Velho relógio que avanças contando o tempo, Tempo que apenas mede a estranha velocidade Com que dia após dia vamos envelhecendo. Tempo que afasta, tempo que traz de volta Como se de distância se tratasse Nesse mapa chamado vida…
Deixei-me levar pela insónia Foi então que pela noite dentro Me esqueci de mim E nasceu um novo eu Nunca tive grande temor pelo esquecimento Mas na timidez do meu coração Nutro uma paixão pelo acto de renascer E recrio-me novamente… Será necessidade ou vício? Não sei: Renasço e esqueço Tomo um novo caminho Numa encruzilhada qualquer Deixo que o adormecer inquieto Me leve pelo cosmos dos sentimentos E o acordar renascido Me abra a porta para mim mesmo…
Hoje não me apetece pintar a vida de poesia. Quero ser directo, rude, bruto, animal… Besta insensível, que de humano tem apenas a aparência. Não encontro qualquer harmonia no que me rodeia e até a melancolia, fiel companheira de horas solitárias, esgotou a sua fonte de inspiração. Aquilo a que chamam romantismo, amor e coisas similares, já me mete nojo! Sim! Já sei que me vão condenar. Apontar o dedo e talvez até excluir-me. Pouco me importa! Sinceramente até agradeço! É sinal que não sou um espectro que passa despercebido pela sociedade, cheia de falsa moral e hipocrisia em cada esquina. Hoje até sou capaz de amar este mundo, no topo desta arrogância que subitamente me visitou. No fundo até compreendo estas estranhas leis, que vangloriam a verdade e a justiça! São uma mentira, inventada para disfarçar actos pútridos de gente “perfeita”… Pois é, cá estou eu a julgar! Porque será? Sim, já me lembrei. Também eu faço parte desta loucura. Amem-me ou odeiem-me! Mas hoje não esperem de mim actos fingidos, palavras doces e muito menos, poesia no olhar!
Sem nada a dizer. Tudo se resume a esta frase quando o cansaço se apodera da minha vontade. Silêncio de palavras, de letras, de acções e sentimentos. Um olhar mudo. Sendo os meus desejos uma taça cheia de vazio. Talvez se encontre uma gota de esperança, mas, perdida algures no esquecimento. Uma imensa apatia. É aquilo que hoje tenho para dar. .
Esta sensação que me invade, faz-me sentir como se já tivesse vivido isto… Não! Tenho a certeza de que já vivi este momento! Cada som, cada imagem, cada movimento, cada sentimento… Sim! Eu já vivi este momento! Não entendo como é possível esta estranha lembrança e muito menos sei como explicar esta impressão. Talvez esteja num estado de consciência diferente, alterado, para que me possa aperceber de coisas que não sei explicar. Numa tentativa vã, procuro arranjar explicação para a nossa noção de tempo. Ironicamente é uma perda desse mesmo tempo. Estou convencido que essa compreensão não está ao alcance da minha limitada condição humana. Acho que só Deus (seja lá o que Ele for) é que compreende aquilo a que chamamos tempo. Agora interrogo-me: sobre o que é o ser humano? Um aglomerado de incontáveis partículas de universo, que se juntam para criar um corpo e uma consciência e da sua simbiose resulta aquilo a que se chama vida… Vida que pertence ao Universo, a tentar compreender esse mesmo Universo, com todas as suas estranhas leis… Confusa teoria! O melhor é esquecer este momento já vivido, ou pelo menos esquecido na memória de um futuro.
O teu corpo transpirado Vibra sobre o meu Suando prazer Os teus dentes sedentos Mordendo os lábios rubros Os teus olhos vidrados Esquecidos na luxúria A tua respiração forte Como um cavalo a galope A tua pele despida Expondo as tuas curvas Como pinceladas num quadro De um pintor cheio de arte Inspirado pela beleza nua Que de ti erradia Num calor carnal Que emana do teu intimo Como um sol escaldante As tuas ancas dançam Entre gemidos e suspiros Movimentos agitados Nesse instante animal Não escondes o que és Mulher ávida de desejo Matando a fome obscena Num momento livre Cheio de ânsia carnal…
… E enquanto explodes Que se faça silêncio no mundo Pois manda o pudor que nada seja dito…