Hoje amaldiçoei a humanidade. Não o devia ter feito, mas fiz. E por isso peço perdão. Não a vocês, mas a Deus. Pois só Ele tem autoridade para me julgar. Amaldiçoei sim! Amaldiçoei num momento de ódio e rancor. Amaldiçoei porque atentaram contra a minha Paz. A Paz que ando a aprender a sentir. Aprendi a não julgar, mas vocês julgaram-me. Aprendi a não odiar, mas vocês odiaram-me. Aprendi a não agredir, mas vocês agrediram-me. Mesmo assim aprendi a amar,
Mas vocês espezinharam-me… Peço desculpa, mas não sou de ferro. Sou apenas humano e sucumbi à vossa vontade. Por isso amaldiçoei, sim! Mesmo sentindo pena, lancei a maldição! Falhei na conquista da Paz. Por isso puno-me por este pecado. E imploro o perdão Divino, Bem como imploro por auxilio, Ao começar de novo uma jornada, Em busca de uma Paz perdida. Quanto à humanidade, Que se entenda com a minha maldição! Enquanto eu rezo, Para que perceba a natureza humana. E mesmo com o peso do pecado. Consiga alcançar a Paz.
Podia dizer-te que o teu olhar é cintilante como as estrelas, que brilham a descoberto numa noite quente de verão. Falar-te de como o teu sorriso me cativa e me leva a mergulhar em mares de fantasia. Que a tua voz é doce e serena, como uma melodia cantada por um anjo. Segurar as tuas mãos e comparar o seu toque ao da seda mais pura e suave. Contar-te ao ouvido um segredo tímido, sobre como tu me fazes sentir bem… Podia… Dizer-te incontáveis frases de amor, que entrariam em ti, como uma espada entra na carne. Fazendo-te sonhar ilusões sem fim, desejos sem limites e fantasias de adolescente. Podia… Mas as palavras são mentirosas e eu não sou assim. Não falo por falar. Não amo por amar. Não vivo sem viver. Podia… … Mas prefiro deixar falar o silêncio. Dar voz ao meu olhar calado. Criar em ti novos sentidos, para que descubras em mim novos mundos, novas sensações, novos anseios. Prefiro estar distante, mas tocar-te no mais íntimo do teu ser, no mais profundo pensamento e no mais oculto dos desejos proibidos. Despir a tua pele, desnudar a tua alma, expor tudo aquilo que és, na nudez dos teus segredos. Prefiro ser assim. Sem nunca pronunciar uma palavra. Na minha distância sentimental, deixar que te entregues a mim…
Estava sentado num muro qualquer. Em frente encontrava-se uma típica rua de uma vila, como tantas outras. Algumas casas, alguns carros, algumas arvores e arbustos, mas tudo vazio, sem ninguém. Aquela paisagem estava insípida. Era um misto de paz e solidão, num fim de tarde perdido, num dia de primavera. O único som que se ouvia, era o vento, que soprava calmo. Ouvi então uma voz: - Há esperança ali. Olhei em volta, não vi ninguém. – “Imaginação talvez”! – Pensei eu, sem dar grande importância. Mas novamente se ouviu a voz: - Há esperança ali. - Quem és tu? – Perguntei. Não houve resposta. Apenas aquele cenário solitário. - Há esperança ali. – Repetiu novamente a voz. Já sabia que aquelas palavras não vinham de uma pessoa. Talvez viessem de mim, talvez de Deus, talvez aquilo fosse um sonho… Eu fosse sonho. Ou o momento fosse sonho. Não dei importância a isso. - Onde fica o “ali”? – Perguntei à voz. – É um sítio? Um tempo? Diz-me onde fica o “ali”? A resposta tardou um pouco, mas surgiu: - O “ali” chama-se vida. Aí existe esperança.
Caminho por entre a multidão Invisível como um fantasma Cabisbaixo pela mágoa Não quero que reparem em mim Deixo-me levar pelo esquecimento Que o meu grito seja o silêncio E o meu toque vazio Não quero que me olhem Não quero que reparem em mim Quero que o tempo se esvaia Que tudo seja solidão Assim é o meu castigo Por tentar vencer a tristeza Assim é a minha prisão Por tentar voar sem asas Num céu feito de amarguras
Desejo-te! Tal como Zeus desejou Danae, encarcerada numa prisão, bela e inocente. Julgada e condenada pelo crime da ignorância humana. Desejo assim amar-te! Libertar-te para mundo, ser porta para o teu destino. (Ou então o inverso!) Quero ter-te sem a certeza do amanhã. Apenas com a incerteza do momento, escondido no tempo. Quero ser um erro, talvez… Mas quero que craves as unhas nas costas da memória. Um instante que nunca será oficialmente lembrado, sem importância para a história. Apenas isso: Uma explosão de prazer num recanto alienado! Um grandioso momento esquecido! Para que não haja julgamento, para que não haja pecado, para que não haja prisão (ou liberdade)…
Perante mim estão hostes de demónios Incontáveis soldados horrendos Prontos a atacar-me impiedosamente Dilacerar-me a carne sem misericórdia Esventrar-me com garras laminadas E tomar a minha cabeça como troféu
Eu estou só diante este exército De monstros e criaturas hediondas Como posso eu vence-los sozinho? Seria uma guerra sem sentido Um acto tresloucado que ditaria o meu fim Desisto pois não tenho como vence-los
Resta-me então reinar sobre eles Sou eu o vosso Rei – grito soberano Vocês venceram-me e eu rendi-me Sobra-me agora usar a vossa coroa Sois agora servos da minha vontade Instrumentos do meu desejo vadio
Deixo-vos apenas uma certeza Sou o vosso monarca mas não sou como vós Parte de mim é sádica ávida de caos Onde as trevas habitam e a dor canta Mas outra parte é calma e serena Como um campo verdejante na Primavera
Parte de mim é como um cão raivoso Que devora a carne de almas inocentes Outra parte é como uma fonte de água fresca Encontrada num dia de calor tórrido Sou assim a fronteira entre o branco e o negro A linha cinzenta entre o caos e a ordem
Selo então uma aliança convosco Saltando entre os extremos da alma Entre espadas que trespassam a carne E flores que embelezam um sorriso puro Uma ponte entre margens inimigas Uma união entre desejos opostos
Música:Ghost Love Score Interprete:Nightwish Álbum:Once Ano:2004 Duração:10,02 m Letra e música:Tuomas Holopainen Estilo:Gothic/Melodic Metal
Esta música dificilmente deixará alguém indiferente. Posso dizer que é uma música “completa”, pois são 10,02 m que nos levam numa viagem alucinante por entre sensações de vários tipos… Mas vamos à análise.
Esta música começa com um instrumental sinfónico, acompanhado de um coro angelical, numa sonoridade épica, que nos transporta quase de imediato para um mundo de fantasia, digno de um “Senhor dos Anéis”. Ideal para aqueles momentos em que precisamos de nos abstrair do mundo. Ficamos de imediato seduzidos, ansiando o que se segue.
Ao minuto 1,09, o tom da música acalma, atenuando a adrenalina inicial, dando-nos uma sensação de paz, logo de seguida embelezada pela voz encantadora de Tarja Turunen. Um verdadeiro deleite para a alma.
Um pouco mais à frente temos uma amostra do refrão: O coro entra novamente em acção de forma épica, mas desta vez cantando alguns versos românticos, enquanto a vocalista nos delicia com a sua capacidade vocal - qual sereia que nos chama!
E assim prosseguem os versículos de forma doce. Neste momento estamos totalmente rendidos à música esperando o próximo refrão que entra em força.
Ao minuto 2,49, os mais românticos (e não só), são servidos por uma parte encantadamente calma, logo seguida de um instrumental de guitarra sereno, que nos transporta para uma nova fase da música:
Ao minuto 4,16, uma parte calma que deixa em expectativa para uma explosão instrumental de alegria, que será acompanhada pela vocalista, cantando romantismo…
Mas para quem está já preso a este turbilhão de emoções, a viagem ainda vai a meio! Pois de seguida vem uma parte inquieta! Suponho que essencial para todos que já viveram uma paixão conturbada!
E o instrumental épico coloca-nos de imediato na recta final da música, onde resumidamente voltaremos a lembrar os sentimentos vividos ao longo desta melodia, que pessoalmente apelido de: Divinal!
Enfim, aconselho esta música, como já referi em cima, a quem precisa de se abstrair do mundo e agitar as suas emoções. Entre imponência, agitação, romantismo, paz, inquietação, esta canção tem um pouco de tudo! Oiçam, leiam a letra e opinem!
Versão ao vivo
Letra:
We used to swim the same moonlight waters
Oceans away from the wakeful day
- My fall will be for you -
My fall will be for you
My love will be in you
If you be the one to cut me
I`ll bleed forever
Scent of the sea before the waking of the world
Brings me to thee
Into the blue memory
- My fall will be for you -
My fall will be for you
My love will be in you
If you be the one to cut me
I will bleed forever
Into the blue memory
A siren from the deep came to me
Sang my name my longing
Still I write my songs about that dream of mine
Worth everything I may ever be
The Child will be born again
That siren carried him to me
First of them true loves
Singing on the shoulders of an angel
Without care for love n` loss
Bring me home or leave me be
My love in the dark heart of the night
I have lost the path before me
The one behind will lead me
Take me
Cure me
Kill me
Bring me home
Every way
Every day
Just another loop in the hangman`s noose
Take me, cure me, kill me, bring me home
Every way, every day
I keep on watching us sleep
Relive the old sin of Adam and Eve
Of you and me
Forgive the adoring beast
Redeem me into childhood
Show me myself without the shell
Like the advent of May
I`ll be there when you say
Time to never hold our love
- My fall will be for you -
My fall will be for you
My love will be in you
You were the one to cut me
So I`ll bleed forever
Tradução:
Costumávamos nadar
Nas mesmas águas de luar
Oceanos longe do dia
Que está para acordar
(Refrão)
Minha queda será por você
(Minha queda será por você
Meu amor estará em você
Você foi aquele que me cortou
Então, sangrarei eternamente)
O cheiro do mar
Antes do despertar do mundo
Leva-me até você
Até a triste lembrança
Minha queda será por você
(Minha queda será por você
Meu amor estará em você
Você foi aquele que me cortou
Então, sangrarei eternamente)
Até a triste lembrança...
A sereia do fundo do mar
Veio até mim, cantou meu nome, minhas saudades
Mas ainda escrevo canções
Sobre aquele sonho meu
Que valia tudo que ainda poderei me tornar
A Criança nascerá novamente
Aquela sereia o carregou até mim
Primeiro deles amores verdadeiros, cantando nos ombros
de um anjo, sem importar-se com o amor e a perda
Leve-me para casa ou deixe-me sozinho
Meu amor no coração escuro da noite
Perdi-me no caminho a minha frente
Aquele atrás de mim me guiará
(x2)
Pegue-me, cure-me, mate-me, leve-me para casa
Todo caminho, todo dia
Só mais uma volta no
pescoço do enforcado
Pegue-me, cure-me, mate-me, leve-me para casa
Todo caminho, todo dia
Eu ainda nos vejo dormindo
Reviva o velho pecado de Adão e Eva
De eu e você, perdoe o monstro adorador
Faça-me voltar até a infância
Mostre-me a mim mesmo sem a concha
Como no início de Maio
Eu estarei aqui quando você disser
Hora de nunca segurar nosso amor...
Minha queda será por você
(Minha queda será por você
Meu amor estará em você
Você foi aquele que me cortou
Então, sangrarei eternamente)