sábado, janeiro 08, 2011

DESTINO


Será que o destino existe? Ou aquilo que entendemos como destino são apenas meras coincidências?
Suponho que este assunto daria muito que falar a filósofos, pensadores, religiosos… Por mim, não vou dedicar muito tempo a essa questão. Deixo-me apenas ir. Deus sabe o que faz, quando e porquê.
Acho curioso apenas, as voltas que a vida dá. Fazemos planos que não se concretizam, ou vão ficando esquecidos, seguimos por outros caminhos e deixamos de ter um destino.
Nesta deriva que não controlamos o destino vem ter connosco. Não porque o escolhemos, talvez porque assim tenha de ser.
Cenários passam por nós, rostos cruzam-se connosco e vai-se criando a nossa história pessoal. Seremos nós os heróis do nosso próprio conto, manuscrito pela mão de Deus?
Por vezes o destino é cruel, amargo e doloroso… Tão destruidor que só a raiva, o ódio, o próprio caos, nos ajudam a lidar com ele, na cruel insensibilidade da solidão. Tornamo-nos guerreiros contra o mundo! Talvez seja uma estranha forma de nos moldar…
Noutras vezes o destino presenteia-nos com felicidade embrulhada sobre a forma de surpresa. Então questionamo-nos: Estranho é o caminho… E não deixo de sentir gratidão!
Mas creio que questionar é um pouco inútil. Como disse antes: Deixo-me apenas ir. Deus sabe o que escrever na minha história.



sábado, dezembro 25, 2010

TALVEZ TUDO



Mergulhei bem fundo no meu próprio eu. Mergulhei tão fundo que achei ser impossível ir tão longe. Mas fui…

Quando parei, já não era penas eu. Estava uno com o Universo. Mergulhei em mim e sem querer descobri a passagem para o centro de tudo.

Ali, naquele lugar onde tudo era criação, foram-me mostrados todos os segredos da própria existência. Da vida, da ciência, de todas as coisas sobre as quais questionei e incontáveis mais, que nunca imaginei.

Todos os segredos estavam ali ao meu alcance, foi então que me apercebi que não os compreendia. Era apenas humano, demasiado limitado para tanta compreensão…

Esse foi o único segredo que compreendi, naquele mergulho em que me fundi com o Universo. Talvez fosse sonho, talvez fosse loucura, talvez fosse certeza…

sábado, dezembro 11, 2010

LEMBRANÇAS DE UMA NOITE DE VERÃO


- Em que pensas tu? – Perguntou ela, enquanto estavam deitados na relva, observando as estrelas, naquela noite quente de Verão.
- Em tudo e em nada… – Respondeu ele com o olhar perdido no céu.
- Como assim? Pareces distante… – Disse ela segurando a sua mão, com receio da sua resposta. Ele respondeu apertando a mão dela de volta, como se a tranquilizasse, mostrando-lhe que ainda estava ali.
- Viajo pelo infinito do universo. Entre estrelas e galáxias até à profundidade da própria criação. Vagueio pela nossa própria história ancestral, de tempos esquecidos, que escondem mistérios. Daí, parto rumo ao futuro e questiono-me, pois é imprevisível. Espreito também outros universos, realidades alternativas e até mesmo, talvez, outras vidas…
- Pessoas como tu são eternas insatisfeitas…
– Disse ela, compreendendo o que ele sentia.
- Porque dizes isso?
- A tua ânsia não tem limites. Queres sempre mais. Pessoas como tu inovam, criam, não têm medo de arriscar.
- Achas que não tenho um limite?
- Acho que não…
– Respondeu ela um pouco a medo.
- É por isso que às vezes te deixo sem saber o que dizer? – Perguntou ele.
- Sim. – Respondeu ela apertando novamente a mão dele.
- Estranho. Hoje soubeste exactamente o que dizer… – Disse ele.
Ficaram então silenciosos, como se aquela conversa continuasse sem palavras e ele, segurando-a pela mão, a levasse na sua viagem entre as estrelas, a ânsia e o sonho.


sábado, novembro 27, 2010

RIMA



A hora é de bater forte na mesa
Com o meu punho cerrado
Calar a minha voz danada
Deixar as acções falarem por mim

Tal como uma fogueira acesa
Que na noite rasga o escuro malvado
Tal como uma espada empunhada
Lidera a força de um motim

Não quero ser apenas mais um
A ver os seus sonhos serem castrados
Pela vontade do povo acomodado
Com a culpa pesada de existir

Sei que muitos temos um sonho comum
De um mundo cheio de versos declamados
Onde o infortúnio é destronado
E a felicidade se faz insurgir

Todos a partilhar o que a Terra dá
Construindo um mundo puro
Em que o centro seja a palavra Amor
E o futuro se traduza num sorriso

Uma nova vida em abundância fluirá
Em que a felicidade será o novo ouro
Seja aniquilada a palavra dor
E juntos recriávamos o paraíso


sábado, novembro 13, 2010

ETERNA AMANTE



Vem aos meus braços receber o meu amor. Encosta a tua cabeça no meu peito e repousa enquanto te afago os cabelos. Deixa cair a armadura que protege o teu coração e as armas que o teu espírito lutador impõe. Torna-te novamente criança, enquanto te aconchegas junto do meu ventre e recebes as minhas carícias…
Não te preocupes com os teus pecados contra mim, pois estou sempre pronta a perdoar-te e com saudades de ti, do teu corpo, do teu ser…
Sossega. Quando a tristeza, melancolia, ou mesmo a derrota te atingirem, sabes que podes voltar sempre para mim, tua eterna amante, esposa fiel e deleitar-te no meu corpo e na minha ternura.
Nunca te abandono, estarei sempre a teu lado. Quando me quiseres amar, sem medo sussurra o meu nome: “Solidão”…


sábado, outubro 30, 2010

NINGUÉM



Não quero incomodar quem me rodeia. Alias, só quero estar sossegado. Se por acaso te meto impressão, peço desculpa, não é o meu objectivo. Por isso peço-te que olhes para o lado e me tentes ignorar.
Eu vou ficar aqui, sem fazer barulho e se pudesse ficaria invisível. Eventualmente acabarei por ir embora, para outro lugar, tentar ficar calado, para que não reparem em mim.
Saio de mansinho encostado aos cantos. De preferência onde houver pouca luz, para me confundir com a sombra. Não precisas de te lembrar do meu nome, nem do meu rosto, conhece-me apenas por ninguém.

sábado, outubro 16, 2010

SEM REGRAS


Gostava de amar. Mas sem o stress da paixão, que me inebria e torna estúpido, reduzindo-me a ter que seguir frases feitas, cheias de romantismo, que muitas vezes nem sentido fazem.
Gostava de amar livremente. Sem a prisão azeda do ciúme. Com justificações sem sentido para crimes nunca cometidos. Sem a ditadura do compromisso imposto por regras sociais.
Gostava de amar sem ter de lutar por isso. Porque o combate está reservado à guerra, o que é o oposto do amor, ou será que me engano?
Gostava de simplesmente amar. Sem o peso de ter de provar e demonstrar o meu amor a cada dia que passa, como se assinasse um livro de ponto qualquer, tendo por sumario uma história de novela.
Gostava de amar. Só amar. Com momentos de partilha e diversões inocentes, como crianças que brincam. Dar as mãos sem medo de uma despedida, porque o amanhã é uma certeza e a saudade fica transcrita num sorriso.
Não devia haver regras quando se ama…