sábado, maio 16, 2009

DAR VOZ...


Podia dizer-te que o teu olhar é cintilante como as estrelas, que brilham a descoberto numa noite quente de verão.
Falar-te de como o teu sorriso me cativa e me leva a mergulhar em mares de fantasia.
Que a tua voz é doce e serena, como uma melodia cantada por um anjo.
Segurar as tuas mãos e comparar o seu toque ao da seda mais pura e suave.
Contar-te ao ouvido um segredo tímido, sobre como tu me fazes sentir bem…
Podia…
Dizer-te incontáveis frases de amor, que entrariam em ti, como uma espada entra na carne. Fazendo-te sonhar ilusões sem fim, desejos sem limites e fantasias de adolescente.
Podia…
Mas as palavras são mentirosas e eu não sou assim. Não falo por falar. Não amo por amar. Não vivo sem viver.
Podia…

Mas prefiro deixar falar o silêncio. Dar voz ao meu olhar calado. Criar em ti novos sentidos, para que descubras em mim novos mundos, novas sensações, novos anseios.
Prefiro estar distante, mas tocar-te no mais íntimo do teu ser, no mais profundo pensamento e no mais oculto dos desejos proibidos. Despir a tua pele, desnudar a tua alma, expor tudo aquilo que és, na nudez dos teus segredos.
Prefiro ser assim. Sem nunca pronunciar uma palavra. Na minha distância sentimental, deixar que te entregues a mim…




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sábado, maio 09, 2009

ESPERANÇA


Estava sentado num muro qualquer. Em frente encontrava-se uma típica rua de uma vila, como tantas outras. Algumas casas, alguns carros, algumas arvores e arbustos, mas tudo vazio, sem ninguém. Aquela paisagem estava insípida. Era um misto de paz e solidão, num fim de tarde perdido, num dia de primavera. O único som que se ouvia, era o vento, que soprava calmo.
Ouvi então uma voz:
- Há esperança ali.
Olhei em volta, não vi ninguém. – “Imaginação talvez”! – Pensei eu, sem dar grande importância. Mas novamente se ouviu a voz:
- Há esperança ali.
- Quem és tu? – Perguntei.
Não houve resposta. Apenas aquele cenário solitário.
- Há esperança ali. – Repetiu novamente a voz.
Já sabia que aquelas palavras não vinham de uma pessoa. Talvez viessem de mim, talvez de Deus, talvez aquilo fosse um sonho… Eu fosse sonho. Ou o momento fosse sonho. Não dei importância a isso.
- Onde fica o “ali”? – Perguntei à voz. – É um sítio? Um tempo? Diz-me onde fica o “ali”?
A resposta tardou um pouco, mas surgiu:
- O “ali” chama-se vida. Aí existe esperança.

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sábado, maio 02, 2009

VOAR SEM ASAS


Caminho por entre a multidão
Invisível como um fantasma
Cabisbaixo pela mágoa
Não quero que reparem em mim
Deixo-me levar pelo esquecimento
Que o meu grito seja o silêncio
E o meu toque vazio
Não quero que me olhem
Não quero que reparem em mim
Quero que o tempo se esvaia
Que tudo seja solidão
Assim é o meu castigo
Por tentar vencer a tristeza
Assim é a minha prisão
Por tentar voar sem asas
Num céu feito de amarguras



sábado, abril 25, 2009

OU ENTÃO O INVERSO...



Desejo-te!
Tal como Zeus desejou Danae, encarcerada numa prisão, bela e inocente. Julgada e condenada pelo crime da ignorância humana.
Desejo assim amar-te! Libertar-te para mundo, ser porta para o teu destino. (Ou então o inverso!)
Quero ter-te sem a certeza do amanhã. Apenas com a incerteza do momento, escondido no tempo.
Quero ser um erro, talvez… Mas quero que craves as unhas nas costas da memória. Um instante que nunca será oficialmente lembrado, sem importância para a história. Apenas isso: Uma explosão de prazer num recanto alienado! Um grandioso momento esquecido! Para que não haja julgamento, para que não haja pecado, para que não haja prisão (ou liberdade)…


sábado, abril 18, 2009

ALIANÇA


Perante mim estão hostes de demónios
Incontáveis soldados horrendos
Prontos a atacar-me impiedosamente
Dilacerar-me a carne sem misericórdia
Esventrar-me com garras laminadas
E tomar a minha cabeça como troféu

Eu estou só diante este exército
De monstros e criaturas hediondas
Como posso eu vence-los sozinho?
Seria uma guerra sem sentido
Um acto tresloucado que ditaria o meu fim
Desisto pois não tenho como vence-los

Resta-me então reinar sobre eles
Sou eu o vosso Rei – grito soberano
Vocês venceram-me e eu rendi-me
Sobra-me agora usar a vossa coroa
Sois agora servos da minha vontade
Instrumentos do meu desejo vadio

Deixo-vos apenas uma certeza
Sou o vosso monarca mas não sou como vós
Parte de mim é sádica ávida de caos
Onde as trevas habitam e a dor canta
Mas outra parte é calma e serena
Como um campo verdejante na Primavera

Parte de mim é como um cão raivoso
Que devora a carne de almas inocentes
Outra parte é como uma fonte de água fresca
Encontrada num dia de calor tórrido
Sou assim a fronteira entre o branco e o negro
A linha cinzenta entre o caos e a ordem

Selo então uma aliança convosco
Saltando entre os extremos da alma
Entre espadas que trespassam a carne
E flores que embelezam um sorriso puro
Uma ponte entre margens inimigas
Uma união entre desejos opostos

quinta-feira, abril 09, 2009

Música em sentimentos#1 ~ Ghost Love Score

Música: Ghost Love Score
Interprete: Nightwish
Álbum: Once
Ano: 2004
Duração: 10,02 m
Letra e música: Tuomas Holopainen
Estilo: Gothic/Melodic Metal


Esta música dificilmente deixará alguém indiferente. Posso dizer que é uma música “completa”, pois são 10,02 m que nos levam numa viagem alucinante por entre sensações de vários tipos… Mas vamos à análise.
Esta música começa com um instrumental sinfónico, acompanhado de um coro angelical, numa sonoridade épica, que nos transporta quase de imediato para um mundo de fantasia, digno de um “Senhor dos Anéis”. Ideal para aqueles momentos em que precisamos de nos abstrair do mundo. Ficamos de imediato seduzidos, ansiando o que se segue.
Ao minuto 1,09, o tom da música acalma, atenuando a adrenalina inicial, dando-nos uma sensação de paz, logo de seguida embelezada pela voz encantadora de Tarja Turunen. Um verdadeiro deleite para a alma.
Um pouco mais à frente temos uma amostra do refrão: O coro entra novamente em acção de forma épica, mas desta vez cantando alguns versos românticos, enquanto a vocalista nos delicia com a sua capacidade vocal - qual sereia que nos chama!
E assim prosseguem os versículos de forma doce. Neste momento estamos totalmente rendidos à música esperando o próximo refrão que entra em força.
Ao minuto 2,49, os mais românticos (e não só), são servidos por uma parte encantadamente calma, logo seguida de um instrumental de guitarra sereno, que nos transporta para uma nova fase da música:
Ao minuto 4,16, uma parte calma que deixa em expectativa para uma explosão instrumental de alegria, que será acompanhada pela vocalista, cantando romantismo…
Mas para quem está já preso a este turbilhão de emoções, a viagem ainda vai a meio! Pois de seguida vem uma parte inquieta! Suponho que essencial para todos que já viveram uma paixão conturbada!
E o instrumental épico coloca-nos de imediato na recta final da música, onde resumidamente voltaremos a lembrar os sentimentos vividos ao longo desta melodia, que pessoalmente apelido de: Divinal!
Enfim, aconselho esta música, como já referi em cima, a quem precisa de se abstrair do mundo e agitar as suas emoções. Entre imponência, agitação, romantismo, paz, inquietação, esta canção tem um pouco de tudo! Oiçam, leiam a letra e opinem!



Versão ao vivo

Letra:
We used to swim the same moonlight waters
Oceans away from the wakeful day

- My fall will be for you -
My fall will be for you
My love will be in you
If you be the one to cut me
I`ll bleed forever

Scent of the sea before the waking of the world
Brings me to thee
Into the blue memory

- My fall will be for you -
My fall will be for you
My love will be in you
If you be the one to cut me
I will bleed forever

Into the blue memory

A siren from the deep came to me
Sang my name my longing
Still I write my songs about that dream of mine
Worth everything I may ever be

The Child will be born again
That siren carried him to me
First of them true loves
Singing on the shoulders of an angel
Without care for love n` loss

Bring me home or leave me be
My love in the dark heart of the night
I have lost the path before me
The one behind will lead me

Take me
Cure me
Kill me
Bring me home
Every way
Every day
Just another loop in the hangman`s noose

Take me, cure me, kill me, bring me home
Every way, every day
I keep on watching us sleep

Relive the old sin of Adam and Eve
Of you and me
Forgive the adoring beast

Redeem me into childhood
Show me myself without the shell
Like the advent of May
I`ll be there when you say
Time to never hold our love

- My fall will be for you -
My fall will be for you
My love will be in you
You were the one to cut me
So I`ll bleed forever

Fonte: http://www.lyrics007.com/Nightwish%20Lyrics/Ghost%20Love%20Score%20Lyrics.html


Tradução:
Costumávamos nadar
Nas mesmas águas de luar
Oceanos longe do dia
Que está para acordar

(Refrão)
Minha queda será por você
(Minha queda será por você
Meu amor estará em você
Você foi aquele que me cortou
Então, sangrarei eternamente)

O cheiro do mar
Antes do despertar do mundo
Leva-me até você
Até a triste lembrança

Minha queda será por você
(Minha queda será por você
Meu amor estará em você
Você foi aquele que me cortou
Então, sangrarei eternamente)

Até a triste lembrança...

A sereia do fundo do mar
Veio até mim, cantou meu nome, minhas saudades
Mas ainda escrevo canções
Sobre aquele sonho meu

Que valia tudo que ainda poderei me tornar

A Criança nascerá novamente
Aquela sereia o carregou até mim
Primeiro deles amores verdadeiros, cantando nos ombros
de um anjo, sem importar-se com o amor e a perda

Leve-me para casa ou deixe-me sozinho
Meu amor no coração escuro da noite
Perdi-me no caminho a minha frente
Aquele atrás de mim me guiará
(x2)

Pegue-me, cure-me, mate-me, leve-me para casa
Todo caminho, todo dia
Só mais uma volta no
pescoço do enforcado

Pegue-me, cure-me, mate-me, leve-me para casa
Todo caminho, todo dia
Eu ainda nos vejo dormindo

Reviva o velho pecado de Adão e Eva
De eu e você, perdoe o monstro adorador

Faça-me voltar até a infância
Mostre-me a mim mesmo sem a concha
Como no início de Maio
Eu estarei aqui quando você disser
Hora de nunca segurar nosso amor...

Minha queda será por você
(Minha queda será por você
Meu amor estará em você
Você foi aquele que me cortou
Então, sangrarei eternamente)

Fonte: http://letras.terra.com.br/nightwish/91340/

sábado, abril 04, 2009

ESTRANHO CONTRASTE



O cair da noite está quase completo e a temperatura agradavelmente quente. Calmamente dirijo-me para casa, depois de uma tarde de domingo preenchida por preguiça.
Está-me a saber bem percorrer este caminho, sem pressa, com a noite quente a cair sobre mim, como se me quisesse acariciar. Estarei feliz?
Pergunta estranha… Sinto-me sereno, em paz, deslocando-me devagar… No entanto, na minha mente, apenas existe uma palavra: Decepção!
Estranho contraste. Aquele momento era uma ilha de serenidade num mar de decepção. Talvez por isso seguisse devagar. Para tentar prolongar ao máximo aquele caminho, levando a solidão como companheira e um pouco de esperança como bagagem.
Sabia que no fim daquele trajecto estaria à minha espera, o mesmo que deixei ao iniciá-lo. Essa palavra asquerosa, esse sentimento áspero: Decepção!
Quem me decepcionou? Um pouco de tudo. Eu mesmo talvez! Não sei. A única certeza é que aprendi a lidar com a decepção, como um soldado aprende a viver com o inimigo. Sempre atento ao seu ataque.
E assim continuo o meu caminho, a saborear a estranha calma que me invadira. Não era sonho. Era real. Aquele era eu.


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