sábado, outubro 22, 2005

MORRES PARA O SONHO




No calor da noite,
Iluminada pela lua cheia.
Gloriosa e bela.
No seu esplendor iluminado,
Assisto à cerimónia,
Do fim da tua aventura sonhadora.
Carrego o teu corpo belo.
Quase no fim das tuas forças,
Lutas para manter os olhos abertos.
O fim dos teus sonhos,
Dão-te uma beleza transcendente.

Deito-te no altar do fim da tua fantasia.
Contempla a beleza,
Deste templo magnifico.
Delicio-me com a visão do teu rosto pálido,
Quase sem emoções.
Mesmo antes de fechares os olhos,
Dou-te um último beijo,
Provando a doçura dos teus lábios,
Uma última vez,
Enquanto ainda estão quentes,
Mesmo antes de gelarem,
Sem o calor dos sonhos.
Um ultimo beijo sonhador.

E afasto-me,
Enquanto observo os teus olhos fecharem.
Uma lágrima solitária que cai do teu rosto,
Enquanto o teu corpo gela,
E os sonhos te abandonam,
E a tua vida se torna morta.
Eu afasto-me,
De volta ao gelo quente da minha fantasia.

Talvez um dia te acorde,
Te traga de novo à vida,
Te devolva a força de sonhar,
Com um beijo ardente,
Nos teus lábios gelados,
Te devolva um sorriso sincero,
E o calor ao coração.




d


segunda-feira, outubro 17, 2005

DANÇO COM O TEU VAZIO




Agora estás vazia
Com o olhar perdido no passado
Um sorriso melancólico
E uma apatia no rosto
A tua nostalgia torna-te bela
Uma luz apagada na escuridão

As lágrimas que choras ao deitar
Contam Histórias que me fascinam
De sonhos destruídos e ilusões perdidas
Só um louco como eu entende a beleza
Que um coração partido tem
No seu bater sem vida

Na tua gargalhada simulada
Tentas esquecer o abismo em que caíste
E a mágoa que te acaricia
És linda na tua tristeza
E cada lágrima que vertes
É uma jóia brilhante e inestimável

O teu vazio atrai-me
Como um vórtice para outro mundo
O teu novo mundo cinzento
Onde te perdes por jardins sem vida
E a tua nostalgia se torna beleza
Esquecida num mundo sem sentido


segunda-feira, setembro 19, 2005

BEM-AVENTURADOS...




Bem-Aventurados aqueles que partem o coração, pois deles são as lágrimas mais puras...


Bem-Aventurados os loucos, pois deles é a sabedoria mais genuína…


Bem-Aventurados aqueles que sorriem sob o peso de um coração melancólico, pois deles é a alegria mais amarga…


Bem-Aventurados os que vivem no calor da noite, pois deles é a luz mais verdadeira…


Bem-Aventurados os solitários, pois deles são as noites mais frias…


Bem-Aventurados os sonhadores, pois vivem a vida mais intensa…


Bem-Aventurados os apaixonados, pois deles é o desejo mais ardente…



terça-feira, setembro 13, 2005

UMA LUZ DE ALEGRIA



O amanhã é um olhar doce
É um sorriso pacífico
É a voz da serenidade
Que chama por mim nas minhas fantasias
Já está longe o sorriso triste
O espelho de um coração melancólico
É a ternura da harmonia
Que me aconchega no seu calor

Nas minhas veias o sangue corre quente
Nos meus lábios está o sorriso da minha alegria
O meu olhar perde-se por entre um mar de estrelas
Está perdido mas sabe para onde vai
O meu olhar já não está fixo no nada
Já não ruma sem direcção
Segue a luz da serenidade
Que o chama com o seu esplendor

Dou-lhe a minha mão agora inocente
Vejo o seu olhar explodir em milhões de cores
Vejo o ardor forte de uma paixão a nascer
Sigo feliz o caminho incerto da tranquilidade
Já sei o caminho que vou seguir
Já sei o marco que me guia
Já respiro fundo o oxigénio da paixão
E sigo o caminho da paz e da serenidade


sexta-feira, setembro 09, 2005

APENAS UM DESEJO...


Não posso escapar à dor que o sol me causa
Encurralando-me entre as trevas
Onde toda a minha esperança se esvanece
Subjugado pelo medo tento ser forte

Por cada espinho cravado no meu coração
Sinto uma dor que me relembra a fé
E o som da tua voz guia-me na angústia
Acolhe-me no meu acordar

Abraça-me
Tal como te abraças à vida
Dando vida às nossas lágrimas
Unindo a nossa dor

Quero acordar com o sol no meu rosto
E o calor a invadir-me o ser
Como um caminho entre a escuridão
Em direcção ao teu calor

Talvez anseie atravessar os portões do paraíso
Usando esta paixão vinda das trevas
Como chave para fora do pesadelo
Entrada para aquilo a que chamam amor

Ama-me
Tal como amas o sol
Escoando o sangue
No meu coração negro

domingo, setembro 04, 2005

ATRÁS DA NOITE


Há muito que as minhas lágrimas secaram
Há muito que o medo é um anseio
Há muito que a dor é apenas algo
Há muito que o som da chuva me acompanha

Todas estas lágrimas vazias
Lavam a luz do dia

O frio da noite conforta-me o coração
Aconchega-me a alma
Faz-me sorrir enquanto provo as minhas lágrimas
Salgadas pelo prazer da melancolia

Todas estas lágrimas desabitadas
Lavam as mágoas do dia

Estou sozinho na escuridão da noite
Acarinhado pelas trevas temerosas
Apaixonado pela magia da lua
Que na noite revela o seu fascínio

Talvez um dia me revele
De entre os braços da escuridão
Talvez um dia saia de trás do espelho
E seja eu luz…

quarta-feira, agosto 31, 2005

O FIM



É a sorrir que oiço o som melancólico deste piano
É como um convite a lançar-me neste frio e negro abismo
Uma voz sem palavras que me impele para o fundo
Provo as lágrimas de sangue salgadas que caem no meu rosto
Abro as minhas asas impotentes ante este abismo
Chegou a altura de me lançar
Esqueço o medo, pois ele nunca existiu
Limito-me a sorrir perante o meu fim

Afinal
O fim é apenas o princípio