sábado, fevereiro 04, 2012

PERCORRI OS CORREDORES



Entrei na tua alma em busca da luz que ela guarda. Abri todas as portas, como se não tivessem fechaduras. E tu que as tinhas trancado tão bem, com milhares de chaves pesadas e ficaste segura que nunca iria ali ninguém.
Percorri os corredores do teu íntimo, que construíste como um labirinto sem fim. Até tu mesma te esqueceste das direcções. Mas eu atravessei-os como se fossem um caminho a direito, desde o mundo até ti.
Despi a tua essência, que tinhas coberto com outras vidas e desejos que não são teus. Não me importei que me tentasses impedir, mas eu queria que te mostrasses como és. Livre da penumbra em que te tinhas escondido, com medo de seres quem és, daquilo em que acreditas.
Deixei-te assim, coberta pelo manto de sonhos que te habitam, entregue aos anseios que te esperam cá fora, irradiando o brilho que a vida te dá.

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sábado, janeiro 14, 2012

PORTA PARA O INFINITO



Tu que rezas a um Deus que não conheces e colocas as tuas preces em algo que não compreendes, deixa-me dizer que te invejo. Na tua ignorância e inocência, vais mais longe do que toda a ciência, toda a filosofia ou teologia.
Invejo-te porque a minha oração é como uma porta para o infinito, questionando, interrogando, levantando cada vez mais perguntas que vão surgindo sem fim e nunca conseguirão preencher o meu vazio.
Aproveito para colocar na tua voz aquilo que desejo para a vida. Porque a tua simplicidade vai mais longe que o meu infinito.


sábado, janeiro 07, 2012

CONHECIMENTO E VIDA




O som das espadas que chocam fez-me lembrar quem sou. Não é que me tenha esquecido. Mas a minha essência está escondida no mais íntimo de mim mesmo, no coração do próprio universo. Porque a minha condição humana está intimamente ligada ao divino, num mistério incompreensível.
Nessa união com o sagrado reside a minha Força: implacável, astuta, invencível, pois nunca desiste. Assim sou eu: Conhecimento e vida, caos e ordem, renascimento e infinito!
Perante isto, esboço um sorriso. Pois em mim reside um poder oculto que cuido e escondo como um tesouro impagável, uma obra de arte criada pela mão de Deus… 

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sábado, dezembro 24, 2011

LUZ



Que se faça luz.
Que rasgue todo o tipo de trevas. Mesmo aquelas que se escondem na claridade do dia, ou na mais irrepreensível das morais.
Que as mentes se abram ao que é novo, mas também ao que é antigo e nunca foi lembrado.
Que se cante a vida, entre caminhos rotineiros e becos sem esperança.
Que tudo seja dito pela boca da sabedoria e em nós floresça a compreensão.

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sábado, novembro 26, 2011

COISAS QUE ME FAÇAM ACONTECER



Há dias em que conversas banais me incomodam. Falar sobre o tempo, a crise, a vida dos vizinhos, de não sei quê, de não sei das quantas, de não sei quem! Perdoem-me o desabafo: Mas a vida é muito mais que isto! Irritam-me coisas tão básicas!
Apelidem-me de arrogante, louco, frio ou até mesmo de monstro. Para mim tanto me faz! Mas falem-me de coisas com beleza. Coisas que me façam sonhar. Coisas que me façam acontecer!
Não me deixem adormecer no marasmo das banalidades. Alimentem-me com vida para que nasça em mim mais vida e todo eu seja criação!
Argumentem o que quiserem, mas o meu punho vai bater forte na mesa, sempre com a mesma convicção: A vida não é uma coisa banal!


sábado, novembro 12, 2011

DESDE OS LÁBIOS ATÉ À ALMA



Mantêm-te no silêncio! Há demasiado desejo em mim, pronto a saciar o que existe em ti. Deixa que as bocas se beijem, as mãos toquem os corpos inflamados e a carne se dispa entre gemidos de prazer.
Viajamos entre arrepios e sensualidade, entre a arte e o animal, entre desejar e amar, numa luta de deleite.
Que se faça calor entre nós, amantes que se provam desde os lábios até à alma. 

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sábado, outubro 15, 2011

ESCONDIDO


As luzes da noite parecem espectros que vagueiam pela penumbra. Tomam a forma de monstros aterradores, seres hediondos que atiçam o nosso medo, fazendo da paranóia a nossa lei.
Os barulhos da noite confundem-se com o silêncio. Qual deles os mais assustador? Se o barulho nos chama para o terror, o silêncio observa-nos, pronto a atacar sem piedade. Deixam-nos fugitivos entre as trevas.

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