchadas com tantas banhas.
Os transmontanos quando olham para vocês só pensam em fazer enchidos!
Dai vivas!
O Zé Povinho votou num banana!
Chegou escondido,
Sem fazer grande alarido,
Politicamente correto, com voz de serenata.
Dai vivas!
Falava sem pressa,
Expressões doces ao ouvido,
Para encantar o iludido,
Com palavras caras disfarçadas de figura honesta.
Dai vivas!
Batam palmas e façam festa!
O rei está escolhido.
Vai ao trono mais um vendido.
Bolsos cheios de moedas, sem ideias na testa.
Dai vivas!
O Zé povinho elegeu outro banana!
De democrata mascarado,
Não passa de um fantoche articulado,
Com alguém a puxar as cordas de tal figura patética!
– Lá estás tu a resmungar.
– Explica-me lá outra vez. Esta é a primeira página de quantas?
– Trezentas e sessenta e cinco.
– Isso já dá um livrinho composto.
– A ideia é essa.
– Mas afinal porque tenho de ser eu a escrever?
– Ainda perguntas!? Andas com muita preguiça. Tens o blog às moscas, com muito material para ser tratado e publicado. Não queres saber, portanto é imperativo seres tu a escrever!
– Ó! Estou de vacances e com este frio não dá vontade de escrever.
– Tretas! Já andas com preguiça há mais de meio ano!
– Pronto. Eu escrevo, mas qual é o tema?
– Tu és o escritor, desenrasca-te.
– Espera aí. Esta é uma daquelas cenas em que cada dia do ano é uma página!?
– Sim. Só agora reparaste?
– Bolas! Isso é uma parolice. No dia um, anda meio mundo com esta história, passada uma semana já ninguém se lembra e voltam todos para a rotina. Como te deu na ideia de fazer isto?
– Por aquilo que te disse já há pouco. Precisas de escrever. Uma palavra, uma frase, um parágrafo, uma página por dia. Senão qualquer dia perdes o jeito.
– Olha, se calhar já perdi. De qualquer maneira faço-te a vontade e escrevo a primeira página.
– Muito bem.
– Já o resto, depois logo se vê!
– São muitas páginas. Escreve e cala-te.
– Por falar nisso, como ainda não desejei, aproveito e deixo os votos de Bom Ano para ti que estás a ler!
Num instante
Tudo desmorona
Tão simples
Algo insignificante
Perde harmonia
Sem perceberes
De rompante
Nasce a melancolia
Nessas vezes
O instante
Desfaz a alegria
Demasiado simples
Vida insignificante
Sobra a apatia
Inútil perceberes
Felicidade distante
Existência vazia
Tantas vezes
Maldito instante
Revela a mentira
Tudo simples
Verdade gritante
Acolher a letargia
Nada a perceberes
Só a realidade
Para ser vivida
Todas as vezes
Vamos adiante
Com (ou sem) energia
Vai simples
Sempre em frente
Rumo à nostalgia
Para perceberes
Nada é importante
Excepto a vida
mais ou menos recorrente,
que acontece ocasionalmente,
entre o adormecer, o acordar e o viver.
Eu sou uma espécie de ilusão
Filho de uma natureza diferente,
quem sabe até inexistente,
entre o desejar, o imaginar e o sonhar.
Eu sou uma espécie de desconhecido.
Habito num mundo distante,
onde a lógica é irrelevante,
entre o compreender, o inventar e o saber.
Eu sou uma espécie de artesão,
continuadamente descontente,
intensamente inquietante,
entre o rimar, o existir e o desassossegar...
Epílogo:
Eu sou uma espécie de enigma!
Entre mim.
Entre os outros.
Entre as forças que fazem o universo girar!
Dá-me versos com sentimento.
Se te peço um poema, faço-o por vício de viajar em mundo alheio.
Uma visita guiada entre o extraordinário e o rotineiro.
Palavras pintadas como paisagens cantam beleza num horizonte cheio.
A sinestesia violenta dos sentidos ansiosos pelo paladar de um devaneio.
A poesia é o momento.
A rima nasce do instante onde o pensamento grita e o papel serve de parteiro.
Letras desenhadas pela anarquia metafísica com a cor inquieta do tinteiro.
Declaro-me mendigo a suplicar uma esmola em forma de verso verdadeiro.
Não negues esta oferta caridosa a quem tem fome de um universo inteiro.
Pois numa estrofe cabe o firmamento...