quarta-feira, março 25, 2009

Música em sentimentos#2 ~ Fear of Dark

Música: Fear of the Dark
Interprete: Iron Maiden
Álbum: Fear of the Dark
Ano: 1992
Duração: 7,16 m
Letra e música: Steve Harris
Estilo: Heavy Metal



Não me lembra de grande coisa da minha infância/início de adolescência, mas lembra-me da primeira vez que ouvi esta música. Tinha começado a ouvir metal à pouco tempo e costumava ser ouvinte de um programa chamado “Lança chamas”, que passava na Rádio Comercial aos sábados à tarde, apresentado por António Sérgio. Já havia descoberto grandes bandas a ouvir esse programa, entre elas, obviamente, os Iron Maiden. Tinham lançado recentemente o álbum com o mesmo nome: “Fear of the Dark”, ao qual eram dados grandes elogios. É claro que a curiosidade de o ouvir era no mínimo, muito grande.
Foi então nesse programa, que pela primeira vez, ouvi esta música. A minha reacção foi de ficar de queixo caído, imediatamente rendido e apaixonado por aquela canção. Foi quase uma experiência religiosa, pois nunca tinha ouvido algo do género! (Mais tarde fui conhecendo a obra dos Iron Maiden, que rapidamente se tornou a minha banda favorita, por isso passarão muitas mais vezes por aqui).
A música começa com um curto instrumental de guitarra, sem ser muito forte. (Durante muito tempo foi o toque do meu telemóvel). Aos 27 segundos, o som altera-se para uma parte calma. Uma espécie de balada, num tom ligeiramente sinistro, criando algum anseio, acompanhado pela voz um pouco rouca do vocalista (Bruce Dickinson). Um momento quase mágico, que nos prende de forma hipnótica. Sente-se verdadeiramente um arrepio a subir pela espinha acima. Esta sensação acentua-se se ouvirmos a versão ao vivo, onde toda a gente acompanha em uníssono… Lindo!
Continuando. – O primeiro refrão é então cantado de forma calminha…
Ao minuto 1,43, dá-se uma explosão na música, para uma batida rápida, transformando-se numa típica música de metal, com grande pedalada e belas guitarradas pelo meio! Confesso que a letra não é das melhores, mas, todo o ambiente criado pela música é fascinante! Um clima de terror, ansiedade e euforia, como só os Iron Maiden conseguem criar!
Enfim, grande música. Um verdadeiro marco na história do metal!
Oiçam, leiam a letra e opinem!

 
Ao vivo no Rock in Rio 2001

Letra:
I am a man who walks alone
And when Im walking a dark road
At night or strolling through the park

When the light begins to change
I sometimes feel a little strange
A little anxious when its dark

Fear of the dark, fear of the dark
I have a constant fear that someones always near
Fear of the dark, fear of the dark
I have a phobia that someones allways there

Have you run your fingers down the wall
And have you felt your neck skin crawl
When youre searching for the light?
Sometimes when youre scared to take a look
At the corner of the room
Youve sensed that somethings watching you

Have you ever been alone at night
Thought you heard footsteps behind
And turned around and no ones there?
And as you quicken up your pace
You find it hard to look again
Because youre sure theres someone there

Watching horror films the night before
Debating wiches and folklore
The unkown troubles on your mind
Maybe your mind is playing tricks
You sense and suddenly eyes fix
On dancing shadows from behind

Fear of the dark, fear of the dark
I have a constant fear that someones always near
Fear of the dark, fear of the dark
I have a phobia that someones allways there

When Im walking a dark road
I am a man who walkes alone

Fonte: http://www.lyricsfreak.com/i/iron+maiden/fear+of+the+dark_20067979.html


 
Cover - Cradle of Filth



Tradução:
Eu sou um homem que anda sozinho
E quando eu ando em uma estrada escura
De noite ou passeando pelo parque

Quando as luzes começam a mudar
Eu algumas vezes me sinto um pouco estranho
Um pouco ansioso quando está escuro

Medo do escuro, medo do escuro
Eu tenho medo constante de que algo está sempre perto
Medo do escuro, medo do escuro
Eu tenho uma fobia de que alguém está ali

Você já correu seus dedos pela parede
E sentiu a pele de sua nuca arrepiar
Quando estava procurando a luz?
Algumas vezes quando você está com medo de olhar
No canto da sala
Você sente que alguma coisa está observando você

Medo do escuro, medo do escuro
Eu tenho medo constante de que algo está sempre perto
Medo do escuro, medo do escuro
Eu tenho uma fobia de que alguém está ali

Você alguma vez já esteve sozinho a noite
Pensou que ouviu passos atrás de você
E virou de costas e não havia ninguém lá?
E a medida que você acelera seu passo
Você acha difícil olhar novamente
Porque você tem certeza de que alguém está ali

Medo do escuro, medo do escuro
Eu tenho medo constante de que algo está sempre perto
Medo do escuro, medo do escuro
Eu tenho uma fobia de que alguém está ali

Assistindo filmes de terror na noite anterior
Debatendo sobre bruxas e folclore
Os problemas desconhecidos na sua mente
Talvez sua mente esteja pregando truques
Você sente, e subitamente seus olhos fixam
Nas sombras dançantes de trás de você

Medo do escuro, medo do escuro
Eu tenho medo constante de que algo está sempre perto
Medo do escuro, medo do escuro
Eu tenho uma fobia de que alguém está ali

Quando estou andando em uma rua escura
Eu sou o homem que anda sozinho.

Fonte: http://letras.terra.com.br/iron-maiden/72660/


Cover - Van Canto

sábado, março 07, 2009

PISCIS




Ergue-te constelação mágica
Por entre os céus da noite escura
Resplandece por entre as trevas
As tuas estrelas cintilantes
Banha os teus filhos perdidos
Com o teu místico encantamento
Fá-los compreender o teu mistério
E conhecer os teus segredos
Ilumina-os por entre as dúvidas
Torna fortes os seus passos
Firmes as suas mãos agitadas
E claras a suas vozes inquietas
Deixa fluir os seus pensamentos
Como as águas de um rio rebelde
Mantém os seus espíritos indomáveis
Para que a sua única prisão
Seja a doce liberdade


sábado, janeiro 17, 2009

BELEZA NEFASTA




Ergue-te sol negro
Por entre os céus ensanguentados
Ilumina o mundo inteiro
Com a tua obscuridade
Faz com que as tuas trevas brilhem
No rosto da humanidade
Banha-nos com os teus raios sombrios
Reduz as lendas a pó
Erradia a beleza da melancolia
Condena todos os amantes
E esquarteja a inspiração dos poetas
Para que a apatia seja rainha
Sol negro
Beleza nefasta
Transforma o futuro em esquecimento
Para que a esperança não seja lembrada




sábado, janeiro 10, 2009

DIAS DE FRIO



O frio é a ausência de calor
Já não sinto frio
Tornou-se intenso demais
Agora sinto espadas afiadas
Que me trespassam em agonia
Laminas que cortam a minha carne

O ódio é a ausência de amor
O amor já não é quente
Tornou-se um sonho esquecido
Agora o meu coração gelou
Já não bombeia sentimentos
Erradia frio como um sol invertido

O caos é a ausência de ordem
Lentamente perco a sanidade
Não consigo combater a dor gelada
Deixo-me ir com o esquecimento
O mesmo que levou a memória do calor
E deixou o gelo parar-me a alegria

A dor é a ausência de calor
O mundo pereceu gelado
Numa devastação gritante
Eu pereci com o mundo
Trespassado por laminas de frio
Com a alma a lamentar-se…

sábado, dezembro 27, 2008

LUZ ESCONDIDA


Os teus olhos enganam-te
Pois vêem como te disseram para ver
As opiniões não são tuas
São da pessoa que te ensinaram a ser

Presta atenção aos pensamentos da noite
Pois neles podes encontrar alguém que conheças
E na escuridão vais ver uma voz
Essa voz que diz: Eu sou tu…

O teu coração sem poesia
Preso dentro do sonho de alguém
Demasiado perto duma fogueira ardente
Mas frio e insensível com a dor

Essa febre fria que quer ser destruída
Levada pela corrente de um rio
Correndo para o mar lavando a mágoa
Encontra a salvação nessa voz na escuridão

Dentro de ti existe essa voz
Uma voz que não se ouve mas vê
É como uma luz escondida
Que ilumina a tua verdadeira vida

Se fechares os teus olhos vais ver a tua vida
Uma verdade nua e crua revelada
Sonhos que nunca viveste
Feridas que nunca sararam

No meio da escuridão vais ver
Essa voz que é uma luz
Uma luz que te leva para uma nova realidade
Onde estarei à tua espera

Tudo isto vais ver
Se apenas fechares os teus olhos

Se nunca pensaste que isto fosse possível
Uma resposta às tuas orações esquecidas
Esquece a mágoa do passado
Agora fora da escuridão
Cada vez que o teu coração bater
Será a tua vontade a fazê-lo









Manowar - The Power of thy Sword

sábado, dezembro 20, 2008

CONVERSA DE NATAL



- Estás no meio de um cigarro pensativo? – Perguntou ela.
- Sim. – Respondeu ele.
- Em que pensas?
- Em nada… Ou talvez em muita coisa… Depende do ponto de vista, acho eu. – Estava debruçado sobre a sua varanda, fumando um cigarro lentamente, enquanto observava as pessoas que passeavam pela aquela rua da cidade, devidamente enfeitada.
- A cidade está movimentada.
- Sim. Todos os anos é assim. Não varia muito.
Nesse momento o som familiar do telemóvel ao anunciar uma nova mensagem ouviu-se. Calmamente ele pegou no aparelho para ler o conteúdo: “Oh oh oh, estamos em tempo de festa e…” Não acabou de ler e de forma quase automática apagou a mensagem.
- Quem era?
- Nem reparei. Mais alguém a desejar Festas Felizes.
- Também já recebi várias do género. E tu, não vais desejar Bom Natal?
- Mais logo. Escrevo uma coisa qualquer e envio para todos da lista.
- Provavelmente vão fazer como tu e apagar a mensagem.
- É bem possível. –
Disse ele soltando uma pequena gargalhada.
- Não te incomoda saberes isso?
- Nada.
- Sabes, tenho saudades dos velhos postais de Boas Festas, que se enviavam pelo correio.
- Estás muito nostálgica hoje… -
Disse ele olhando para ela.
- Talvez… Mas o Natal tinha mais piada antigamente.
- Bem vinda à era da tecnologia. Já ninguém se interessa por esses postais. Haja é saldo no telemóvel.

Lá em baixo a azafama continuava. Passavam famílias aparentemente felizes. Pessoas com sacos carregados, crianças que gritavam, berravam e corriam. Uns pareciam apressados, outros passeavam calmamente. O cigarro dele tinha terminado, olhava agora novamente para baixo.
- Que observas? – Perguntou ela.
- Tudo um pouco. – Respondeu ele de forma vaga.
- Já reparaste nas pessoas?
- Sim. Devem andar nas compras de Natal.

- Algumas… Repara bem. Apesar de ser muita gente, parecem não reparar uns nos outros.
- Nunca reparam. Cada pessoa, grupo ou família é como uma ilha isolada, perdidos na sua vidinha. Porque haveriam de reparar nos outros!?
- Olha com atenção, estás a ver aquele senhor.
– Disse ela apontando para um homem já de alguma idade, que caminhava calmamente por entre as pessoas.
- Sim. Que tem?
- Olha bem para ele. Tem o olhar triste. Parece que está passear, mas na verdade está a observar os outros. Possivelmente porque é uma pessoa sozinha, sem família, sem amigos, sem ninguém. E repara, não é o único com o mesmo comportamento. –
Disse ela apontando para mais algumas pessoas que passavam despercebidas por entre a multidão.
- São pessoas solitárias, a cidade está cheia delas… Toda a gente sabe, toda a gente finge não saber.
Ela baixou os olhos, perante a resposta. – “É triste…” – Pensou. Mas não foi capaz de dizer algo. Na cidade a solidão era mais evidente. O rosto daquelas pessoas tristes era doloroso para quem era de fora.
O som do telemóvel a assinalar nova mensagem fez-se ouvir novamente. Parecia ter vindo no momento certo para quebrar o peso no coração que sentia. Novamente ele não leu a mensagem até ao fim e apagou-a.
- O tempo está estranhamente quente para esta altura do ano. – Disse ela.
- Ainda bem. Gosto que haja tempo quente no Natal.
O sol de Inverno brilhava com bastante intensidade, atingindo em cheio aquela varanda, transformando aquele meio de tarde num clima de Verão.
Apesar do calor, ela, no seu coração, não conseguia deixar de pensar em toda a solidão e toda a pobreza que existia e como esses sentimentos são frios. Na altura do Natal fazem festas solidárias, angariam dinheiro, roupas e comida e o resto do ano? Pensou naquilo que já sabia:
“Temos sorte por ter família, amigos, dinheiro suficiente para conforto, prendas e pequenos luxos que achamos tão normais, que nos esquecemos que são um luxo. Depois damos um pouco do que nos sobra a uma causa qualquer e achamos que já contribuímos o suficiente… Na realidade somos hipócritas…”
- O Natal não devia ser assim…
- Disse ela.
- Então como deveria ser? – Perguntou ele.
- …
Ela não foi capaz de responder.
A tarde já estava a terminar e já se começava a sentir o frio que a noite iria trazer. Ele abraçou-a carinhosamente e ela sentiu-se aconchegada no calor dos seus braços fortes. Ela sentiu-se feliz.
- Vamos para dentro. – Disse ele.
Ela acenou com a cabeça concordando. Os dois entraram para o conforto do apartamento entre brincadeiras de um casal apaixonado. Lá dentro o calor e a alegria, deram lugar ao esquecimento daquela conversa, daqueles sentimentos, daquela gente triste e solitária… Afinal era Natal...










Within Temptation - Gothic Christmas