sábado, dezembro 08, 2012

PELE ARREPIADA



Cheira-me a caos! 
Tenho gosto a vida na minha boca! 
Oiço incontáveis energias em choque violento! 
Sinto calor e calafrios de prazer a atravessar o meu corpo raivoso!
Vejo os teus olhos brilhantes a chamarem por mim por entre o desejo!
Saboreio o suor, salgado, na tua pele arrepiada e sigo o seu caminho até à porta dos teus lábios carnudos!
Deixo que os nossos dentes ferozes mordam, marquem, magoem, onde a dor se mistura com prazer entre gemidos desprovidos de pudor!
Todos os nossos sentidos, físicos e etéreos, perdidos num emaranhado de sensações extasiantes que nos empurram um para o outro!
E nós perdemo-nos neste limbo entre o animal e a luxúria, entre um desejo instintivo da carne humana e um poema erótico escrito com rimas proibidas!

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sábado, dezembro 01, 2012

RASTO DE LUZ



Os potentes motores rugem como mil trovões em simultâneo. O seu som toma conta da terra impondo respeito. A nave, filha da sabedoria humana, escala os céus em direcção às estrelas, onde o cosmos parece infinito. 
Sobe, aventureira, imponente, afastando as nuvens que, temerosas, lhe abrem caminho. Atrás de si deixa o rasto de luz que a combustão provoca, tal como um trilho para o infinito. Segue destemida, desafiando a sabedoria de Deus, sem medo da distância que o espaço, frio e vazio, impinge.
E nesse deserto negro, salpicado de estrelas brilhantes, vivem perguntas à espera de respostas. Que mundos coloridos se escondem entre o espaço e o tempo? Que vidas pensativas existem para lá da nossa imaginação?
Vai, nave sem medo, junto com o meu pensamento, para longe do meu mundo, entre as entranhas do universo. Leva contigo a minha voz e um pouco da minha loucura nessa tua viagem pelos segredos da existência.

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sábado, novembro 24, 2012

MUNDO SURREAL



O sono chegou devagar entre o conforto dos cobertores e o silêncio da noite. O corpo foi relaxando, entregando-se ao adormecer. Mas a mente ainda um pouco desperta sentiu-se afundar num abismo quente, na direcção do seu próprio inconsciente.
– Para onde me levais, oh sonhos? – Perguntou já tomado pela sonolência.
Seria o destino um mundo surreal criado a partir de fragmentos bizarros de realidade? Ou iria conhecer os segredos do universo que os deuses do sono lhe revelavam em certos adormeceres?
Isso só o acordar diria. O mesmo acordar que iria desvanecer as memórias dum mundo adormecido onde vive toda a verdade.

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sábado, novembro 17, 2012

VAGABUNDO



A estrada parece longa e cansativa em certos momentos. No entanto os sonhos encontram-se do outro lado e o percurso até eles tem de ser feito. Aqui e ali apetece parar ou abrandar. Porque não? Afinal de contas a paisagem que vai surgindo também merece ser apreciada ao longo da viagem. Mas deixar-me ficar só porque o cansaço cai sobre mim como um manto de melancolia não é uma opção. Sim, hoje posso abrandar, ou até mesmo parar, porque não é todos os dias que as forças estão a nosso favor. Hoje posso ficar estagnado mas sei que em breve as cartas sairão a meu favor para me fazer de novo à estrada com o brilho no olhar sonhador, com uma força invencível na vontade e um sorriso matreiro nos lábios. Porque assim sou eu, um vagabundo que sabe para onde vai, um poeta que saboreia a aventura, um ser que abraça a paixão, tendo os sonhos como verdade...

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sábado, novembro 10, 2012

NA DIRECÇÃO DO INFINITO


As nuvens pairam no céu como ilhas que vagueiam acima do mundo. Parecem naves que voam sem pressa rumo a novas realidades. Um chão acima do nosso onde os sonhos se tornam vivos.
Um homem olha para cima, como se desejasse subir até lá e viajar com elas na direcção do infinito. Cá em baixo, no meio de tanta gente, a solidão é dolorosa. Quanto maior é a multidão mais só se sente. Quanto maior é a busca, mais longe fica o objectivo.
Por momentos desejou voar com as nuvens pela tranquilidade dos céus rumo a novos mundos. Do topo olhar para baixo e sentir-se grandioso sem nunca mais sentir mágoa nem dor.
Mas os seus pés estão bem assentes no chão e por mais que tente não vai levantar voo. Resta-lhe a vontade de escapar que de pouco lhe vale. Resignado volta a olhar em frente cruzando-se com incontáveis rostos. Certamente, tal como ele, cada um tem os seus dissabores, as suas mágoas, dores… Mas também alegrias. Sim, alegrias, que sorriem como o sol de Verão. 
E assim esqueceu as nuvens viajantes para retomar o seu caminho em busca da felicidade.

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sábado, novembro 03, 2012

SABER SONHAR



Naquele mausoléu o vampiro repousa o seu corpo frio enquanto a noite cai e o acaricia com ternura. Na sua mão tem um cálice com sangue, que vai ingerindo em pequenos goles. Mas o sangue dos vivos já não o satisfaz, pois têm corações quentes mas, no entanto, os sonhos deles são vazios e apáticos. Parece que o mundo lá fora está vazio de esperança.
Os humanos estão vivos, mas na sua falta de iniciativa são como mortos. O vampiro tem medo de ser arrastado por eles para a luz despojada de uma existência sem sonhos. Levando o seu cálice à boca, recorda tempos românticos naquele sangue que bebe e sonha com um futuro radiante. 
Fica feliz porque ainda sabe sonhar. Mas por enquanto repousa o seu corpo frio naquele mausoléu esquecido no tempo e tenta encontrar esperança naquele sangue vazio que bebe. Em breve a noite cairá por completo e o seu manto permitirá ao vampiro abandonar o seu refúgio, para mais uma demanda solitária.

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sábado, outubro 27, 2012

A SUA JUSTIÇA



A raiva corre pelas minhas veias como um fogo infernal! Ah, quem me dera ser um anjo vingador para rasgar o peito dos opressores! Sem hesitar cortar gargantas arrogantes e desmembrar corpos tirânicos!
Desanima-me a condição humana por ser consumido por um ódio destruidor que não me deixa ficar saciado! – Tenho fome e sede de justiça! – Grito com toda a força da minha revolta!
Resta-me a esperança na centelha divina que habita no meu íntimo. Que me torna uno com Deus e me pacifica quando a cólera se apodera dos meus sentimentos. Deixo nas mãos Dele, o derradeiro juiz, a sentença que merecem e consequente castigo.
Não desejo o mal, não desejo a discórdia, não desejo tanto ódio, que me cobre de vergonha, a habitar em mim… Submeto-me à humildade e suplico a Deus que faça acontecer a Sua Justiça…

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