sábado, agosto 03, 2013

PRIMAVERA PESSOAL



Renovar é necessário de vez em quando. É uma espécie de renascer. Crescer novamente mesmo sendo adulto. Voltar a ser criança e redescobrir o mundo. Os nossos brinquedos sendo novas filosofias. Os contos de fadas, esses, somos nós que os fazemos, sem castelos nem reinos encantados. Esquecemos que precisamos de ser príncipes e princesas, para sermos simplesmente felizes. Mas nunca deixamos de querer descobrir novos tesouros feitos de paixão.
A energia cósmica precisa de ser renovada no nosso ser. Limpar a nossa existência de impurezas e expulsar os medos que nos escravizam. Deixar que novas forças corajosas nos preencham.
Venham novas ideias, novas posses, novo visual, novas pessoas, novas coisas, novos mundos, nova vida… Morrer como a natureza no inverno e renascer numa primavera pessoal. Florescer com novas cores e novas formas.
Crescer, descobrir, evoluir e partir em frente para conquistar a imensidão do mundo. Pois, também nós somos feitos de ciclos em que a renovação se torna necessária, para que a vida não fique estagnada como aguas que vão ficando turvas e não saem do lugar.


quinta-feira, agosto 01, 2013

ANIVERSÁRIO


Hoje sou eu que escrevo sobre mim mesmo. Eu, aquele a quem deram o nome de “Transcendente” numa brincadeira. Não sei porque continuo a usar este nick. Nostalgia talvez, ou se calhar uma enorme teima em criar e manter uma persona na internet. Uma espécie de alter-ego para fugir à rotina.
Hoje reparei, por acaso, que este cantinho perdido na rede, onde deposito os meus pensamentos, devaneios e pequenas histórias, faz 8 anos. Voltei atrás às primeiras publicações e dei por mim a fazer uma verdadeira viagem no tempo. Existem inúmeros textos que já não me lembrava ter escrito. Alguns de muita fraca qualidade, hoje não os escreveria. Outros de pura genialidade, quase que parece que não fui eu que escrevi. Mas os momentos de criatividade saíram da minha mente e desaguaram em palavras.
No entanto todos os textos têm algo em comum: Surgiram inspirados por pessoas, situações, ou fantasias que nasceram das entranhas da minha criatividade. Ao reler do início pude reavivar a memória que o tempo se encarregou de arrumar num canto esquecido da minha mente. 
Rostos que se cruzaram comigo e partilharam um pouco da sua vida, seguindo depois os nossos caminhos que se foram afastando até estarem demasiado longe. Acontecimentos que vivi ou presenciei, pois nem sempre fui eu o protagonista, apenas mero observador e sobre eles opinei ou tentei transformar em poesia. A minha imaginação a voar, livre, maravilhada, solta pelo infinito a descobrir segredos ocultos e a acumular conhecimento…
A cada publicação lida relembrei o momento e o porquê de a ter criado. Algumas tão pessoais que só eu as posso interpretar, embora quem leia também interprete segundo a sua própria vivência e se identifique. Também os sentimentos que me acompanhavam: Alegria; Amor; Dor; Decadência; Desejo; Erotismo; Esperança; Fantasia; Inquietação; Introspecção; Liberdade; Loucura; Magia; Melancolia; Paixão; Paz de espírito; Poder; Raiva; Religião; Serenidade; Solidão (boa e má); Sonhos; Ódio…
A todos etiquetei e partilhei neste cantinho, um mundo diferente, pelo menos para mim. Escrevi, publiquei e esqueci… Segui em frente em busca de novas aventuras. E ainda bem. Sinal que tenho a vida preenchida e não estou preso ao meu passado.
Mas não nego que fico feliz por poder usar esta máquina do tempo quando assim o desejar :)


sábado, julho 20, 2013

OS MEUS “EUS”

 

De quando em quando dou por mim a recriar-me. Porquê? Uma vida não me chega! Aliás. Mil vidas não me chegam! Quero experimentar todas as sensações, provar todos os sabores, voar todos os céus…
Se o universo é tão grande, porque me hei-de limitar a ser apenas eu, no meu mundinho pequenino? Não. Quero ir mais além. Quero ser muitos “eus” e muitos ainda são poucos para quem deseja o infinito!
Por isso recrio-me em novas versões de mim mesmo, com novas roupagens, novos personagens a rodear-me e novos enredos quase irreais. Salto, assim, de realidade em realidade porque só o “aqui” não me basta.
Já vim até muito longe com as asas que o sonho me dá. Mas o longe ainda é muito perto para quem quer ir aos extremos da imaginação. Talvez com isto me perca na liberdade da minha própria criação… 
Ou talvez eu seja assim mesmo, em constante mudança. Em viagem entre o cosmos da minha própria consciência, onde existe um universo imenso de estrelas de sensações. Onde existem incontáveis “eus” a renascer constantemente…


sábado, julho 13, 2013

AMANDO A LIBERDADE


Brisa fresca do mar. Sopra na minha direcção e refresca o inferno que cresce em mim. Acalma os meus medos, frustrações, ódios, desânimos e derrotas. Acorda os meus sentimentos mágicos e faz com que a vida, com toda a sua força me cubra de ânimo para que não tema enfrentar o mundo!
Brisa fresca do mar sopra com serenidade e deixa que abra as minhas asas para voar nos teus braços. Deixa-me subir bem alto onde os sonhos me chamam e percorrer o infinito amando a liberdade.


sábado, julho 06, 2013

O LUGAR


Não sou deste sítio. Sou de outro lugar, com outras gentes, outras ideias, outros olhares, outras aventuras e outras coisas.
Não sei onde fica, sei apenas que existe e é de lá que sou. Longe ou perto, desconheço o caminho. Guia-me apenas a certeza da sua existência.
Já tentei moldar esta terra à imagem da que eu pertenço. No entanto sou só um e sou exageradamente pequenino quando luto contra tudo e todos ao mesmo tempo.
Além disso, desse lugar que almejo, sei apenas que existe. Portanto, mesmo que fosse capaz, jamais conseguiria recriar o que não conheço.



sábado, junho 22, 2013

DESENHAR SUSSURROS


O homem chegou num passo descontraído inspirando o ar puro que o rodeava. Era uma clareira perdida no meio da floresta, longe de olhares indiscretos. No centro encontrava-se uma rocha que, embora natural, parecia polida propositadamente pelos elementos e o tempo, de forma a parecer um banco onde qualquer um se pode sentar. A julgar pelos trilhos que a rodeavam muitos eram os que o faziam.
O homem sentou-se e da mala que trazia consigo tirou uma viola. Ele devia ter à volta de cinquenta anos, tinha o cabelo comprido salpicado pela cor grisalha e a barba já não via uma lâmina há algumas semanas. A sua roupa estava desgastada, certamente pelo uso constante. A sua figura de mendigo contrastava com o sorriso que emanava do rosto e do brilho no seu olhar. Era visivelmente feliz.
Tirou também um pau de incenso que colocou a queimar entre as cordas da cabeça da viola. Então respirou fundo e com as suas unhas longas começou a dedilhar uma melodia fantástica. Parecia que vários instrumentos tocavam em simultâneo. A música tinha tanto de belo como de sobrenatural. Era um som mágico, hipnotizante, sedutor, que despertava sensações arrepiantes de fascínio.
As expressões faciais do homem davam a entender que estava a ter uma conversa com alguém através daquela melodia mágica. Ora se mostrava empolgado como se contasse uma aventura, ora amargurado como se lhe contassem algo triste, ora emocionado como se tivesse a fazer uma declaração de amor. Por vezes parecia desenhar sussurros nos seus lábios, que acompanhavam as notas encantadoras que raiavam das cordas da viola.
Que estranha conversa era aquela? Com quem falava ele naquela linguagem feiticeira? Seria com a natureza que o rodeava? Com a alma da floresta? Com os espíritos que assistiam àquela melodia encantada? Ou seria apenas a loucura de um génio a conversar com ele mesmo num momento de criatividade divina? Decidi que não quero saber a resposta. Há coisas que não se explicam e devem permanecer assim na memória. Envoltas num cenário de magia…