sábado, outubro 04, 2008

DESEJO CUMPRIDO


Cheiras a morte...
Desejaste a vida
Mas a vida que desejaste
Está morta
Uma morte bruta
Nefasta, putrefacta
Fria, desgastante
E choras
Para aliviar a dor
Choras
Tal como antes
Com peso nas costas
E coração apertado
Choras
Porque o teu desejo se cumpriu...





Metallica - Until It Sleeps

sábado, setembro 27, 2008

TEMPO SÓ MEU



Sinto falta de algo que ficou esquecido.
Algo que nunca foi lembrado.
Quem sabe até nunca foi vivido…
Mas sinto falta desse algo inquietante…
Talvez esteja a ser egoísta,
Por sentir esta espécie de saudade,
Um pouco triste e desanimada,
Perdida num tempo só meu.
Quis dar nome a este sentimento,
Mas a boca ficou calada.
Silencio é o seu nome!
Desta espécie de saudade…
Saudade que talvez não esteja só…
Quantos mais sentimentos funestos
Acompanham esta ânsia sem nome?
Silêncio fala comigo!
Diz-me aquilo que eu não sei!
Ou se calhar até sei,
Mas não consigo exprimir…
Por isso dou vida a esta saudade calada,
Que me atormenta por entre a rotina,
Me dá insónias quando estou acordado,
E deixa longe o meu olhar…









POISONBLACK - BEAR THE CROSS

sábado, setembro 13, 2008

BEM VISTAS AS COISAS



Não sei porque tentam ver em mim
Aquilo que não sou.
Não percebo porque desejam
Que eu encarne os seus receios.
Eu não sou assim.
Mas aparentemente querem que seja.
Parece que desejam no seu íntimo,
Coroar-me como o Messias dos seus medos.
Talvez não saibam ser felizes…
Ou talvez no seu inconsciente,
Tenham medo da felicidade.
(Ou se calhar conscientemente…)
Não sei.
Não sou psicólogo.
Nem vou perder o meu tempo com isso.
Froid que os entenda.
E no fundo.
Bem vistas as coisas.
Sinceramente pouco me importa
Se querem ver em mim
Algo que não sou.
Até porque aos poucos,
Segundo a sua vontade
E perante tanta insistência
Mesmo sem querer,
Torno-me nisso mesmo…






REMEMBER- ICON AND THE BLACK ROSES

sábado, setembro 06, 2008

SABE-SE LÁ AONDE


A sala estava muito pouco iluminada, a única luz existente provinha das duas velas acesas que se encontravam em cima da mesa perfeitamente posicionada no centro da divisão. Havia uma estranha energia no ar que antecipava algo que iria acontecer. O silêncio era tão forte que enlouquecia. Duas portas, uma a norte, outra a sul, davam acesso aquele obscuro compartimento situado sabe-se lá aonde. A única certeza era que algo ia acontecer.
A expectativa foi quebrada quando a porta do lado sul começou a ranger e lentamente se foi abrindo, revelando uma silhueta de mulher. Era ainda jovem, mas consigo trazia muitas vidas vividas, muitas mortes sofridas e a força daquelas que num passado de trevas padeceram entre o fogo. Os seus olhos brilhavam, lubrificados pelas lágrimas que só o amor pode criar. Ela ficou parada, olhando a outra porta, por entre a penumbra e o silêncio.
Não se sabe ao certo quanto tempo passou, até que a porta do lado norte se abrisse também, mas o ambiente gerado fez parecer uma eternidade. Então no outro extremo revelou-se outro vulto, desta vez masculino. Tinha o olhar frio e implacável de um guerreiro invencível, mas nas suas costas o peso de toda a mesquinhez que a vida possuiu. O seu rosto parecia cansado e o seu coração de pedra secretamente desejava bater quente.
Os dois dirigiram-se para a mesa, sentando-se um em cada extremo. Não trocaram palavras, mas os olhares que cruzaram falavam uma linguagem mágica que o mundo não compreende e com os seus conhecimentos ocultos, iniciaram um ritual de feitiçaria onde trouxeram à vida as amarguras suportadas pelos seus corações humanos. Ódio, amor, raiva, paixão, ganância… Tudo isto mostraram um ao outro, que com uma força que não pode ser compreendida foram aos poucos anulando. E lentamente uma luz interior renasceu neles. Já não eram os mesmos que entraram. Os seus rostos estavam diferentes. As forças ocultas que guardavam em segredo tinham-se restaurado num estranho ritual, onde energias opostas, masculino e feminino, anularam as correntes que os aprisionavam.
Sorrindo levantaram-se, saindo pelas mesmas portas que haviam entrado, deixando aquela estranha sala enfeitiçada, perdida num tempo e num espaço, onde magia aconteceu e corações se restauraram. Para, quem sabe, um dia voltarem…






Magica - All waters have the colour of drowning

sábado, agosto 30, 2008

SACERDOTISA DA LUA


Encanta-me com o teu canto calado. 
A tua pele suave como seda,
O teu olhar de cristal luminoso,
Teus lábios rubros como sangue.
Enfeitiça-me com a tua noite mágica.
Refresca-me em teu braços,
Serenos como aguas de um lago calmo,
Enquanto a tua paz me abstrai,
Para um mundo sem desordens.
Inebria-me em tua voz encantada,
Como uma sereia a um humilde marinheiro.
Deixa que o esquecimento me lave,
De tudo que em mim é impuro.
Inibe-me de desejos, ambições e cansaço.
Despe-me o peso da armadura,
Riscada por batalhas incontáveis.
Leva para longe a minha espada,
Para que não trespasse a carne da pureza.
Serena-me como só tu sabes.
Sob o contemplar resplandecente da tua mãe:
Lua;
Que me ilumina nas trevas;
Me encanta na noite intensa;
E te envia a mim…
Ninfa sem nome…
Que apazigua a minha alma…
Para que por entre fragmentos de tempo,
Me devolvas à inocência…

sábado, agosto 23, 2008

DUVIDANDO DE MIM MESMO



A dúvida habita a minha mente
Não sei o que escolher
Não sei o que querer
Se aquilo que quero hoje
Amanhã já estará esquecido
A dúvida é o meu vício
Mesmo que haja certeza
Gosto do momento da escolha
Ainda bem que assim é
Já que a vida é feita de escolhas
Boas ou más só o tempo o dirá
Mas tudo começa com a dúvida
Por isso deixo-me levar por ela
Seguindo as escolhas que me surgem
E as escolhas que crio
Não sei quem sou hoje
Ou se calhar até sei
Certo é que não sei quem serei amanhã
Apenas a certeza
De que dúvidas terei sempre
Mesmo que haja certezas
E escolhas terão de ser feitas








Guns N' Roses - You Could Be Mine

sábado, agosto 16, 2008

O COMBATE



Não te iludas
Isto é uma guerra.
Uma guerra diferente.
Porém, uma guerra.
Quando te olho com desejo,
Te aperto com ardor,
E beijo obsceno,
Como um lobo ao devorar a presa.
Não te deixes iludir,
Pelas sensações que te invadem.
Pelo calor que o teu corpo sente,
O arrepio que te percorre a espinha
E os suores que te alagam,
Tal como uma alma em êxtase.
É uma guerra,
Que não faz prisioneiros.
Quando te rasgo a roupa,
Provo o teu corpo exposto,
Te faço delirar com luxúria
E entro em ti como um demónio.
Eu sei que é uma guerra,
Quando me cravas as unhas nas costas,
Gritas ofegante em delírio
E te entregas ao combate,
Como um tigre assanhado.
Não te iludas.
Tudo isto é uma batalha.
Sem regras.
Quando nos possuímos,
Obscenos,
Loucos,
Pecaminosos,
Despidos.
Nos mordemos,
Arranhamos,
E saciamos o nosso corpo.
Não te iludas.
Pois nesta guerra,
Os sentimentos morrem.
É apenas a carne que manda.
A intuição que governa.
E o desejo que se sacia…







Dark Moor - The Chariot