A liberdade é um conceito humano impossível de alcançar.
Se és livre, porque nasces e morres?
Se és livre, porque não conheces os mistérios da existência?
Se és livre, porque não és tudo?
A liberdade acaba na nossa própria humanidade.
Sentimentos, aventuras, pensamentos, histórias, poemas, ideias e escrita caseira...
A liberdade é um conceito humano impossível de alcançar.
Se és livre, porque nasces e morres?
Se és livre, porque não conheces os mistérios da existência?
Se és livre, porque não és tudo?
A liberdade acaba na nossa própria humanidade.
Para te encontrar ao gerar do universo
Entre uma multidão de ninguéns
Gritamos o nome de todos
Vieram como um
Entre nós
Como nós
Em nós
Depois nascemos em todos os tempos
Vivemos todas as histórias
Nas vidas de todos os firmamentos
Sem nunca saber quem somos
Porque um dia fomos alguém
Ainda assim trocamos imensidões
Nas palavras ilimitadas do indizível
Falaste-me da inutilidade do amor
Num beijo calado de infinito
Veio a madrugada
Sussurramos como gente apaixonada
A carne de mim a entrar em ti
O éter de ti a engolir a mim
Sentimos como gente na Terra
Nome
Alma
Tudo
Nada
Partículas do Uno
Semeados como galáxias pelo cosmos
O mistério de mim reflectido em ti
A eternidade de ti a transcender em mim
Florescemos como estrelas em todas as noites
Nós
Aqui
Sem princípio nem fim
Nesta terra vazia
Cheia de gente perdida
Sem qualquer ambição
Tenho nojo da acomodação
Dos filhos da apatia
Na sociedade apodrecida
Não aceito a formatação
Cruzo-me com olhares sem paixão
Em cada rosto que se desvia
Da verdade tão temida
Preferem esconder-se na ilusão
Recuso esta resignação
Duma vida sem ousadia
Prefiro uma voz não ouvida
Às grades da submissão
Não aceito a rendição
Com asco da covardia
Desdenho da monotonia
Dá-me nojo o fedor a podridão
Sou a sombra na multidão
Desprezo pela hipocrisia
Declamo o grito da fúria
Faço-me o caos a exigir libertação
Orgulhoso como um desistente
Exibo o meu sorriso descontente
Aos espectros na calçada sem vida
Sigo como uma alma perdida
Rotulado como demente
Na minha derrota permanente
Guiado por uma bússola partida
Sigo com passada destemida
Enfeitiçado pelo horizonte
Rumo a uma meta inexistente
Onde encontre alguma guarida
Sigo de cabeça erguida
Alheio a toda a gente
De passada insistente
Numa jornada incompreendida
Sigo na certeza da dúvida
Fixado no transcendente
Desajustado continuo em frente
Apoiado nesta oposição destemida
Sigo sem que a minha voz seja ouvida
Desprezado e nunca subserviente
Que a sociedade me chame insurgente
Sem que a minha diferença seja aplaudida
As estradas rasgadas,
cicatrizadas,
da povoação a ficar vazia.
Sem almas perdidas,
penadas.
Começam logo pela matina.
Levantam-se derrotadas,
falhadas,
levadas pela rotina.
Todas atarefadas,
apressadas,
atravessam assim o dia.
No trabalho amarguradas,
frustradas,
sem a recompensa prometida.
Continuam esperançadas,
abandonadas,
na sina resignada.
Andam distraídas,
acomodadas,
sem revolta destemida.
Voltam para casa sossegadas,
aconchegadas,
sem dar pelo passar da vida.
De noite recolhidas,
cansadas,
no lar que lhes dá guarida.
No sofá sentadas,
entretidas,
não repararam na rua rasgada,
nem nas palavras dadas.
Iludidas,
esquecem a promessa não cumprida.
Ficam as excelências perdoadas,
absolvidas.
Discursam os políticos de voz comovida,
desculpas mal paridas,
ofensivas.
Escuta indiferente a manada.
Cantam mentiras descaradas,
desavergonhadas,
ao Zé Povinho de orelha enganada.
O progresso nas estradas,
remendadas,
baboseiras de cobardia escondida!
fingidas,
a quem não entende mais nada.
Sobram a ruas cicatrizadas,
maltratadas.
E a revolta fica castrada...
Veraneio no estar
Aprecio o pensar
Passeio no meu próprio sentir
Cenários a mostrar
Mistérios a desvendar
Caminho no meu próprio descobrir
Almas para amar
Desenho o meu próprio sorrir
Personagem a representar
Melancólico a rimar
Continuo a avançar
Verso no meu próprio persistir
Realidade a magoar
Sigo a fantasiar
Exploro o meu próprio refletir
Alimento o imaginar
Vivo a viajar
Passageiro no meu próprio expandir
Enigmas no olhar
Horizontes a alcançar
Vagueio no meu próprio fluir
Tenho a mim para revelar
A minha história para contemplar
E no meu próprio ser, continuo a evoluir
Fim do Verão a anunciar
Paixões a terminar
Amores levados pelo vento
Dias breves a passar
Noites sem acalentar
O calor cai no esquecimento
Tarde fresca a desanimar
Desassossego no pensar
Os inquietos entregues ao tormento
A caneta para aconchegar
Frases cruas a ansiar
Poetas a purgar o seu lamento
Deixam a mágoa no versar
Aquecem a alma a rimar
Enganam o entardecer cinzento
No papel a escrevinhar
Sobre tanto atormentar
Esquecem que o sol continua atento
Tem cores para pintar
Espíritos a animar
O Outono traz contentamento
Amarelos a brilhar
Castanhos a cantar
A harmonia demora o seu tempo
Há que saber escutar
As folhas a esvoaçar
No vento ainda existe alento