Os anjos cantam um hino de glória
Um feitiço lançado ao vento
Invocando a si paixão entre sonhadores
A magia oferecida pelos Deuses
Traz vida eterna neste ritual
Em que os sonhadores se tentam
Vês um mundo cheio de raiva
Escutas um mundo cheio de mágoa
Cada dia que passa algo novo
Mas a mensagem é sempre a mesma
Grande é o fardo da tua solidão
Refugias-te num doce sonho
Para fugir ao teu vazio
Mesmo assim adias a noite
Em que os Deuses te elevam às estrelas
E te mostram a magia do infinito
Perguntas-me o porquê
Mas eu apenas te posso mostrar
O que é sentir esta magia gloriosa
Com o poder de atravessar o infinito
O teu coração recusa-se a escolher
Aquilo que foste destinada a ser
Mas apenas adia a noite
Em que os deuses nos convocam para o ritual
E nos mostram a magia do universo
Continuas a lutar contra as mágoas do mundo
Convencida que as vences a todas
E choras de desespero
Agarrada aquilo em que tentas acreditar
Tentando mostrar que não tens medo
E perguntas-me o porquê
De sermos eleitos pelos Deuses
Para viver esta magia gloriosa
Fundindo-nos com o próprio infinito
E os anjos cantam fantásticos hinos de glória
Enquanto um feitiço é lançado ao vento
Invocando a si esta união de heróis
Fazendo chover sobre nós magia
Tornando este momento imortal
Neste ritual em que os sonhadores se encontram
Enquanto o sol brilha sobre ti
E a escuridão cobre os demais
E estes se negam a ver os primeiros raios
Abre as tuas asas ardentes
Ergue-te no ar mostrando a tua luz
Os teus olhos são uma fogueira
Que queimam a alma dos loucos
As tuas asas ardem em glória
O teu voo fascina os sonhadores
Mostrando a luz da verdade
Agora que todos te admiram
E tu te elevas bem alto
Enquanto abres as tuas asas
O fogo do teu voo fascina
E gritas bem alto o teu sonho
Os teus olhos vêem para além do horizonte
Enquanto voas nas asas de um sonho
Agora sabes o dom da liberdade
E as tuas asas não se vão queimar
Enquanto voas junto ao sol
Voa
Na tua vida
Tal como uma águia
Voa
Tão alto como o sol
Na tua vida
Tal como uma águia
Voa
Toca o sol

Estava sozinho num mundo desolado. Encontrava-me rodeado de ruínas, numa enorme planície, que outrora tinha sido uma utópica cidade. Conseguia lembrar-me bem da sua magnificência. Mas agora tudo era ruína. Como se assim estivesse à milhares de anos, abandonado. Ao longe conseguia ver umas montanhas. A cobrir tudo estava uma poeira cinzenta e espessa. Os céus estavam vermelhos, como se estivessem ensanguentados. E a mancha de sangue ia aumentando a pouco e pouco com o passar do tempo. Tudo era desolação… Tudo era silêncio… Tudo era vazio…
Estava um frio estranho, pois não era desconfortável. Era como se o frio não me afectasse. Eu passeava-me no meio daquela angústia, em busca de algo, ou alguém. Usava uma armadura brilhante que contrastava com toda a ruína em meu redor. Quem era eu? Não sei. Talvez a mistura de todas as minhas vidas, numa só existência vã.
Caí de joelhos no chão e perguntei ao sangue que cobria os céus:
- Quem fez isto? Foram os homens?
Não obtive resposta. Então perguntei novamente:
- Porque é que teve de acabar?
Então o sangue respondeu:
- Tem de recomeçar novamente. Tudo que termina tem um principio, esse principio sucede a um fim. É um ciclo…
Eu respondi:
- Porquê assim? Porquê? Porquê?...
Não obtive resposta, mas no fundo eu sabia o porquê. Então perguntei:
- E eu? Que vai acontecer?
O sangue que inundava os céus respondeu:
- Tu viverás novamente, no novo mundo, como viveste até hoje…
Baixei os olhos resignado. Queria contestar, mas não tinha argumentos nem tão pouco palavras. Apenas disse:
- Porquê? Criação... Crescimento… Destruição…
Nesse momento a minha mente foi assolada por recordações. Aquele momento, vivido vezes e vezes sem conta. Aquele momento que era o fim, mas também o principio, vivido incontáveis vezes. Incontáveis vezes em que tudo que conhecemos é criado e destruído num ciclo vicioso. Na esperança de um dia alcançar a perfeição.
Resignado tirei a armadura, de nada me era necessária. Rapidamente ficou coberta pelo pó cinzento. Eu encostei-me, à espera, cansado. Não consegui conter uma só e única lágrima que me escorreu pelo rosto. Nem sequer me dei ao trabalho de a provar…
Não sei se era sonho, ou lembrança…
Eis-me aqui, no cimo do Olimpo
Eis-me aqui, no cume do mundo
No fascínio desta imensa solidão
Rodeado por maravilhas concedidas pelos deuses
Eis-me deslumbrado pelo vazio aconchegante
Eis-me aqui, acima dos demais, observando
Encantado pela voz silenciosa da solidão
Longe, tão perto
Aqui, na morada dos Deuses
Aqui, no imponente Olimpo
É-me revelada a paz silenciosa
O meu coração ouve calado
As maravilhas do infinito
Enquanto os demais se perdem na podridão do mundo
Eu fico sozinho
Triste, feliz
Encho o meu coração de paz
E olho o mundo humano
Caído em decadência
Sinto pena…
Mas fico aqui no imponente Olimpo
Enquanto a solidão me enche de paz
E o meu coração renasce
Aqui, no cimo do imponente Olimpo
1º de Agosto
É amanha dia 1 de Agosto
E tudo em mim é um fogo posto
Sacola ás costas, cantante na mão
Enterro os pés no calor do chão
É tanto o sol pelo caminho
Que vendo um, não me sinto sózinho
Todos os anos, em praias diferentes
Se buscam corpos sedosos e quentes
Adoro ver a praia dourada
O estranho brilho da areia molhada
Mergulho verde nas ondas do mar
Procuro o fundo pra lhe tocar
Estendido ao sol, sem nada dizer
Sorriso aberto de puro prazer
letra: Tim
música: Xutos & Pontapés