sábado, setembro 18, 2010

RESUMIR


Estou a cair, algures no meio do céu.
Não sei como vim aqui parar. Só me lembro de estar a cair, a cair, a cair…
Até que não é má esta sensação de queda. Parece mais que estou a pairar no ar. É pena que em breve irá atingir o solo.
Não me lembro da minha vida passada. É como se a minha existência se resumisse àquela queda.
Quem fui? Não sei.
Certamente fui alguém, com uma história para contar, pois ninguém nasce adulto, em queda livre no meio do céu.
Mas lembranças não existem. Resta-me desfrutar este voo sem asas. É tudo que tenho…


sábado, setembro 04, 2010

VOAR


 
Gostava de voar como o super-homem, numa noite quente de Verão.
Não queria voar muito alto, nem muito depressa. Gostava de viajar tranquilamente um pouco acima dos prédios e ver o que se passava cá em baixo.
Queria me sentir solitário, a divagar pelo ar, pairando acima das cabeças, sentindo uma leve brisa a acariciar-me o rosto.
Queria ver a animação que o calor da noite escondia, lá de cima, onde apenas os sonhadores me veriam vagueando, enquanto observavam as estrelas.


sábado, agosto 07, 2010

ENSAIO



Peço desculpa a quem deseja que eu ame, mas hoje não sou capaz. Não consigo ver gente feliz. A simples ideia de saber que existe gente cheia de felicidade irrita-me. Hoje sou filho do ódio! Este sentimento asqueroso tomou conta de mim. Deixou o meu coração gélido e um fogo ardente no meu estômago, que me vai consumindo por dentro. Se o ódio é o meu pai, a vida é a minha mãe (ou madrasta). Apelidem-me de monstro, besta, animal… Mas afastem-se de mim. Metem-me nojo! Se o ódio existe, é porque serve para ser sentido. Logo, não deve haver nada de extraordinário naquilo que sinto. Raiva, ansiedade, solidão, inveja, desespero, até mesmo loucura! Tudo misturado, como se fosse uma poção maléfica, no caldeirão de uma bruxa malvada, pronta a ser julgada, torturada, queimada pela inquisição! E eu aqui perdido no meio, sem saber para onde ir. Enfim, suponho que seja apenas mais um dia na vida de uma pessoa normal…


sábado, julho 03, 2010

LUZ FEITICEIRA


Lua
Porque te escondes do dia?
E levas para longe
Os sonhos de outrora…
Idealizei a vitória,
Promovi a vida,
Desejei quebrar barreiras,
Tudo debaixo do teu brilho,
Com o símbolo da tua magia!
Mostra-me o lugar
Que prometeste para mim,
Onde não há grilhões
E o ar não me sufoca,
Como uma corda que enforca
Tudo que tinha ambicionado…

Lua
Porque me soltaste neste dia?
Onde não sinto a liberdade,
Nem encontro a tua luz,
Como antigamente
Me guiava na noite…
No entanto não morre a esperança,
Que um dia me deste a conhecer,
E a certeza que a noite vai voltar
Deixando a descoberto
Essa tua luz feiticeira,
Que me indicará o caminho…


sábado, junho 26, 2010

A PROCURAR



Por onde ando eu hoje?
Não sei de mim.
Alguém me viu por aí?
Perdido como um espectro
Esquecido pelo mundo.
Talvez seja invisível
E calado.
Onde estou?
Não sei.
Quem sou?
Talvez me lembre.
Entretanto se me encontrarem,
Digam-me que me procuro!

sábado, junho 19, 2010

OUTRA HISTÓRIA



Olho para ti com desejo
E condeno-me a mim mesmo.
Não é crime o que sinto
Mas tu és uma prisão
Com grades de nostalgia
E o tempo carcereiro.
Talvez o que sinta nem seja verdade.
Seja apenas o reflexo,
De algo que poderia ter sido
Noutra história
Com outros personagens.
Deixo-te passar então por mim.
Uma mera personagem,
Que depois será esquecida,
Mas que me fez desejar
Aquilo que não tenho…


sábado, maio 22, 2010

UM POUCO DE REVOLTA

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Beija-me na boca, Anarquia
E vem amar-me
Calando o moralismo.
Vamos juntos assistir ao fim do mundo.
A sociedade dá-me náuseas.
Onde estão os ideais?
Não sei se sou comunista ou fascista,
Para mim é tudo falso!
Foda-se lá para o tempo e para o dinheiro
Que nos roubam a vida!
Dante diz que no inferno não há esperança,
Pois eu digo que aqui também não há muita!
Malditos sejam os poetas
Que escrevem versos que nos torturam o pensamento.
Será que alguém me deixa ser gente,
No meio de regras e exigências?
Maldita seja a ciência
Que explica as coisas que existem.
Será que a compreensão afinal faz falta,
Se no fundo estamos presos ao mundo?
Na realidade sou apenas mais uma vítima,
Dum egoísmo pútrido
Que me come as entranhas da alma!
Sou mais um a julgar e a ser julgado.
A tentar sobreviver no meio da multidão,
Agarrado a desejo qualquer…