sexta-feira, março 10, 2006

FOGO


Fénix
Ave fabulosa
De porte magnifico
Asas abertas flamejantes
E corpo inflamado

Tu que fazes das tuas cinzas
E da tua destruição
O teu poder imenso
Sem fim
Nem limites

Tu que pelo fogo
Renasces irada
Vezes e vezes sem conta
Cada vez mais esplendorosa
Cada vez mais gloriosa

A ti Fénix
Ave imortal e heróica
A ti invoco
Que o teu poder invada
O meu frágil coração humano

Que a tua magnificência e glória
Encham o meu peito de honra
Que a chama da tua grandeza
Corra pelas minhas veias
Fazendo viver o meu sangue melancólico

Que a luz deslumbrante do teu fogo eterno
Torne de novo o meu olhar ardente
Reflectindo as histórias de mil mundos
Encha o meu peito de coragem e bravura
E de novo me torne
No mais sereno dos guerreiros

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

ASSIM...


Mergulhei naquele olhar
E sonhei um pouco…
Embriaguei-me naqueles lábios
E desejei beijá-los…
Num breve momento de fascínio
Conheci aquele ser e deslumbrei-me
As nossas almas deram as mãos
E dançaram ao som da atracção…
Como um novo universo
A ser criado nesse momento
Creio que me esqueci da vida
E sorri…


sexta-feira, fevereiro 10, 2006

GLÓRIA



Zeus
Trovejante
Tu que governas o Olimpo
Olha agora para o teu filho
A ti dedico a minha espada
No meu escudo trago o teu sinal



Zeus
Pai dos Deuses e dos homens
Ante ti me prostro agora
Faz com que eu não fraqueje
Dá-me força para erguer bem alto
Esta espada que te dedico
Dá-me calma para que segure
Este escudo que te representa



Zeus
Senhor dos céus
Acalma a ira das nuvens
Pede ao sol que aqueça novamente
Dá a este teu filho
A capacidade de sentir novamente
Não me deixes cair no esquecimento
Nem me deixes levar pela cobardia
Honra-me
Coroa-me de glória
Ergue-me novamente no calor
Faz com que o sol brilhe sobre mim
E a lua ilumine a minha noite








sexta-feira, fevereiro 03, 2006

NÃO SEI PORQUÊ...



Ela cativou-me e por isso aceitei o seu convite.
Há muito que não me deixava cativar, talvez por isso me tenha entregado tão rápido.
Não sei como, mas ela conhece os segredos da magia. Ela cativou-me e eu deixei-me cativar.
- “Entra no Sonho comigo, leva-me à Lua e daí onde tu quiseres”… - disse-me ela ansiosa. Ela sabia sonhar… Não sei como, mas ela sabia sonhar.
Ela cativou-me e eu levei-a à Lua, o seu Santuário, longe do mundo. Vi a sua beleza. Vestia de negro e na sua mão tinha uma fita branca coberta de magia. Estava feliz, vi no seu sorriso.
Revelei-me então. Pedi que amarrasse a sua mão à minha com a fita mágica, não sei porque, mas quis-me sentir seu prisioneiro. Abracei-a procurando a sua fragilidade.
Não sei porque, mas também me vesti de preto e ela questionou-me o porquê…
- “É apenas poder”. – respondi. Mas porque precisava eu de poder?
Chegou o momento e abri as asas, negras, magnificentes… Abri de tal forma que o vento produzido moveu as estrelas.
- “Um anjo negro”. – murmurou emocionada.
Sim, um anjo negro…


sábado, janeiro 28, 2006

APATIA


De repente tudo ficou calmo!
O vento forte que soprava deixou de se sentir. As árvores ficaram imóveis. As nuvens tempestuosas e os fortes trovões apocalípticos afastaram-se, dando lugar ao sol quente. O som das espadas a cruzarem as lâminas e a cortarem a carne deixou de se ouvir, tal como os gritos de agonia e aflição que serviam de banda sonora a este cenário.

De repente tudo ficou tão calmo!
O rio que corria vermelho, banhado pelo sangue de inocentes derramado, corria agora límpido. As feridas daqueles que ainda viviam sararam e os corpos daqueles que jaziam no chão, sem vida e mutilados, desapareceram.

De repente tudo ficou estranhamente calmo!
Os olhos dos inimigos abriram-se e o ódio que os unia desapareceu. As espadas enferrujaram até que se transformaram em pó e toda a mágoa nos corações humanos foi esquecida. O cheiro pútrido que se sentia no ar deu lugar ao perfume das flores que agora brotavam.

De repente tudo ficou demasiado calmo!
Fiquei parado, numa estranha apatia e então apercebi-me que o meu coração estava vazio e os meus sonhos eram agora vãos, nem as lágrimas de sangue me salvavam. Tudo que vi no horizonte era loucura. Então perdi as forças, caí por terra e desisti. Estava tudo demasiado calmo…



sexta-feira, janeiro 20, 2006

PALAVRAS II


- Sabes, aprendi muitas verdades.
- Que tipo de verdades?
- As verdades pessoais de muita gente.
- Mas essas são apenas verdades para a pessoa em questão…
- Eu sei.
- Então porque aprendeste essas verdades?
- Para tentar compreender as pessoas.
- E compreendeste?
- Algumas sim, outras não.
- O que fizeste aquelas que não compreendeste?
- Aceitei-as…
- Simples, mas eficaz…
- Muita gente me tentou impingir a sua verdade, como se essa fosse a verdade universal.
- Já conheci muitos assim…
- Outros, tentaram impingir-me uma mentira, a sua mentira pessoal, como se fosse uma verdade.
- Sim, gente que vive na ilusão e pensa que tem o mundo nas mãos.
- Dão-me pena…
- Também a mim…
- Mas única verdade que eu ponho em prática é a minha…
- Como é essa verdade?
- Uma verdade, como qualquer outra verdade pessoal… Um conjunto de experiências de vida e as conclusões que tiro das mesmas.
- Percebo…
- Claro que é uma verdade sujeita a alterações, conforme a vida…



sexta-feira, janeiro 13, 2006

TALVEZ




Um novo dia começa novamente
O sol nasce, o sol morre
Reinicia-se o ciclo da decadência
A noite nasce, a noite morre

A balança das escolhas pesa novamente
E uma decisão antiga cai por terra
É o ciclo das ilusões que se reinicia
É a ânsia das mentiras que nos rege

Toda a vida se baseia em fantasia
Tornando vazios os nossos sonhos
E a nossa ilusão tristemente desejada
Tem como destino apenas mais uma mentira

Liberta-me se conseguires
Pois o meu paraíso é uma mentira
Tenta libertar-me se conseguires
Com isso a que chamas amor

Liberta-me, pois essa é a minha ânsia
O meu paraíso é uma ilusão dolorosa
Por isso tenta libertar-me sem medo
Com essa outra ilusão a que chamas amor

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