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terça-feira, setembro 29, 2026

Feijoada do inferno

Numa das minhas brincadeiras com modelos de linguagem de inteligência artificial, pedi para escrever uma música que misturasse Punk Harcore com Fado, com o tema: 'feijoada e flatulência'.

Devo dizer que as minhas expectativas eram muito baixas, tendo em conta que 95% das coisas que peço para as IA's escreverem acaba por sair uma grande porcaria. No entanto, em algumas raras vezes, sou surpreendido por escrita interessante. Este é um dos casos! Achei tanta piada que resolvi partilhar.

Senhoras e senhores, 'Feijoada do Inferno'! Letra e música de autoria robótica!

GRRRAAAAH!

FEIJÃO!

CARNE!

CHOURIÇO!

EU SABIA QUE ISTO IA DAR MERDA!


Entrei na tasca cheia de fome,

Vi a panela e ganhei mais fome,

Feijão, carne e bom toucinho,

Enchi o prato bem cheiinho!


Mais uma dose!

Mais uma cerveja!

O meu estômago já pede clemência!


Mas eu não paro!

Eu quero mais!

Hoje a minha barriga

VAI EXPLODIR EM GÁS!


Sinto uma pressão!

Dentro do intestino!

Há qualquer coisa viva

A crescer cá dentro!


FEIJOADA DO INFERNO!

ESTÁ A FERMENTAR!

FEIJOADA DO INFERNO!

NÃO CONSIGO PARAR!


RÁ! TÁ! TÁ! TÁ! TÁ!

O MEU CU É UM CANHÃO!

RÁ! TÁ! TÁ! TÁ! TÁ!

VIVA O FEIJÃO!


A meio da sobremesa

Começou a revolução!

Algo saiu à pressa

Mais parecia um furacão!


Olhei para a esquerda!

Olhei para a direita!

Tentei manter a calma,

Mas a coisa estava feita!


Levantei-me devagar,

Com um ar muito normal,

Mas saiu um trovão

De dimensão industrial!


A mesa estremeceu!

O cão fugiu!

O empregado fez um sinal

E a janela abriu!


FEIJOADA DO INFERNO!

ESTÁ A FERMENTAR!

FEIJOADA DO INFERNO!

NÃO CONSIGO PARAR!


RÁ! TÁ! TÁ! TÁ! TÁ!

O MEU CU É UM CANHÃO!

RÁ! TÁ! TÁ! TÁ! TÁ!

VIVA O FEIJÃO!


FEIJÃO!

CARNE!

GORDURA!

CHOURIÇO!


O meu intestino

É uma central nuclear!


FEIJÃO!

CARNE!

GÁS!

EXPLOSÃO!


NÃO HÁ ESCAPE!

NÃO HÁ SALVAÇÃO!


A minha barriga está inchada,

A minha alma está condenada,

Comi como um animal,

Agora o resultado é infernal!


A minha mãe avisou:

"Não comas mais feijão!"


EU NÃO QUIS OUVIR!

E AGORA...

TUDO O QUE ENTRA

TEM DE SAIR!


RÁ! TÁ! TÁ! TÁ! TÁ!

ABRE A JANELA!

RÁ! TÁ! TÁ! TÁ! TÁ!

CHAMA OS BOMBEIROS!

RÁ! TÁ! TÁ! TÁ! TÁ!


ISTO NÃO É GÁS!

É UMA DECLARAÇÃO

DE GUERRA!


FEIJOADA DO INFERNO!

ESTÁ A FERMENTAR!

FEIJOADA DO INFERNO!

NÃO CONSIGO PARAR!


RÁ! TÁ! TÁ! TÁ! TÁ!

O MEU CU É UM CANHÃO!

RÁ! TÁ! TÁ! TÁ! TÁ!

VIVA O FEIJÃO!


FEIJOADA!

FEIJOADA!

FEIJOADA DO INFERNO!


Amanhã juro

Que nunca mais como...

Só mais um prato!



domingo, setembro 06, 2026

Nulidade


Ai de mim que estou a morrer!...

    ...e ninguém quer saber!

Ai de mim que estou a viver!...

    ...e ninguém quer saber!

Ai de mim que estou para nascer!...

    ...e ninguém quer saber!


Ai de mim que estou a crescer!...

    ...e ninguém quer saber!

Ai de mim que quero aprender!...

    ...e ninguém quer saber!

Ai de mim que quero florescer!...

    ...e ninguém quer saber!


Ai de mim que quero ganhar!...

    ...e ninguém quer saber!

Ai de mim que estou a lutar!...

    ...e ninguém quer saber!

Ai de mim que estou a perder!...

    ...e ninguém quer saber!


Nada!

Nada!

Nada!

Nada!

Nada!

NADA!

Eu sou NADA!


Ai de ti que estás a sonhar!...

    ...e ninguém quer saber!

Ai de ti que queres vencer!...

    ...e ninguém quer saber!

Ai de ti que queres conquistar!...

    ...e ninguém quer saber!


Ai de ti que estás a imaginar!...

    ...e ninguém quer saber!

Ai de ti que procuras um lugar!...

    ...e ninguém quer saber!

Ai de ti que te queres engrandecer!...

    ...e ninguém quer saber!


Ai de ti que queres o prometido!...

    ...e o mundo não quer saber!

Ai de ti que esperas recompensa!...

    ...e os outros não querem saber!

Ai de ti que acreditas na mentira!...

    ...e a sociedade não quer saber!


Nada!

Nada!

Nada!

Nada!

Nada!

NADA!

Tu és NADA!


    ...e ninguém quer saber!




segunda-feira, março 18, 2024

A história da Maria


Vamos contar a história da Maria.

Moça perdida.

Moça vazia.

Vem conhecer a história da Maria!


Ela gostava do verbo desistir.

Tinha sonhos mas morreram.

Tinha amores mas não cresceram.

Ela tinha medo de não conseguir!


Ó triste sina da rapariga desiludida.

Recusou-se a viver.

Entregou-se ao morrer.

Nunca passou de uma alma perdida!


Ela simplesmente desistiu.

Deixou os sonhos morrer.

Impediu os seus amores de acontecer.

Ela sem tentar, nunca conseguiu!


Ela diz ao caso, "Tenho sonhos que vivem"!

"Amores que hão-de vir"!

"O medo não me faz desistir"!

"Tentarei outra e outra vez até conseguir"!


Estas são as palavras da Maria.

Convencida que é verdade,

Aquilo que diz não ir tarde.

Pobre coitada, ainda acredita na mentira...


Morre Maria?

Vive Maria?

Onde estás Maria?

Diz-me quem és Maria?


Contamos assim, a história da Maria.

Moça perdida.

Moça vazia.

Ninguém quer saber da história da Maria!




Dedicado a todas as 'Marias' deste mundo 🙂

domingo, janeiro 07, 2024

Em Busca do Rock Perdido

Esta publicação é um bocado diferente. Aqui há uns dias descobri a aplicação suno, que permite criar músicas com ajuda de inteligência artificial. 

Escrevi uma letra e coloquei na aplicação, foi isto que saiu! Sim, a voz também foi gerada por inteligência artificial! 

Porque se trata também de escrita, da minha autoria, partilho aqui convosco. Dedicado ao programa de rádio 'Em Busca do Rock Perdido'.

Já agora, qual é a vossa opinião sobre esta nova tecnologia?



Quarta à noite

Liga o rádio

Vem ouvir

Um programa do diabo


Aumenta o volume

É Rock a sério

Vem ouvir

Um petardo bem aviado


Em Busca do Rock Perdido

Grandes malhas

Não deixa o Rock esquecido

Grandes malhas

A provar que o Rock está vivo

Venham mais malhas


Desde os clássicos

Aos modernos

Vem ouvir

Um grande som mais pesado


Quero mais

Quero mais

Quero mais

Venha mais uma pedrada


Ao sábado também há

Com malta portuguesa

Servir Rock nacional

Em cima da nossa mesa


Em Busca do Rock Perdido

Grandes malhas

Não deixa o Rock esquecido

Grandes malhas

A provar que o Rock está vivo

Venham mais malhas


sábado, dezembro 30, 2023

Domingo solarengo de Outono



Hoje não chove 

O sol lá vai brilhando

Uma abelha passeia pelas flores

Não sabe que é domingo

Dia em que o Zé Povinho

Dá a volta dos pobres 


Não chove hoje

O sol lá vai raiando 

No outono com as suas cores

As folhas vão caindo

Castanhas e vinho 

Alimentam muitas fomes


Hoje não chove

O sol lá vai encantando

A natureza com os seus odores

Os pássaros vão cantando

As crianças vão brincando

Alheias a todas as dores


Não chove hoje

O sol lá vai aquecendo

O nascimento de novos amores

Os jovens vão sorrindo

Porque amar é lindo

E ainda estão longe os dissabores




segunda-feira, maio 29, 2023

No mundo


Em frente

Está a estrada que nunca percorri

O mundo que nunca explorei

Mulheres que nunca amei

Aventuras que nunca vivi


Em mim

Estão as lições que aprendi

As vezes que desanimei

Fraquezas que nunca superei

Todos os erros que cometi


Nos outros

Estão ideias que nunca entendi

Segredos que não desvendei

Mentiras que nunca perdoei

Histórias que nunca compreendi 


Aqui

Interrogo caminhos que nunca segui

Morrem os sonhos que não realizei

Sobram as mágoas que guardei

Doem as falhas que nunca admiti


No pensamento

Tenho palavras que nunca proferi

Mundos que nunca mostrei

Tudo o que um dia esperei

Narrativas que nunca escrevi


Cá dentro

Vivem sentimentos que nunca exprimi

Inseguranças que nunca enfrentei

Soltam-se lágrimas que nunca enxuguei

Gritam as limitações que sempre sofri


Cá fora

Procuro a felicidade que nunca sorri

Possibilidades que nunca tentei

Desejos que nunca partilhei

Todo o alento que ainda não senti



domingo, outubro 31, 2021

Dia de chuva

Há dias em que chove

Lágrimas de quem não sabe chorar

Pranto que ninguém ouve

Amargura de quem não sabe amar

Caneta que não se move

Apatia de quem não sabe versar

Soneto que não se escreve

Poemas de quem não sabe rimar


Hoje é um dia em que está chorar

Lágrimas que ninguém sabe

Pranto calado para ninguém escutar

Amargura onde a cor não cabe

Caneta pousada sem vontade de criar

Apatia num vazio enorme

Soneto calado que fica por declamar

Poemas onde o amor dorme


sábado, maio 15, 2021

Sem desistir

Sinto-me tão  triste
Que dói pensar em ser
Pesa o fardo do viver
Mas a alma não desiste
Continua mesmo a doer
Vence mesmo a perder
A alma magoada resiste
Quando tudo é sofrer
O desejo é esquecer
A alma em fúria insiste
Teimosa no seu querer
Aconteça o que acontecer
A alma afirma que existe
Sabe o caminho a percorrer
Confiante no seu saber
A alma cresce mesmo triste




terça-feira, outubro 27, 2020

Tu que pregas


Vai-te embora!

Não tens fantasia

Não tenho paciência para gente vazia

Sai daqui agora!

Vai-te sem demora!

Não suporto essa voz que me entedia

Não me prometas uma vida mal parida

Tens uma alegria castradora!

És de uma banalidade avassaladora!

Não cheiras a poesia

Não me sabes a companhia

Em raiva açoito-te com uma vara!

E como um bicho escorraço-te daqui para fora!



terça-feira, junho 18, 2019

Solem in Aurora


Já sentiste o tédio a crescer?
Desperdiçar o existir
Vontade desesperada de fugir
Coragem castrada sem viver!

Já sentiste o cansaço a vencer?
Sem saber o que sentir
Adiar constante do partir
Sentença no prazer de adormecer!

Já sentiste o sonho a desvanecer?
Memória sem existir
Vida que teima em se evadir
Destino surge apenas para esquecer!

Já sentiste o empenho a entorpecer?
Pausa carente de dormir
Descansar nunca foi desistir
Amanhã renasce o sol ao amanhecer!



terça-feira, janeiro 29, 2019

Semear temperos


Sobre a vida, malfadada na sua amargura
Do coração: colam fragmentos
Do corpo: gritam tormentos 
Da boca: calam lamentos...
Sobre a vida, amada na sua doçura
Do coração: sonham afectos
Do corpo: suplicam sentidos 
Da boca: desenham beijos...
Sobre a vida, encantada na sua candura
Do coração: guardam momentos
Do corpo: declamam sonetos
Da boca: semeiam temperos...
Sobre a vida, saboreada na sua aventura


terça-feira, fevereiro 14, 2017

Dia de S. namorar


Namorar

Deus criou as estrelas para sonhar
Noite quente a engrandecer
Palavras até amanhecer
Segredos cantados no sussurrar

Namorar

Deus criou o espírito para cativar
Química do nosso viver
Simples deixar acontecer
Olhar de infinito onde mergulhar

Namorar

Deus criou o verso para nos rimar
Timidez para vencer
Felicidade a conhecer
Sorrisos que abrem no encontrar

Namorar

Deus criou a beleza para narrar
Silhuetas a percorrer
Bocas chamam a morder
Rostos jovens viajam no beijar

Namorar

Deus criou a carne para a tocar
Sentir a pele a efervescer
Em fogo degustar prazer
Pintar no corpo a arte de amar

Namorar

Deus criou o ventre para gerar
Semente além do dizer
Plantada no transcender
Nascemos de galáxias a dançar

Namorar

Deus criou o tempo para passar
Romance para escrever
Poesia nesse descrever
A paixão criou o momento para o parar







quinta-feira, novembro 24, 2016

Hoje estou frágil


Olha para mim que hoje está escuro
Preciso de mais luz
A tua, que me seduz
Sou de ferro mas sinto-me inseguro
Preciso de mais cor
Do teu corpo, o calor
A chuva alimenta o meu ser obscuro
Preciso de escapar
Leva-me a encontrar
Em ti acredito-me novamente puro
Preciso de mim criança
Ter a força da esperança
Sem a noite sombria fadando-me duro
Preciso do teu verso
Viver em ti o universo
Nesse teu dia luminoso estar seguro



quarta-feira, junho 08, 2016

Métrica do despertar


Lá em cima os deuses combatem
Imortais sem medo da morte
Invenciveis não precisam da sorte
Da luta dos homens nada sabem

Lá em cima as orações se esvaem
Palavras secas lavam desespero
Crenças vazias num culto severo
Porque afinal os homens nada têm

Enquanto a morte me chama
Eu grito: Ainda é cedo
Ainda não cumpri a minha vingança
Enquanto os céus se fecham
Entre trevas e medo
Ainda não perdi a minha esperança

Cá em baixo os homens combatem
Ilusões sem medo da morte
Lutar para encontrar o mais forte
Dos deuses à muito que se esquecem

Cá em baixo os corações sofrem
Pobres almas que ainda amam
Tormenta de todos que sonham
Emoções banais todas que se vendem

Dentro em mim as muralhas caem
Acordar dum mundo parado
Deixar lá atrás o que está passado
Novos trilhos novas pontes se erguem

Dentro em mim sonhos já não dormem
Saíram à rua para gritar
Agora e sempre não posso parar
Medos domados que já nada temem

Eu solto
Eu grito
Afinal esta é a minha vontade
Nascida no sono da minha prisão
Despertei a minha verdade
Eu sonho
Eu vivo
Afinal esta é a minha autoridade
Sobre mim tenho toda a razão
Acordei a minha liberdade