sábado, outubro 15, 2011

ESCONDIDO


As luzes da noite parecem espectros que vagueiam pela penumbra. Tomam a forma de monstros aterradores, seres hediondos que atiçam o nosso medo, fazendo da paranóia a nossa lei.
Os barulhos da noite confundem-se com o silêncio. Qual deles os mais assustador? Se o barulho nos chama para o terror, o silêncio observa-nos, pronto a atacar sem piedade. Deixam-nos fugitivos entre as trevas.

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sábado, outubro 08, 2011

HESITAÇÃO



Depois do meu adormecer há sonhos que me vêm visitar. Não sei se são sonhos, se são mundos com outras gentes e outra existência. Ou então as mesmas gentes com outras vidas e locais. Tudo se transforma em mistério sem a certeza de ser real apesar de eu lá estar.
O acordar traz a dúvida e depois o esquecimento. Memórias que desvanecem como o nevoeiro. Mas entre o acordar e o esquecimento permanece a hesitação.


sábado, outubro 01, 2011

LABIRINTO



Corre nas minhas veias, ácido, sangue gelado de monstro inumano. De que sonho nasci eu? Que medos são meus pais? Que coragens minhas mães?

Sobre a certeza nada sei, apenas que existe algures. Estou no meu caminho tentando procurar um novo trilho para traçar. Entretanto sigo os outros que se cruzam, andam às voltas e se encontram novamente. O mais certo é que nos cruzemos por aí…

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sábado, setembro 17, 2011

MESTRE


Conheço bem o caos. Já vivemos muitas aventuras juntos. Conheço-o como a um irmão gémeo, como se estivesse dentro de mim. Como, não! Está dentro de mim!
Mas por se encontrar dentro de mim não significa que seja dono de mim. É apenas mais um sentimento entre um número infinito deles que existem dentro do meu ser. E todos têm a sua razão de se encontrar lá.
Eu sou o mestre dos meus sentimentos. Preciso deles para ser quem sou, ou sem eles não seria quem sou. A diferença é pouca.
O caos é apenas mais um. Domado, amestrado e submisso! Como um devoto fanático pronto a seguir o mestre, como uma besta feroz pronta a defender o dono. Assim é o caos. Está dentro de mim, mas que ninguém duvide: Quem o domina sou eu.

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sábado, setembro 10, 2011

NEM ANJO NEM DEMÓNIO


Tenho asas…
Não asas de anjo ou demónio. Mas asas que me fazem voar, por entre céus infindáveis. Ora deixar-me levar por entre nuvens de calmaria, ora abrir brechas em tempestades, domando o vento e os trovões. Percorrer mesmo o mais infindável dos abismos e logo a seguir deixar-me ir ao espaço coleccionar estrelas!
Tenho apenas asas para poder voar. Percorrer firmamentos e sonhos infinitos, por onde a imaginação me guiar…

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sábado, setembro 03, 2011

MAIS UM



Já muita gente falou sobre o brilho no olhar de alguém. Hoje sou apenas mais um.
Acho que é consensual a opinião de que um olhar brilhante é algo de divinamente belo. São como duas jóias mágicas que reflectem os segredos do maior tesouro do universo. Portais para outra realidade onde tudo é beleza e que nenhuma arte humana é capaz de reproduzir. Talvez até Deus fique maravilhado pelo rumo que a Sua criação tomou.

Perante o teu olhar cintilante resta-me ficar perdido a contempla-lo, como quem se maravilha por encarar o que é divino. Tanto me dizes nessa tua luz fascinante que todo o tempo se torna breve para que eu mergulhe nela com a alma e me funda com os teus mistérios, tão intensos, tão profundos, que estão alem do desconhecido. Sim, aí reside um tesouro que só os sonhadores desejam alcançar… Que só os sonhadores conseguem sonhar… Onde só os sonhadores desejam morar…
O derradeiro expoente de um poema que não pode ser escrito pois as palavras seriam impuras para descrever algo que só um silêncio ruidoso de um olhar estrelado pode transmitir.
Viajo assim dentro de ti como um louco viaja na sua insanidade, como um génio viaja na sua criatividade, como só um apaixonado viaja no seu sentimento…




sábado, agosto 27, 2011

ETERNAMENTE INSACIÁVEL


Luto pela liberdade! Ergo-a alto como a minha bandeira! Mas que liberdade é esta?
A de viver os meus ideais, os meus devaneios, os meus desejos, a minha loucura… Mas tudo isto não me limita?
Talvez a minha liberdade seja a de viver as minhas próprias limitações intelectuais.
Mas reflectindo nisto, o meu intelecto é insaciável, sempre em busca de novas sensações e emoções. Dizem que sou “eternamente insaciável”, talvez por isso… Não! Por isso mesmo luto pela liberdade, pois só livre posso viver o expoente do meu ser!


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