segunda-feira, março 10, 2014

Falemos de amor


Dizem que o amor é a força mais poderosa do mundo. Concordo. 
Claro que existem excepções e quando as circunstancias são propícias, a força mais poderosa é exactamente a oposta. O ódio!
O ódio é analgésico, inflama, revitaliza, torna objectivo quem o sente, dando-lhe capacidades devastadoras. Faz renascer!
Sim, o ódio é violento, sanguinário, furioso, implacável, sem qualquer tipo de afecto ou misericórdia. Molda a pessoa com uma frieza insensível e mune-a com brutalidade.
Alguém capaz de vencer, arruinar, arrasar, aniquilar sem piedade o inimigo e ficar de pé perante todos os ataques! 
Digam lá se isto não é força?
Podem argumentar que o ódio corrói. Destrói a pessoa por dentro. Têm razão. E depois? Às vezes "é necessário ter o caos dentro de si para criar uma estrela"! A remissão virá depois...
Apercebi-me agora que era suposto falar de amor. Fica para a próxima.

sábado, março 01, 2014

Imagina isto


Se eu fumasse este era daqueles momentos em que te pedia um cigarro.
Sentava-me ao pé de ti e dava uma passa longa enquanto o meu corpo relaxava calmamente. Deixava passar um ou dois minutos de puro silêncio. Coisa pouca para o tic tac do relógio, no entanto, para nós uma eternidade onde os nossos nadas conversavam calados. Ia saber tão bem...
Depois, com a nicotina assimilada, quebrava o silêncio:
– Qual será o próximo estágio da evolução humana?
– Porque perguntas isso? – Questionavas com a tua mente banhada simultaneamente em cepticismo e Fé.
– Às vezes gostava de entrar num casulo e sofrer uma metamorfose. – Diria com um tom de voz intelectual como se tratasse de um poema.
– E sair de lá com umas asas!? Isso não ia dar muito jeito a passar nas portas! – Respondias entre pequenos risos.
Eu ria-me também.
– Agora que falas nisso, suponho que tens razão. – Concluía.
Então o teu olhar ficaria distante, fixo algures no infinito. Eu tentaria segui-lo, em vão. Acabaria por desistir.
– Já a mente precisa de evoluir... – Dirias, deixando a frase esquecida a meio, perdida no instante.
Tirarias o teu próprio cigarro, num ritual só teu acendias-o e com o fumo criavas obras de arte que só tu conseguias ver.
Mas o momento chamou a verdade e com ela o que é real: Nenhum de nós fuma.

terça-feira, fevereiro 11, 2014

Lá fora


Lá fora, cinzenta, a chuva cai
Dentro de mim o vazio impera
O silêncio apático; a espera
A alegria que se esvai

Lá fora ouvem-se as goteiras
Para longe fazem-me querer partir
Ou simplesmente desistir
Para onde não haja amarguras

«Não desistas» diz a esperança
«Não chores» diz o orgulho
Mas o marasmo onde mergulho
Faz de mim simples criança

Puxo para cima os cobertores
No meu intimo vou imaginando
O sol quente iluminando
A esperança em dias melhores

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Carta de amor


Escrever uma carta de amor…
Sabes que não acredito em expressar um sentimento tão grande por palavras. Palavras são apenas isso: palavras. Escritas de forma mecânica.
Como é que alguém pode expressar amor assim?
«Os poetas conseguem fazê-lo» dizem alguns. Que se danem os poetas! São mentirosos! Piratas emocionais em busca de sentimentos para a sua colecção. Vivem da sua loucura e do seu vício por rimas caóticas. Que se danem mil vezes!
Quando se trata de amor não acredito nas palavras…
Acredito no toque, meigo; no olhar, profundo; no beijo, eterno; na telepatia, tão mágica!
Acredito nos corpos que se unem e arrastam atrás de si almas ansiando serem um só!
O amor é isso. Dois que se tornam um. Um universo só nosso. De mais ninguém! Sem tempo nem regras. Onde somos réis, imperadores, deuses! Onde nos anulamos e recriamos em cada gemido, em cada suspiro, em cada êxtase que só é possível acontecer porque nos amamos…
Sim amo-te acima de tudo.
Quero dizer-te isso, com a boca, a mordiscar a tua pele; com as mãos a percorrer o teu corpo arrepiado; com a alma a viajar dentro de ti...

sábado, fevereiro 01, 2014

O cansaço


A dormência
Olhos fechados
Cansados
Pesados
Sem consciência

Querer dormir
Sonhar
Parar
Descansar
Simples inexistir 

Na noite escura
Entrega
Apaga
Aconchega
Na sua ternura

Sem sofrer
Quieto
Secreto
Obsoleto 
Apenas esquecer 

Render à apatia
Amena
Terna
Serena
A manhã traz alegria


sexta-feira, janeiro 17, 2014

A palavra


De vez em quando a palavra amarga visita-me.
Entra em minha casa sem pedir autorização.
Senta-se no sofá e vai chamando o meu nome.
Insiste até que, esgotado, lhe vá dar atenção.
Solta sobre mim um cansaço pesado e enorme.
Tira-me a vontade de sentir a doçura da emoção
Incentiva-me com o marasmo de quem dorme, 
Rasgando a força que irrompe do meu coração…

sábado, janeiro 11, 2014

Mistérios


Sou uma pirâmide.
Construíram-me com blocos enormes de rocha, que pesam várias toneladas, encaixando uns nos outros com perícia. Trouxeram mais e mais, cada vez mais e fui crescendo. Imponente. Indestrutível. Resistente ao passar das eras na minha grandiosidade.
Os arquitectos que me conceberam, iluminados pelos deuses, ordenaram-me com os pontos cardiais. Uma face a norte, outra a sul, outra a este, outra a oeste. Alinharam-me também com as estrelas para que a minha imponência se junte ao cosmos.
Não sou um simples edifício. Estou colocado estrategicamente num ponto místico para que fique em comunhão com as energias ocultas do campo magnético deste planeta. Sou como uma antena para a sabedoria que se esconde no universo.
Os povos que me construíram dançam, rezam e celebram à minha volta, partilhando toda a minha magnificência e mistérios. Estão felizes porque estão orgulhosos do seu feito. Eu estou sereno porque estou em harmonia com os enigmas deste mundo.