sábado, março 24, 2012

REI EREMITA



Hoje sinto-me inquieto. Podia procurar mil porquês de estar assim, mas seriam todos irrelevantes. Resta-me dedicar-me ao como… Paranóico, ignorado, desconfiado, irritado e outros tantos adjectivos que me remetem para o conforto da solidão.
De que me interessa ser dono de imensa sabedoria, se sou assombrado por sentimentos que me tentam subjugar sob o fardo da fragilidade humana. Recolho-me ao meu mundo isolado, onde sou um rei eremita. Aguardo pelo sono. Talvez os sonhos me devolvam a quem eu sou…


sábado, março 17, 2012

A COBERTO DO PECADO



Sou amante das trevas… Destaco a palavra “amante” porque os amantes amam-se em segredo. Escondidos de todos, a coberto do pecado.
Existe em mim um fascínio intenso pelos mistérios do oculto que o nosso mundo encerra. No fundo sou um feiticeiro, filho de todos os deuses com a centelha do universo a crescer dentro de mim. Guardo no meu íntimo toda a sabedoria, criada em todos os tempos, por todos os sábios e em todos os mundos. No entanto imperceptível, pois é falada em línguas interditas aos homens.
Desejo capacidades de destruir o que é belo, de criar choro e caos! Arrasar todo o tipo de ordem e destronar toda a felicidade!
Mas não passa de um desejo…
Um desejo escondido de tudo e de todos, que eu próprio temo. Pois se eu abraçasse esta ânsia louca, seria um réu pronto a ser condenado por o mais severo dos juízes… Aquele a quem todos os justos chamam de consciência! E que me faria padecer para sempre na minha própria culpa…


sábado, março 10, 2012

ESCRITOS PROFANOS



Elevo-te ao estatuto de deusa! És a minha religião e eu sou o teu sacerdote. Prego a tua beleza que me enche de vida. Quero que saboreies a minha poesia em cada toque, em cada olhar, em cada palavra calada, em cada telepatia…
Consagro-te em cada carícia, em cada desejo, em cada beijo apaixonado! Amo-te de uma forma profana, pagã, herege…
Amo-te de uma forma perfeita…


sábado, março 03, 2012

UM MISTÉRIO A DESVENDAR


Sou mais do que um simples ser. Sou mais do que o mundo em que vivo e as regras que o regem. Como diria o poeta: “Tenho em mim todos os sonhos do mundo”. Mas eu desenvolvo. Se “o sonho comanda a vida”, eu sou dono dos meus sonhos e cada um é um mundo. Sou, portanto, incontáveis mundos, incontáveis sonhos, incontáveis segredos e forças avassaladoras.
Sou, tal como tu se o quiseres sentir, o abraço da própria existência! Um mistério a desvendar, um desejo a explorar e a fantasia tornada vida.
Saboreio o que há de divino em mim e saúdo o conquistador que tenho no meu íntimo. Sou indomável! Um ser imprevisível aos olhos dos outros. Uma excepção nas regras. Sou o cântico da Vida na voz da Natureza. Um poema apaixonado, louco e furioso, declamado ao vento com voz estridente, a partir do centro do universo, pela própria criação!

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sábado, fevereiro 25, 2012

CRENÇAS FURIOSAS


Quero presentear-te por aquilo que existe em ti…
Talvez com um vestido branco, imaculado, pela tua inocência e simplicidade. Pela tua ânsia de mostrar que existe bem no mundo, mesmo que te rodeiem com caos. Pelo teu sorriso sereno e cativante. Pela luz que erradias quando as trevas teimam em vencer. Pelo teu toque quente no frio da tristeza.
Mas essa és tu para outros. Pelos desejos que existem em ti, escondidos no teu íntimo, talvez te presenteie com um vestido negro. Pela vontade que tens em experimentar o pecado. Pelos sentimentos secretos que tanto medo te dão, mas que tanta atracção têm em ti. Pela feiticeira nefasta que és na tua fantasia e contra quem lutas para que não fuja cá para fora.
Mas… O ideal é presentear-te com a tua nudez. Para que te exponhas como és. Anjo irrepreensível e demónio voraz. Duas forças opostas em luta constante. Duas crenças furiosas que tentam tomar conta de ti. Tantos sentimentos inflamados num só corpo de mulher!


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sábado, fevereiro 18, 2012

VIAJANTE SEM DESTINO



Escapei da realidade. Não como foragido. Simplesmente abri uma porta e fui visitar outros mundos. Fui mais como um turista que gosta de viajar.
De vez em quando trago alguém comigo nestas viagens para outras existências. Acompanham-me e encontram comigo algo que não encontram por estes lados. Partilhamos aventuras e conhecimentos, para mais tarde recordarmos com um brilho nos olhos.
Outros há que convido para vir comigo. Mas dizem que a realidade é uma prisão, rodeada de enormes muralhas feitas de amargura. Por mais que lhes diga que nos podemos ausentar, não acreditam. Refugiam-se em lágrimas que lhes aconchegam o desespero. Nada posso fazer… Deixa-os estar. Sigo eu o meu caminho.
E vou então, como um viajante sem destino abastecer-me de emoções para lá do que é real. Trago tanto comigo. Volto pela mesma estada que segui, cheio de sonhos poderosos. Com o sorriso que só aqueles que não têm medo de ousar possuem. 
E aqueles que acham que me podem criticar, tentar demover, ou simplesmente dizer que não sou capaz. Cubram a vossa cara de vergonha, pois são vocês que não são capazes. Vêem muralhas onde deviam ver estradas, vêem grilhões onde deviam ver asas, vêem medo onde deviam ver felicidade. Essa é a essência de quem nasce apenas para existir. São nada!
E se mesmo assim me condenarem por sonhar. Me apelidarem de louco, porque o mundo não foi feito para fantasias. Olho-vos com desdém, pois não contentes por ser nada, querem ser parasitas e sugar a essência dos audazes. A mim não me impedem. Há demasiada força em mim.
Quanto aos meus sonhos serem loucura… A solução é fácil: Basta fundi-los com a realidade em meu redor!


sábado, fevereiro 11, 2012

COMPLEXIDADE



Quando adormeço não obedeço às leis do mundo. Sou como um viajante que não conhece distancias nem horizontes. Fundo-me com a própria criação e torno-me também eu cosmos e infinito.
Nesse tempo de devaneio já não sei se sou eu. Às vezes creio que sou tudo e que este acordado não sou eu, apenas uma peça de um puzzle complexo que não consigo descrever por palavras.
Não sei se os meus sonhos são outro universo, ou, se os meus sonhos são um veiculo para viajar entre incontáveis infinitos. Mas quando os visito (ou eles me visitam a mim) tudo me é revelado, numa complexidade genialmente simples.

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