sábado, maio 25, 2013

AMANHECER


Vento que sopras forte e vais empurrando as nuvens para longe, rumo ao seu destino incerto. Trazes contigo o frio que assombra o pensamento.
Interrogo-me que navios fantasma impulsionas tu nas suas velas desgastadas pelo tempo, nesse céu transformado em mares de lembrança?
Sopra para terras distantes, para outros povos e outras vidas. Leva contigo o passado e deixa que a manhã traga o futuro no seu amanhecer radiante.


sábado, maio 18, 2013

EXTREMOS DE MIM



Parte de mim é o desígnio de Deus; a outra parte resulta da minha própria vontade.
Parte de mim é uma massa disforme e grotesca; a outra parte é de uma beleza inebriante.
Parte de mim são palavras sem sentido; a outra parte é poesia escrita num momento de criatividade divina.
Parte de mim é ódio raivoso como um demónio indomável; a outra parte é amor tal como um anjo enviado dos céus.
Parte de mim é derrota humilhante; a outra parte é vitória triunfante.
Parte de mim é caos imprevisível a dançar ao som de todos os ritmos; a outra parte é ordem, perfeita e severa onde o erro não existe.
Parte de mim é o esquecimento trazido pelo tempo; a outra parte é o futuro a ser edificado. 
Parte de mim são segredos ocultos e profanos escondidos nas sombras; a outra parte é magia alva como a luz do dia.


sábado, maio 11, 2013

DESPERTAR


Quero acordar!
Despertar deste sono profundo em que mergulhei. Afastar este mar de marasmo que me envolve. Libertar-me do mundano que me prende.
A derrota aparece de onde menos se espera. Ataca de forma imprevisível e goza-nos em tom de sarcasmo. Suponho que seja o preço a pagar por se prestar culto à inteligência.
Assim estou: derrotado e envolto em sonolência a observar os dias que passam sem história.
Sobra-me tempo para inventar desejos.
Mas desejar não basta! Quero a glória das grandes vitórias. Que o meu nome seja sinonimo de triunfo!
Não me vou deixar adormecer quando a vontade que existe em mim é acordar!


sábado, abril 20, 2013

DISTANTE


Hoje, tudo me parece demasiado mundano. Sinto-me afastado do que me rodeia. Assuntos, pessoas, lugares, cenários, até de mim próprio. A minha mente vagueia longe de tudo por sítios que não compreendo. Viaja como se tivesse vontade própria que não a minha.
Sinto-me distante de tudo…
Procuro-me pelos becos da existência em devaneios que se confundem com loucura. Deixo-me estar só. Numa esperança sem nexo de que a solidão tenha consciência. Talvez tenha, porque só ela me compreende nas nossas conversas caladas…
Mas eu sou humano, fadado pelos sentimentos.
Eu odeio. Sinto a fúria a tomar conta de mim quando se elevam injustiças.
Eu também amo! Sem medo. Entrego-me ao amor com todas as minhas forças porque é o único caminho para a felicidade. Disso não tenho dúvidas.
Então porque estou tão longe?
Porque desejo o infinito…
Então hoje deixo a minha mente ir para longe. Talvez traga de lá mais sabedoria. Amanhã estarei de volta, com a minha sina de humano, para me misturar com todos os outros e tentar ser diferente.


sábado, abril 13, 2013

CRENÇA IMORTAL


O vampiro escreveu um poema numa língua antiga, já esquecida no tempo. Foi assolado por recordações de quando, no seu peito, um coração batia quente e nele corria sangue humano. Tempos esquecidos na memória das gentes em que ele era um poeta. Nos seus versos escrevia contos de amor, beleza e dor, quando o sol podia iluminar os seus dias.
Mas essas lembranças são longínquas e até difíceis de compreender. Muito tempo passou e atrás dos tempos vieram tempos. Tantos que já não conseguia contar. Civilizações nasceram, civilizações morreram. Impérios foram criados, impérios foram destruídos. Deuses desceram à Terra, Deuses ascenderam aos céus. Eras caíram sobre outras eras apagando a suas memórias e vestígios. Lendas ficaram algum tempo, adulteradas e depois esquecidas como todo o passado.
Só a poesia se mantém imutável. Serva da beleza, do amor e da dor. Mundos vieram, mundos esqueceram-se. Só a poesia continuou igual. Por isso o vampiro continuou a escrever versos com o sangue da sua memória, a dor da sua emoção, a beleza que tanto venera e uma crença imortal no amor…



sábado, abril 06, 2013

GROTESCO



Sou um híbrido. Estou entre o perfeito e o horrendo.
Chamam-me lutador, mas não me lembro de receber aplausos quando entro no ringue.
Chamam-me herói, mas não reconheço em mim qualquer feito digno de relevância.
Chamam-me monstro, quando estou de costas. Desviam o olhar com repugnância.
Pois eu não gosto de ficar no centro. Quero pertencer a um dos extremos, por isso, escolho o grotesco.
Não me condenem, mas eu tenho de ser honesto convosco:  Não existe um mundo perfeito. Existe apenas ilusão, aquela que vocês alimentam!
E eu não vos posso julgar, pois também salto para esse lado quando a verdade me cansa…


sábado, março 23, 2013

BEIJAR A POESIA



Hoje escrevo-te um poema de amor. Ou melhor, uma prosa que beija a poesia! Pois são apenas palavras que desaguam em frases que juntas moldam uma carta.
Falo-te de amor! Não como amam os homens, nem os deuses, nem as almas que buscam a sua gémea.
Descrevo-te um amor profundo, semelhante a um núcleo escaldante que ao explodir criou o universo. 
Um amor etéreo, como as forças que unem as estrelas do cosmos numa distância infinita.
Um amor grandioso, quente, acolhedor, que se confunde com a própria sabedoria divina e cria pontes entre os nossos corações, como portais entre as nossas essências.
Chego à conclusão que as palavras não traduzem este amor que quero transmitir. Fica o brilho no meu olhar ao contemplar-te que ao resplandecer com tanta vida diz tudo no seu silêncio...