sábado, outubro 16, 2010

SEM REGRAS


Gostava de amar. Mas sem o stress da paixão, que me inebria e torna estúpido, reduzindo-me a ter que seguir frases feitas, cheias de romantismo, que muitas vezes nem sentido fazem.
Gostava de amar livremente. Sem a prisão azeda do ciúme. Com justificações sem sentido para crimes nunca cometidos. Sem a ditadura do compromisso imposto por regras sociais.
Gostava de amar sem ter de lutar por isso. Porque o combate está reservado à guerra, o que é o oposto do amor, ou será que me engano?
Gostava de simplesmente amar. Sem o peso de ter de provar e demonstrar o meu amor a cada dia que passa, como se assinasse um livro de ponto qualquer, tendo por sumario uma história de novela.
Gostava de amar. Só amar. Com momentos de partilha e diversões inocentes, como crianças que brincam. Dar as mãos sem medo de uma despedida, porque o amanhã é uma certeza e a saudade fica transcrita num sorriso.
Não devia haver regras quando se ama…

sábado, outubro 02, 2010

FUJAM OU COMBATAM



Fujam! Fujam todos! E levem a vossa vida convosco!

Vêm aí as velhas alcoviteiras para vos enumerarem os pecados!


Escondam as vossas posses, desejos, sonhos e caprichos! Escondam! Que elas roubam tudo!


As velhas alcoviteiras estão vivas, mas esqueceram-se de viver a vida que têm, por isso alimentam-se das vidas dos outros!


Fujam! Fujam sem olhar para trás! Se têm medo da moral e bons costumes! Senão vão ser julgados pela boca de quem se esquece de viver!


Quem tiver coragem, fique comigo! Vamos combater essa gente! Traz contigo a tua má fama com todo o tipo de impropérios e obscenidades!


Se nos acusarem de renegados, mostraremos que somos ainda piores! Se nos apedrejarem, respondamos atirando pedras ainda maiores! Se nos quiserem linchar em praça pública, com as suas foices, gadanhas e inchadas, cavemos as suas sepulturas com os seus próprios instrumentos!


Venham amigos, venham! Vamos como chuva intensa, limpar a terra dessa corja!


Vamos queimar essa gente, como bruxas em fogueiras da inquisição! Arrancar-lhes as línguas e dá-las de comer aos porcos!


Vamos escrever os seus nomes com carvão negro em paredes brancas, para que sejam sinónimo de sujidade!


Fujam! Ou venham combater! Mas nunca se submetam à vontade de gente sem vida!

sábado, setembro 18, 2010

RESUMIR


Estou a cair, algures no meio do céu.
Não sei como vim aqui parar. Só me lembro de estar a cair, a cair, a cair…
Até que não é má esta sensação de queda. Parece mais que estou a pairar no ar. É pena que em breve irá atingir o solo.
Não me lembro da minha vida passada. É como se a minha existência se resumisse àquela queda.
Quem fui? Não sei.
Certamente fui alguém, com uma história para contar, pois ninguém nasce adulto, em queda livre no meio do céu.
Mas lembranças não existem. Resta-me desfrutar este voo sem asas. É tudo que tenho…


sábado, setembro 04, 2010

VOAR


 
Gostava de voar como o super-homem, numa noite quente de Verão.
Não queria voar muito alto, nem muito depressa. Gostava de viajar tranquilamente um pouco acima dos prédios e ver o que se passava cá em baixo.
Queria me sentir solitário, a divagar pelo ar, pairando acima das cabeças, sentindo uma leve brisa a acariciar-me o rosto.
Queria ver a animação que o calor da noite escondia, lá de cima, onde apenas os sonhadores me veriam vagueando, enquanto observavam as estrelas.


sábado, agosto 07, 2010

ENSAIO


Peço desculpa a quem deseja que eu ame, mas hoje não sou capaz. Não consigo ver gente feliz. A simples ideia de saber que existe gente cheia de felicidade irrita-me. Hoje sou filho do ódio! Este sentimento asqueroso tomou conta de mim. Deixou o meu coração gélido e um fogo ardente no meu estômago, que me vai consumindo por dentro. Se o ódio é o meu pai, a vida é a minha mãe (ou madrasta). Apelidem-me de monstro, besta, animal… Mas afastem-se de mim. Metem-me nojo! Se o ódio existe, é porque serve para ser sentido. Logo, não deve haver nada de extraordinário naquilo que sinto. Raiva, ansiedade, solidão, inveja, desespero, até mesmo loucura! Tudo misturado, como se fosse uma poção maléfica, no caldeirão de uma bruxa malvada, pronta a ser julgada, torturada, queimada pela inquisição! E eu aqui perdido no meio, sem saber para onde ir. Enfim, suponho que seja apenas mais um dia na vida de uma pessoa normal…


sábado, julho 03, 2010

LUZ FEITICEIRA


Lua
Porque te escondes do dia?
E levas para longe
Os sonhos de outrora…
Idealizei a vitória,
Promovi a vida,
Desejei quebrar barreiras,
Tudo debaixo do teu brilho,
Com o símbolo da tua magia!
Mostra-me o lugar
Que prometeste para mim,
Onde não há grilhões
E o ar não me sufoca,
Como uma corda que enforca
Tudo que tinha ambicionado…

Lua
Porque me soltaste neste dia?
Onde não sinto a liberdade,
Nem encontro a tua luz,
Como antigamente
Me guiava na noite…
No entanto não morre a esperança,
Que um dia me deste a conhecer,
E a certeza que a noite vai voltar
Deixando a descoberto
Essa tua luz feiticeira,
Que me indicará o caminho…


sábado, junho 26, 2010

A PROCURAR



Por onde ando eu hoje?
Não sei de mim.
Alguém me viu por aí?
Perdido como um espectro
Esquecido pelo mundo.
Talvez seja invisível
E calado.
Onde estou?
Não sei.
Quem sou?
Talvez me lembre.
Entretanto se me encontrarem,
Digam-me que me procuro!