sexta-feira, fevereiro 17, 2006
ASSIM...
Mergulhei naquele olhar
E sonhei um pouco…
Embriaguei-me naqueles lábios
E desejei beijá-los…
Num breve momento de fascínio
Conheci aquele ser e deslumbrei-me
As nossas almas deram as mãos
E dançaram ao som da atracção…
Como um novo universo
A ser criado nesse momento
Creio que me esqueci da vida
E sorri…
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
GLÓRIA
Trovejante
Tu que governas o Olimpo
Olha agora para o teu filho
A ti dedico a minha espada
No meu escudo trago o teu sinal
Zeus
Pai dos Deuses e dos homens
Ante ti me prostro agora
Faz com que eu não fraqueje
Dá-me força para erguer bem alto
Esta espada que te dedico
Dá-me calma para que segure
Este escudo que te representa
Zeus
Senhor dos céus
Acalma a ira das nuvens
Pede ao sol que aqueça novamente
Dá a este teu filho
A capacidade de sentir novamente
Não me deixes cair no esquecimento
Nem me deixes levar pela cobardia
Honra-me
Coroa-me de glória
Ergue-me novamente no calor
Faz com que o sol brilhe sobre mim
E a lua ilumine a minha noite

sexta-feira, fevereiro 03, 2006
NÃO SEI PORQUÊ...

Ela cativou-me e por isso aceitei o seu convite.
Há muito que não me deixava cativar, talvez por isso me tenha entregado tão rápido.
Não sei como, mas ela conhece os segredos da magia. Ela cativou-me e eu deixei-me cativar.
- “Entra no Sonho comigo, leva-me à Lua e daí onde tu quiseres”… - disse-me ela ansiosa. Ela sabia sonhar… Não sei como, mas ela sabia sonhar.
Ela cativou-me e eu levei-a à Lua, o seu Santuário, longe do mundo. Vi a sua beleza. Vestia de negro e na sua mão tinha uma fita branca coberta de magia. Estava feliz, vi no seu sorriso.
Revelei-me então. Pedi que amarrasse a sua mão à minha com a fita mágica, não sei porque, mas quis-me sentir seu prisioneiro. Abracei-a procurando a sua fragilidade.
Não sei porque, mas também me vesti de preto e ela questionou-me o porquê…
- “É apenas poder”. – respondi. Mas porque precisava eu de poder?
Chegou o momento e abri as asas, negras, magnificentes… Abri de tal forma que o vento produzido moveu as estrelas.
- “Um anjo negro”. – murmurou emocionada.
Sim, um anjo negro…
sábado, janeiro 28, 2006
APATIA
De repente tudo ficou tão calmo!
O rio que corria vermelho, banhado pelo sangue de inocentes derramado, corria agora límpido. As feridas daqueles que ainda viviam sararam e os corpos daqueles que jaziam no chão, sem vida e mutilados, desapareceram.
De repente tudo ficou estranhamente calmo!
Os olhos dos inimigos abriram-se e o ódio que os unia desapareceu. As espadas enferrujaram até que se transformaram em pó e toda a mágoa nos corações humanos foi esquecida. O cheiro pútrido que se sentia no ar deu lugar ao perfume das flores que agora brotavam.
De repente tudo ficou demasiado calmo!
Fiquei parado, numa estranha apatia e então apercebi-me que o meu coração estava vazio e os meus sonhos eram agora vãos, nem as lágrimas de sangue me salvavam. Tudo que vi no horizonte era loucura. Então perdi as forças, caí por terra e desisti. Estava tudo demasiado calmo…
sexta-feira, janeiro 20, 2006
PALAVRAS II
- As verdades pessoais de muita gente.
- Mas essas são apenas verdades para a pessoa em questão…
- Eu sei.
- Então porque aprendeste essas verdades?
- Para tentar compreender as pessoas.
- E compreendeste?
- Algumas sim, outras não.
- O que fizeste aquelas que não compreendeste?
- Aceitei-as…
- Simples, mas eficaz…
- Muita gente me tentou impingir a sua verdade, como se essa fosse a verdade universal.
- Já conheci muitos assim…
- Outros, tentaram impingir-me uma mentira, a sua mentira pessoal, como se fosse uma verdade.
- Sim, gente que vive na ilusão e pensa que tem o mundo nas mãos.
- Dão-me pena…
- Também a mim…
- Mas única verdade que eu ponho em prática é a minha…
- Como é essa verdade?
- Uma verdade, como qualquer outra verdade pessoal… Um conjunto de experiências de vida e as conclusões que tiro das mesmas.
- Percebo…
- Claro que é uma verdade sujeita a alterações, conforme a vida…
sexta-feira, janeiro 13, 2006
TALVEZ
Um novo dia começa novamente
O sol nasce, o sol morre
Reinicia-se o ciclo da decadência
A noite nasce, a noite morre
A balança das escolhas pesa novamente
E uma decisão antiga cai por terra
É o ciclo das ilusões que se reinicia
É a ânsia das mentiras que nos rege
Toda a vida se baseia em fantasia
Tornando vazios os nossos sonhos
E a nossa ilusão tristemente desejada
Tem como destino apenas mais uma mentira
Liberta-me se conseguires
Pois o meu paraíso é uma mentira
Tenta libertar-me se conseguires
Com isso a que chamas amor
Liberta-me, pois essa é a minha ânsia
O meu paraíso é uma ilusão dolorosa
Por isso tenta libertar-me sem medo
Com essa outra ilusão a que chamas amor
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sexta-feira, janeiro 06, 2006
AMOR / ODIO
Saboreias o pesadelo da tua dor
Baixas o teu olhar submisso
Eu observo, incapaz de sorrir
É a mágoa torturante que nos acaricia
O meu olhar frio desespera
Os teus lábios tristes chamam-me
Sinto-te implorar por salvação
Mas eu não estou presente
Maravilho-me com as tuas lágrimas
Apenas triste por não te salvar
Sinto a tua agonia desesperada
É a mesma agonia que me aprisiona
Tento ignorar esta tentação cruel
Por isso não te salvo dessa aflição
Fico apático perante a tua mágoa
Deixo-te afogar nas tuas lágrimas
Deixo-me levar por este castigo
Puno-me a mim mesmo por esta dor
Mas deixo-te provar as lágrimas
Este martírio une-nos os dois
Num sofrimento flagelante de prazer
Solta os teus medos aterrorizantes
Agora a solidão e indiferença reinam
A tua dor transforma-se em lágrimas
Tu desesperas sem salvação
Eu nada faço para me redimir
Deixo as tuas lágrimas de angústia correr
Apenas sofro com o teu desgosto
