sábado, janeiro 30, 2010

CONFISSÃO



Sinto tédio…
Sinto-me como um oásis
No meio de gente banal.
Peço desculpa por estar a julgar os outros
(Mas também me julgam a mim).Não é que me ache superior,
Se assim fosse
O fardo da superioridade seria bem pesado!
O meu espírito está constantemente inquieto,
Em busca de algo novo.
É cruel,
Irrequieto,
Frustrante…
Tenho tanta coisa em mente,
Não me consigo decidir por nada!
Talvez precise apenas de um amigo.
Um daqueles que me ouve,
Compreende, ou pelo menos me aceite.
Oiça a minha confissão
Mas não me passe penitência.
Ora desejo música alta,
Ora anseio o silêncio.
Não encontro um equilíbrio…
Sou estranho!
(Talvez não. Talvez seja apenas mais um.)
Alivia-me olhar para estas palavras de desabafo,
Mesmo que não digam grande coisa,
Sinto-as como se fossem um amigo,
Que tem uma boa conversa comigo.



sábado, janeiro 16, 2010

ORAÇÃO DA VONTADE INVENCÍVEL



Heróis do passado
Deuses caídos no esquecimento
Forças que equilibram o universo
Oiçam a minha súplica
De guerreiro ansioso
Façam de mim relâmpago
Para que com a minha luz
Abra fendas na noite escura

Gente de todas as raças
Deuses de todos os credos
Ciência de pura lógica
No tempo incompreensível
Na consciência do mundo
Deixem o meu nome tatuado
Por aço, fogo e voz
Para que seja sempre presente

Mendigos sem lar
Reis e governantes
Povo sem qualquer tipo de fé
Escutem o que acham calado
O meu olhar a uivar com o meu desejo
A minha música a entoar a minha paixão
O meu grito a impor as minhas conquistas
E o meu punho erguido por entre as trevas

Bocas caladas
Canetas pousadas
Folhas em branco por escrever
Rejubilai de alegria
Hoje começa uma nova história
Sobre as minhas façanhas heróicas
Que trema o futuro e se alegre a justiça
Pois hoje emerjo das sombras




sábado, dezembro 19, 2009

CONVERSA DE NATAL (Republicação)


- Estás no meio de um cigarro pensativo? – Perguntou ela.
- Sim. – Respondeu ele.
- Em que pensas?
- Em nada… Ou talvez em muita coisa… Depende do ponto de vista, acho eu. – Estava debruçado sobre a sua varanda, fumando um cigarro lentamente, enquanto observava as pessoas que passeavam pela aquela rua da cidade, devidamente enfeitada.
- A cidade está movimentada.
- Sim. Todos os anos é assim. Não varia muito.
Nesse momento o som familiar do telemóvel ao anunciar uma nova mensagem ouviu-se. Calmamente ele pegou no aparelho para ler o conteúdo: “Oh oh oh, estamos em tempo de festa e…” Não acabou de ler e de forma quase automática apagou a mensagem.
- Quem era?
- Nem reparei. Mais alguém a desejar Festas Felizes.
- Também já recebi várias do género. E tu, não vais desejar Bom Natal?
- Mais logo. Escrevo uma coisa qualquer e envio para todos da lista.
- Provavelmente vão fazer como tu e apagar a mensagem.
- É bem possível. –
Disse ele soltando uma pequena gargalhada.
- Não te incomoda saberes isso?
- Nada.
- Sabes, tenho saudades dos velhos postais de Boas Festas, que se enviavam pelo correio.
- Estás muito nostálgica hoje… -
Disse ele olhando para ela.
- Talvez… Mas o Natal tinha mais piada antigamente.
- Bem vinda à era da tecnologia. Já ninguém se interessa por esses postais. Haja é saldo no telemóvel.

Lá em baixo a azafama continuava. Passavam famílias aparentemente felizes. Pessoas com sacos carregados, crianças que gritavam, berravam e corriam. Uns pareciam apressados, outros passeavam calmamente. O cigarro dele tinha terminado, olhava agora novamente para baixo.
- Que observas? – Perguntou ela.
- Tudo um pouco. – Respondeu ele de forma vaga.
- Já reparaste nas pessoas?
- Sim. Devem andar nas compras de Natal.

- Algumas… Repara bem. Apesar de ser muita gente, parecem não reparar uns nos outros.
- Nunca reparam. Cada pessoa, grupo ou família é como uma ilha isolada, perdidos na sua vidinha. Porque haveriam de reparar nos outros!?
- Olha com atenção, estás a ver aquele senhor.
– Disse ela apontando para um homem já de alguma idade, que caminhava calmamente por entre as pessoas.
- Sim. Que tem?
- Olha bem para ele. Tem o olhar triste. Parece que está passear, mas na verdade está a observar os outros. Possivelmente porque é uma pessoa sozinha, sem família, sem amigos, sem ninguém. E repara, não é o único com o mesmo comportamento. –
Disse ela apontando para mais algumas pessoas que passavam despercebidas por entre a multidão.
- São pessoas solitárias, a cidade está cheia delas… Toda a gente sabe, toda a gente finge não saber.
Ela baixou os olhos, perante a resposta. – “É triste…” – Pensou. Mas não foi capaz de dizer algo. Na cidade a solidão era mais evidente. O rosto daquelas pessoas tristes era doloroso para quem era de fora.
O som do telemóvel a assinalar nova mensagem fez-se ouvir novamente. Parecia ter vindo no momento certo para quebrar o peso no coração que sentia. Novamente ele não leu a mensagem até ao fim e apagou-a.
- O tempo está estranhamente quente para esta altura do ano. – Disse ela.
- Ainda bem. Gosto que haja tempo quente no Natal.
O sol de Inverno brilhava com bastante intensidade, atingindo em cheio aquela varanda, transformando aquele meio de tarde num clima de Verão.
Apesar do calor, ela, no seu coração, não conseguia deixar de pensar em toda a solidão e toda a pobreza que existia e como esses sentimentos são frios. Na altura do Natal fazem festas solidárias, angariam dinheiro, roupas e comida e o resto do ano? Pensou naquilo que já sabia:
“Temos sorte por ter família, amigos, dinheiro suficiente para conforto, prendas e pequenos luxos que achamos tão normais, que nos esquecemos que são um luxo. Depois damos um pouco do que nos sobra a uma causa qualquer e achamos que já contribuímos o suficiente… Na realidade somos hipócritas…”
- O Natal não devia ser assim…
- Disse ela.
- Então como deveria ser? – Perguntou ele.
- …
Ela não foi capaz de responder.
A tarde já estava a terminar e já se começava a sentir o frio que a noite iria trazer. Ele abraçou-a carinhosamente e ela sentiu-se aconchegada no calor dos seus braços fortes. Ela sentiu-se feliz.
- Vamos para dentro. – Disse ele.
Ela acenou com a cabeça concordando. Os dois entraram para o conforto do apartamento entre brincadeiras de um casal apaixonado. Lá dentro o calor e a alegria, deram lugar ao esquecimento daquela conversa, daqueles sentimentos, daquela gente triste e solitária… Afinal era Natal...








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sábado, dezembro 05, 2009

SIMPLES


Queria que as minhas unhas
Fossem com lâminas afiadas

Para rasgar a tua capa dura
E expor o teu rosto verdadeiro.


Olhar os teus olhos frágeis

Provar as tuas lágrimas salgadas

E beijar os teus lábios
Como quem beija todo o teu ser.

Queria esquecer-me que sou de ferro

(Ou lembrar-me que sou humano)
E desenhar algum carinho

Enquanto te afago a cara assustada

Como quem te chama à vida.

Queria esquecer que somos melancólicos
Amantes da solidão
(Mesmo sabendo que esta nos trai)
Mostrar-te a beleza da tua feminilidade

Numa arrepiante sensação carnal.


Queria eu ser tempestade
Derrubar castelos com os meus relâmpagos

Desmoronar romantismos e ilusões
Quebrar ideias com os meus ventos…

Queria ser um simples homem

A desejar uma simples mulher…

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sábado, novembro 07, 2009

MÚSICA VADIA


O mundo está calmo.
Ou então sou eu que vejo a calmaria, atrás do muro de solidão que me rodeia.
De qualquer forma, é-me indiferente. Apenas me está saber bem este momento de fim de tarde de sexta-feira, com a música por companhia.
Vem aí o fim-de-semana e as pessoas estão já com o seu pensamento bem longe. Ainda bem. Os meus pensamentos já são demais, não quero ser consumido pelos dos outros.
Entre a preguiça e a descontracção deixo o tempo passar devagar e ponho de parte a calmaria (ou ansiedade) que se dispersa à minha volta. Por momentos também me esqueço de mim e deixo a minha fantasia nadar por entre os acordes desta música vadia que me veio acompanhar…


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sábado, outubro 17, 2009

QUANDO SE REPETE A ESPERANÇA E O TALVEZ...



Triste é o sorriso, que esconde a falta de esperança…
Talvez a esperança seja apenas uma palavra,
Talvez a esperança seja apenas um sonho que se dissipa,
Talvez…
Talvez eu negue a esperança,
Para a trocar pelos meus pensamentos!
Talvez esteja apenas perdido!
E secretamente tenha a esperança,
De um dia me encontrar…


sábado, setembro 26, 2009

O MAPA



Velho relógio que avanças contando o tempo,
Tempo que apenas mede a estranha velocidade
Com que dia após dia vamos envelhecendo.
Tempo que afasta, tempo que traz de volta
Como se de distância se tratasse
Nesse mapa chamado vida…


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