sábado, dezembro 05, 2009

SIMPLES


Queria que as minhas unhas
Fossem com lâminas afiadas

Para rasgar a tua capa dura
E expor o teu rosto verdadeiro.


Olhar os teus olhos frágeis

Provar as tuas lágrimas salgadas

E beijar os teus lábios
Como quem beija todo o teu ser.

Queria esquecer-me que sou de ferro

(Ou lembrar-me que sou humano)
E desenhar algum carinho

Enquanto te afago a cara assustada

Como quem te chama à vida.

Queria esquecer que somos melancólicos
Amantes da solidão
(Mesmo sabendo que esta nos trai)
Mostrar-te a beleza da tua feminilidade

Numa arrepiante sensação carnal.


Queria eu ser tempestade
Derrubar castelos com os meus relâmpagos

Desmoronar romantismos e ilusões
Quebrar ideias com os meus ventos…

Queria ser um simples homem

A desejar uma simples mulher…

.

sábado, novembro 07, 2009

MÚSICA VADIA


O mundo está calmo.
Ou então sou eu que vejo a calmaria, atrás do muro de solidão que me rodeia.
De qualquer forma, é-me indiferente. Apenas me está saber bem este momento de fim de tarde de sexta-feira, com a música por companhia.
Vem aí o fim-de-semana e as pessoas estão já com o seu pensamento bem longe. Ainda bem. Os meus pensamentos já são demais, não quero ser consumido pelos dos outros.
Entre a preguiça e a descontracção deixo o tempo passar devagar e ponho de parte a calmaria (ou ansiedade) que se dispersa à minha volta. Por momentos também me esqueço de mim e deixo a minha fantasia nadar por entre os acordes desta música vadia que me veio acompanhar…


.

sábado, outubro 17, 2009

QUANDO SE REPETE A ESPERANÇA E O TALVEZ...



Triste é o sorriso, que esconde a falta de esperança…
Talvez a esperança seja apenas uma palavra,
Talvez a esperança seja apenas um sonho que se dissipa,
Talvez…
Talvez eu negue a esperança,
Para a trocar pelos meus pensamentos!
Talvez esteja apenas perdido!
E secretamente tenha a esperança,
De um dia me encontrar…


sábado, setembro 26, 2009

O MAPA



Velho relógio que avanças contando o tempo,
Tempo que apenas mede a estranha velocidade
Com que dia após dia vamos envelhecendo.
Tempo que afasta, tempo que traz de volta
Como se de distância se tratasse
Nesse mapa chamado vida…


.

sábado, agosto 29, 2009

ENCRUZILHADA


Deixei-me levar pela insónia
Foi então que pela noite dentro
Me esqueci de mim
E nasceu um novo eu
Nunca tive grande temor pelo esquecimento
Mas na timidez do meu coração
Nutro uma paixão pelo acto de renascer
E recrio-me novamente…
Será necessidade ou vício?
Não sei: Renasço e esqueço
Tomo um novo caminho
Numa encruzilhada qualquer

Deixo que o adormecer inquieto
Me leve pelo cosmos dos sentimentos
E o acordar renascido
Me abra a porta para mim mesmo…


sábado, julho 25, 2009

PINTAR COM POESIA



Hoje não me apetece pintar a vida de poesia.
Quero ser directo, rude, bruto, animal… Besta insensível, que de humano tem apenas a aparência.
Não encontro qualquer harmonia no que me rodeia e até a melancolia, fiel companheira de horas solitárias, esgotou a sua fonte de inspiração.
Aquilo a que chamam romantismo, amor e coisas similares, já me mete nojo!
Sim! Já sei que me vão condenar. Apontar o dedo e talvez até excluir-me. Pouco me importa! Sinceramente até agradeço! É sinal que não sou um espectro que passa despercebido pela sociedade, cheia de falsa moral e hipocrisia em cada esquina.
Hoje até sou capaz de amar este mundo, no topo desta arrogância que subitamente me visitou. No fundo até compreendo estas estranhas leis, que vangloriam a verdade e a justiça! São uma mentira, inventada para disfarçar actos pútridos de gente “perfeita”…
Pois é, cá estou eu a julgar! Porque será?
Sim, já me lembrei. Também eu faço parte desta loucura.
Amem-me ou odeiem-me! Mas hoje não esperem de mim actos fingidos, palavras doces e muito menos, poesia no olhar!



sábado, julho 11, 2009

HOJE


Sem nada a dizer.
Tudo se resume a esta frase quando o cansaço se apodera da minha vontade.
Silêncio de palavras, de letras, de acções e sentimentos. Um olhar mudo. Sendo os meus desejos uma taça cheia de vazio. Talvez se encontre uma gota de esperança, mas, perdida algures no esquecimento.
Uma imensa apatia. É aquilo que hoje tenho para dar.
.