sábado, maio 11, 2013

DESPERTAR


Quero acordar!
Despertar deste sono profundo em que mergulhei. Afastar este mar de marasmo que me envolve. Libertar-me do mundano que me prende.
A derrota aparece de onde menos se espera. Ataca de forma imprevisível e goza-nos em tom de sarcasmo. Suponho que seja o preço a pagar por se prestar culto à inteligência.
Assim estou: derrotado e envolto em sonolência a observar os dias que passam sem história.
Sobra-me tempo para inventar desejos.
Mas desejar não basta! Quero a glória das grandes vitórias. Que o meu nome seja sinonimo de triunfo!
Não me vou deixar adormecer quando a vontade que existe em mim é acordar!


sábado, abril 20, 2013

DISTANTE


Hoje, tudo me parece demasiado mundano. Sinto-me afastado do que me rodeia. Assuntos, pessoas, lugares, cenários, até de mim próprio. A minha mente vagueia longe de tudo por sítios que não compreendo. Viaja como se tivesse vontade própria que não a minha.
Sinto-me distante de tudo…
Procuro-me pelos becos da existência em devaneios que se confundem com loucura. Deixo-me estar só. Numa esperança sem nexo de que a solidão tenha consciência. Talvez tenha, porque só ela me compreende nas nossas conversas caladas…
Mas eu sou humano, fadado pelos sentimentos.
Eu odeio. Sinto a fúria a tomar conta de mim quando se elevam injustiças.
Eu também amo! Sem medo. Entrego-me ao amor com todas as minhas forças porque é o único caminho para a felicidade. Disso não tenho dúvidas.
Então porque estou tão longe?
Porque desejo o infinito…
Então hoje deixo a minha mente ir para longe. Talvez traga de lá mais sabedoria. Amanhã estarei de volta, com a minha sina de humano, para me misturar com todos os outros e tentar ser diferente.


sábado, abril 13, 2013

CRENÇA IMORTAL


O vampiro escreveu um poema numa língua antiga, já esquecida no tempo. Foi assolado por recordações de quando, no seu peito, um coração batia quente e nele corria sangue humano. Tempos esquecidos na memória das gentes em que ele era um poeta. Nos seus versos escrevia contos de amor, beleza e dor, quando o sol podia iluminar os seus dias.
Mas essas lembranças são longínquas e até difíceis de compreender. Muito tempo passou e atrás dos tempos vieram tempos. Tantos que já não conseguia contar. Civilizações nasceram, civilizações morreram. Impérios foram criados, impérios foram destruídos. Deuses desceram à Terra, Deuses ascenderam aos céus. Eras caíram sobre outras eras apagando a suas memórias e vestígios. Lendas ficaram algum tempo, adulteradas e depois esquecidas como todo o passado.
Só a poesia se mantém imutável. Serva da beleza, do amor e da dor. Mundos vieram, mundos esqueceram-se. Só a poesia continuou igual. Por isso o vampiro continuou a escrever versos com o sangue da sua memória, a dor da sua emoção, a beleza que tanto venera e uma crença imortal no amor…



sábado, abril 06, 2013

GROTESCO



Sou um híbrido. Estou entre o perfeito e o horrendo.
Chamam-me lutador, mas não me lembro de receber aplausos quando entro no ringue.
Chamam-me herói, mas não reconheço em mim qualquer feito digno de relevância.
Chamam-me monstro, quando estou de costas. Desviam o olhar com repugnância.
Pois eu não gosto de ficar no centro. Quero pertencer a um dos extremos, por isso, escolho o grotesco.
Não me condenem, mas eu tenho de ser honesto convosco:  Não existe um mundo perfeito. Existe apenas ilusão, aquela que vocês alimentam!
E eu não vos posso julgar, pois também salto para esse lado quando a verdade me cansa…


sábado, março 23, 2013

BEIJAR A POESIA



Hoje escrevo-te um poema de amor. Ou melhor, uma prosa que beija a poesia! Pois são apenas palavras que desaguam em frases que juntas moldam uma carta.
Falo-te de amor! Não como amam os homens, nem os deuses, nem as almas que buscam a sua gémea.
Descrevo-te um amor profundo, semelhante a um núcleo escaldante que ao explodir criou o universo. 
Um amor etéreo, como as forças que unem as estrelas do cosmos numa distância infinita.
Um amor grandioso, quente, acolhedor, que se confunde com a própria sabedoria divina e cria pontes entre os nossos corações, como portais entre as nossas essências.
Chego à conclusão que as palavras não traduzem este amor que quero transmitir. Fica o brilho no meu olhar ao contemplar-te que ao resplandecer com tanta vida diz tudo no seu silêncio...


sábado, março 16, 2013

AMANTE



As vossas prisões feitas de preconceitos e morais perdidas no tempo de nada valem. Não são cárceres para mim.
Sou um pirata sentimental em busca de emoções para que a minha vida seja rica em aventuras.
Vagueio de coração em coração saqueando vivências. Para mim esses são os tesouros mais belos.
Sou um salteador de sentimentos devotado à liberdade. Fiel apenas aos meus próprios princípios que nada têm a ver com restrições.
Sou amante da boémia, da paixão e da loucura. Viajante por sonhos cheios de infinito. Descobridor de segredos que se escondem na simplicidade, encantado pelo canto da sabedoria.
Salto entre a religião e a ciência para me fascinar com a beleza que a vida me oferece.
Talvez me chamem poeta porque as minhas palavras são livres e telepaticas, mas elas transmitem apenas os tesouros que vou acumulando.
Este é o meu caminho, de um sonhador dedicado. Complexo talvez, mas livre para criar…


sábado, março 09, 2013

IMPULSO



O vento sopra forte, uivante e assustador. Como espectros que gemem na sua agonia eterna. Traz consigo nuvens sombrias que ameaçam tempestades.
Talvez seja a voz do meu próprio medo que me sussurra palavras tenebrosas aos ouvidos. Não. Os meus medos infantis já há muito que me abandonaram.
Talvez seja a raiva a lembrar-me de quem eu sou. Trajando-me com vestes negras e ameaçadoras. Não. A minha ferocidade não precisa de ser recordada.
Talvez seja a minha ânsia de voar entre os céus amargurados da sabedoria a querer abrir as minhas asas de anjo. Ou demónio? Não. Luz ou trevas não me definem. As duas partes existem em mim como uma só. Qualquer julgamento em contrário é somente uma opinião que para mim pouco vale.
Sopra vento, sopra uivante! Abre as minhas asas, às vezes negras, às vezes brancas. Impulsiona-me com o bem e o mal. Mas deixa-me marcar a diferença com o meu voo transcendente…