Arrependo-me de não te ter 'roubado' um beijo quando nos encontramos naquele dia, à entrada, e os nossos olhos brilharam.
Arrependo-me de não te ter 'roubado' um beijo quando me foste visitar. Doaste um pouco do teu tempo para estar comigo e os nossos olhos brilharam.
Arrependo-me de não te ter trazido para o meu mundo de aventuras e, em contrapartida, encontrar refúgio nas tuas coisas banais.
Arrependo-me de não ter vivido um amor falhado ao teu lado. Quem sabe como seríamos depois? Ódio, indiferença, amizade, ou esquecimento.
O pior é ser uma história nunca acontecida. A tormenta de ter o pensamento visitado pelas ramificações de possibilidades nascidas da palavra 'se'.
Querer algum conteúdo para completar versos apaixonados, ainda que a sua sina seja desvanecer.
Resta-me divagar sobre o inexistente.
Procurar nos recantos da memória por fragmentos dos teus rostos. Um sorriso, um tom de voz, um odor, uma cor. Embora só consiga sentir o brilho no nosso olhar. Isso é tudo e quiçá seja suficiente.
Mesmo assim não me entendo como um dos participantes, mas sim como um observador passivo, limitado a apresentar uma imagem capaz de descrever uma emoção.
Contudo quero mais, porque a poesia devora todos os sentimentos para alimentar as suas rimas.
As estrofes por escrever consomem-me as madrugadas.
Dentro de mim grita-se a palavra amar, com todos os seus derivados!
Paixão;
Desejo;
Toque;
Fome;
Atração e medo.
Bem como todo o vocabulário existente dentro do indizível!
Já tu, tens tanta vida em ti, pois um só corpo não te chega. Se calhar nem lhe chamo vida. Talvez imensidão seja uma palavra mais correta para te poder descrever.
Tu existes. Tens lágrimas e alegria.
Eu existo. Tenho inquietação e silêncios.
Portanto, confesso ao éter o meu arrependimento, na esperança desassossegada que os teus ouvidos escutem estas palavras.
Por favor deixa-me ser poeta!
Ainda tenho um beijo para te 'roubar', num encontro qualquer, onde o nossos olhos brilhem.
Sem comentários:
Enviar um comentário