sábado, novembro 12, 2005

PALAVRAS



- Sabes, já conheci muita gente sonhadora na minha vida…
- Sim… Eu também…
- Muitos mudaram e perderam a capacidade de sonhar com o tempo e com a rotina. Outros, com as adversidades da vida deixaram de acreditar em sonhos. Outros ainda, com essa adversidade voltaram a sonhar, mas refugiaram-se na sua fantasia, vivem na ilusão…
- Outros ainda, criticam os que sonham, mas sonham em segredo… Por algum motivo estúpido não dão ouvidos à sua fantasia…
- Não conseguem perceber que o sonho revela a verdade, a força e a paz…
- As pessoas que sonham são mágicas…
- Sim… Tal como uma criança com os seus sonhos inocentes.
- Não sabem que encerram magia…
- Não sei se inveje uma criança por ser mágica, ou se inveje alguém que não sonhe por viver na ignorância…
- Acho que é um caminho que Deus traça para nós. Tu aceitaste-o…
- Diz-me… Nunca te apeteceu desistir…
- Sim, várias vezes…
- Porque não desististe?
- Tu sabes…
- Sim… Acho que sim… Apesar de tentar negar a mim mesmo…
- O vazio frio e a ânsia que não morre…
- …a ânsia do nosso outro eu…
- É um caminho onde não se pode voltar para trás…
- Mas é um caminho solitário…
- Mas pensa nas coisas belas que encontraste.
- Sim, tanta coisa. Se fosse apenas mais alguém não teria visto.
- Nem saberias que estava lá…
- Sim…
- Sabes, tal como tu gostava de mostrar aos outros aquilo que vi e o que vou ver ainda.
- Já tentei…
- E conseguiste?
- Não. Apenas consegui mostrar a direcção…
- E quando pensas que conseguiste…
- As pessoas mudam. Nas suas promessas esquecem o factor da mudança.
- Outras sabem que se seguirem nessa direcção não podem voltar…
- Sim. Preferem a ignorância. Não censuro…
- Por isso desisti…


quarta-feira, novembro 09, 2005

SANIDADE



Eu vi os monstros horrendos que perseguem a sanidade…
Assemelhavam-se a cães, mas andavam de pé como os homens. Os seus corpos eram uma mistura de homem com cão. Eram negros como a noite. A tapar as partes baixas, tinham uma espécie de saia, feita de um tecido magnífico de cor dourada. Parte do peito, ombros, pescoço, e cabeça eram feitos de ouro. Mas o ouro era como pele. Era flexível. As cabeças eram de cães. E do ouro duro abriam-se bocas horrendas com dentes enormes. Os olhos eram como uma luz vermelha. As orelhas eram asas de ouro. Emitiam sons arrepiantes que aterrorizavam, gelavam os músculos e arrepiavam os ossos. Transformavam o dia em noite. A felicidade em agonia.
Na mão direita traziam uma espada negra e dela saia um fogo de cor azul que hipnotizava.
Eles passaram por mim, porém não me tocaram, nem me viram, pois eu era sonho. E eu sendo sonho, não me podem tocar.
Se um monstro for sonho, aí está a perdição. Pois se os monstros forem sonho, não há como fugir.

sábado, outubro 29, 2005

A MANEIRA DE ME ENTREGAR


Aceita esta rosa negra que te dou
Ela significa aquilo que de mais belo,
Mais puro, mais sincero que te posso dar…
Sabes o que significa?
Ela significa o meu lado negro,
O meu lado mais obscuro,
Aquela parte de mim que tento ignorar,
Que tento esconder do mundo…
A ti ofereço o meu maior segredo
Confio-te assim a minha escuridão,
Para que a guardes na tua luz…
Desta forma me entrego a ti
Me torno frágil nas tuas mãos
É nesta rosa negra que te dou
Que te demonstro o quanto te quero…
Conheces agora o meu lado mais íntimo
És prova da minha entrega…
Por isso te dou esta rosa negra,
O mais belo símbolo de amor
Que te posso dar…

h

sábado, outubro 22, 2005

MORRES PARA O SONHO




No calor da noite,
Iluminada pela lua cheia.
Gloriosa e bela.
No seu esplendor iluminado,
Assisto à cerimónia,
Do fim da tua aventura sonhadora.
Carrego o teu corpo belo.
Quase no fim das tuas forças,
Lutas para manter os olhos abertos.
O fim dos teus sonhos,
Dão-te uma beleza transcendente.

Deito-te no altar do fim da tua fantasia.
Contempla a beleza,
Deste templo magnifico.
Delicio-me com a visão do teu rosto pálido,
Quase sem emoções.
Mesmo antes de fechares os olhos,
Dou-te um último beijo,
Provando a doçura dos teus lábios,
Uma última vez,
Enquanto ainda estão quentes,
Mesmo antes de gelarem,
Sem o calor dos sonhos.
Um ultimo beijo sonhador.

E afasto-me,
Enquanto observo os teus olhos fecharem.
Uma lágrima solitária que cai do teu rosto,
Enquanto o teu corpo gela,
E os sonhos te abandonam,
E a tua vida se torna morta.
Eu afasto-me,
De volta ao gelo quente da minha fantasia.

Talvez um dia te acorde,
Te traga de novo à vida,
Te devolva a força de sonhar,
Com um beijo ardente,
Nos teus lábios gelados,
Te devolva um sorriso sincero,
E o calor ao coração.




d


segunda-feira, outubro 17, 2005

DANÇO COM O TEU VAZIO




Agora estás vazia
Com o olhar perdido no passado
Um sorriso melancólico
E uma apatia no rosto
A tua nostalgia torna-te bela
Uma luz apagada na escuridão

As lágrimas que choras ao deitar
Contam Histórias que me fascinam
De sonhos destruídos e ilusões perdidas
Só um louco como eu entende a beleza
Que um coração partido tem
No seu bater sem vida

Na tua gargalhada simulada
Tentas esquecer o abismo em que caíste
E a mágoa que te acaricia
És linda na tua tristeza
E cada lágrima que vertes
É uma jóia brilhante e inestimável

O teu vazio atrai-me
Como um vórtice para outro mundo
O teu novo mundo cinzento
Onde te perdes por jardins sem vida
E a tua nostalgia se torna beleza
Esquecida num mundo sem sentido


segunda-feira, setembro 19, 2005

BEM-AVENTURADOS...




Bem-Aventurados aqueles que partem o coração, pois deles são as lágrimas mais puras...

Bem-Aventurados os loucos, pois deles é a sabedoria mais genuína…

Bem-Aventurados aqueles que sorriem sob o peso de um coração melancólico, pois deles é a alegria mais amarga…


Bem-Aventurados os que vivem no calor da noite, pois deles é a luz mais verdadeira…


Bem-Aventurados os solitários, pois deles são as noites mais frias…


Bem-Aventurados os sonhadores, pois vivem a vida mais intensa…


Bem-Aventurados os apaixonados, pois deles é o desejo mais ardente…



terça-feira, setembro 13, 2005

UMA LUZ DE ALEGRIA



O amanhã é um olhar doce
É um sorriso pacífico
É a voz da serenidade
Que chama por mim nas minhas fantasias
Já está longe o sorriso triste
O espelho de um coração melancólico
É a ternura da harmonia
Que me aconchega no seu calor

Nas minhas veias o sangue corre quente
Nos meus lábios está o sorriso da minha alegria
O meu olhar perde-se por entre um mar de estrelas
Está perdido mas sabe para onde vai
O meu olhar já não está fixo no nada
Já não ruma sem direcção
Segue a luz da serenidade
Que o chama com o seu esplendor

Dou-lhe a minha mão agora inocente
Vejo o seu olhar explodir em milhões de cores
Vejo o ardor forte de uma paixão a nascer
Sigo feliz o caminho incerto da tranquilidade
Já sei o caminho que vou seguir
Já sei o marco que me guia
Já respiro fundo o oxigénio da paixão
E sigo o caminho da paz e da serenidade