sábado, junho 06, 2009

PINCELADAS NUM QUADRO


O teu corpo transpirado
Vibra sobre o meu
Suando prazer
Os teus dentes sedentos
Mordendo os lábios rubros
Os teus olhos vidrados
Esquecidos na luxúria
A tua respiração forte
Como um cavalo a galope
A tua pele despida
Expondo as tuas curvas
Como pinceladas num quadro
De um pintor cheio de arte
Inspirado pela beleza nua
Que de ti erradia
Num calor carnal
Que emana do teu intimo
Como um sol escaldante
As tuas ancas dançam
Entre gemidos e suspiros
Movimentos agitados
Nesse instante animal
Não escondes o que és
Mulher ávida de desejo
Matando a fome obscena
Num momento livre
Cheio de ânsia carnal…


E enquanto explodes
Que se faça silêncio no mundo
Pois manda o pudor que nada seja dito…

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sábado, maio 30, 2009

É MEU DESEJO...


Gostava de te fazer sonhar
Apesar de teres o coração trespassado

Por mil flechas envenenadas
Lançadas pelas mágoas da vida

Contudo acho que mereces sonhar
Mesmo que já não acredites no sonho

Tenhas a solidão como esperança

E a desilusão como recompensa

É meu desejo ver-te sonhar

Ainda que só acredites na frustração

De um viver sem vontade

Tendo as lágrimas como confidentes


Quero ver-te sonhar

Devolver brilho ao teu olhar desapontado

Libertar o teu sorriso encarcerado

E reviver o teu coração abandonado


Eu sei que ainda queres sonhar

Libertar todo o desejo que há em ti

Ser Mulher em todo o seu esplendor

Irradiar estrelas cintilantes onde desaguares


Sim, gostava de te fazer sonhar

Para seres uma quimera feita vida

Imensidão de sedução e fantasia

E emanares o brilho de uma Deusa feiticeira

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sábado, maio 23, 2009

VENCIDO


Hoje amaldiçoei a humanidade.
Não o devia ter feito, mas fiz.
E por isso peço perdão.
Não a vocês, mas a Deus.
Pois só Ele tem autoridade para me julgar.
Amaldiçoei sim!
Amaldiçoei num momento de ódio e rancor.
Amaldiçoei porque atentaram contra a minha Paz.
A Paz que ando a aprender a sentir.
Aprendi a não julgar, mas vocês julgaram-me.
Aprendi a não odiar, mas vocês odiaram-me.
Aprendi a não agredir, mas vocês agrediram-me.
Mesmo assim aprendi a amar,
Mas vocês espezinharam-me…
Peço desculpa, mas não sou de ferro.
Sou apenas humano e sucumbi à vossa vontade.
Por isso amaldiçoei, sim!
Mesmo sentindo pena, lancei a maldição!
Falhei na conquista da Paz.
Por isso puno-me por este pecado.
E imploro o perdão Divino,
Bem como imploro por auxilio,
Ao começar de novo uma jornada,
Em busca de uma Paz perdida.
Quanto à humanidade,
Que se entenda com a minha maldição!
Enquanto eu rezo,
Para que perceba a natureza humana.
E mesmo com o peso do pecado.
Consiga alcançar a Paz.



sábado, maio 16, 2009

DAR VOZ...


Podia dizer-te que o teu olhar é cintilante como as estrelas, que brilham a descoberto numa noite quente de verão.
Falar-te de como o teu sorriso me cativa e me leva a mergulhar em mares de fantasia.
Que a tua voz é doce e serena, como uma melodia cantada por um anjo.
Segurar as tuas mãos e comparar o seu toque ao da seda mais pura e suave.
Contar-te ao ouvido um segredo tímido, sobre como tu me fazes sentir bem…
Podia…
Dizer-te incontáveis frases de amor, que entrariam em ti, como uma espada entra na carne. Fazendo-te sonhar ilusões sem fim, desejos sem limites e fantasias de adolescente.
Podia…
Mas as palavras são mentirosas e eu não sou assim. Não falo por falar. Não amo por amar. Não vivo sem viver.
Podia…

Mas prefiro deixar falar o silêncio. Dar voz ao meu olhar calado. Criar em ti novos sentidos, para que descubras em mim novos mundos, novas sensações, novos anseios.
Prefiro estar distante, mas tocar-te no mais íntimo do teu ser, no mais profundo pensamento e no mais oculto dos desejos proibidos. Despir a tua pele, desnudar a tua alma, expor tudo aquilo que és, na nudez dos teus segredos.
Prefiro ser assim. Sem nunca pronunciar uma palavra. Na minha distância sentimental, deixar que te entregues a mim…




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sábado, maio 09, 2009

ESPERANÇA


Estava sentado num muro qualquer. Em frente encontrava-se uma típica rua de uma vila, como tantas outras. Algumas casas, alguns carros, algumas arvores e arbustos, mas tudo vazio, sem ninguém. Aquela paisagem estava insípida. Era um misto de paz e solidão, num fim de tarde perdido, num dia de primavera. O único som que se ouvia, era o vento, que soprava calmo.
Ouvi então uma voz:
- Há esperança ali.
Olhei em volta, não vi ninguém. – “Imaginação talvez”! – Pensei eu, sem dar grande importância. Mas novamente se ouviu a voz:
- Há esperança ali.
- Quem és tu? – Perguntei.
Não houve resposta. Apenas aquele cenário solitário.
- Há esperança ali. – Repetiu novamente a voz.
Já sabia que aquelas palavras não vinham de uma pessoa. Talvez viessem de mim, talvez de Deus, talvez aquilo fosse um sonho… Eu fosse sonho. Ou o momento fosse sonho. Não dei importância a isso.
- Onde fica o “ali”? – Perguntei à voz. – É um sítio? Um tempo? Diz-me onde fica o “ali”?
A resposta tardou um pouco, mas surgiu:
- O “ali” chama-se vida. Aí existe esperança.

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sábado, maio 02, 2009

VOAR SEM ASAS


Caminho por entre a multidão
Invisível como um fantasma
Cabisbaixo pela mágoa
Não quero que reparem em mim
Deixo-me levar pelo esquecimento
Que o meu grito seja o silêncio
E o meu toque vazio
Não quero que me olhem
Não quero que reparem em mim
Quero que o tempo se esvaia
Que tudo seja solidão
Assim é o meu castigo
Por tentar vencer a tristeza
Assim é a minha prisão
Por tentar voar sem asas
Num céu feito de amarguras



sábado, abril 25, 2009

OU ENTÃO O INVERSO...



Desejo-te!
Tal como Zeus desejou Danae, encarcerada numa prisão, bela e inocente. Julgada e condenada pelo crime da ignorância humana.
Desejo assim amar-te! Libertar-te para mundo, ser porta para o teu destino. (Ou então o inverso!)
Quero ter-te sem a certeza do amanhã. Apenas com a incerteza do momento, escondido no tempo.
Quero ser um erro, talvez… Mas quero que craves as unhas nas costas da memória. Um instante que nunca será oficialmente lembrado, sem importância para a história. Apenas isso: Uma explosão de prazer num recanto alienado! Um grandioso momento esquecido! Para que não haja julgamento, para que não haja pecado, para que não haja prisão (ou liberdade)…